A pesquisa do MilkPoint deste ano foi realizada em janeiro, colhendo respostas de todas as regiões do Brasil, com a participação de produtores de leite, profissionais da área industrial, consultores, veterinários, zootecnistas e outros agentes atuantes no setor, oferecendo uma fotografia da percepção a respeito do que espera o setor neste ano de 2016.
O custo de produção segue, desde a primeira pesquisa, como o item de maior preocupação para o setor. E neste ano, não foi diferente, alcançando a maior porcentagem registrada de votos, com 73%. Na pesquisa do ano passado, o item teve 34% dos votos e em 2013, os custos de produção tiveram 59% dos votos, a maior porcentagem até então.
O ano de 2015 foi desafiador para todos os setores, inclusive o lácteo. A inflação atingiu 10,67% no ano passado (o maior desde 2002) e houve enfraquecimento da demanda pelos itens da cesta láctea. Também se notou incertezas nos planos econômicos e político e juros altos marcaram o ano, além de o dólar bater a casa dos R$ 4.
Nesta pesquisa, as opções importações de produtos lácteos e adequação ambiental não tiveram nenhum voto, diferente dos outros anos nos quais a pesquisa também foi realizada. Em 2015, ambas opções tiveram 2% dos votos.
O preço do leite ficou em segundo lugar, com 17% dos votos, queda quando comparado ao ano passado, que teve 20% dos votos. Em terceiro, clima, mão de obra e adequação da qualidade do leite empataram e cada tópico teve 3% dos votos, recuo comparado a pesquisa do ano passado, quando os itens foram a escolha de 20%, 6% e 7% dos participantes, respectivamente. Veja a votação dos itens por meio do gráfico abaixo:
Gráfico 1: Qual será o maior desafio para a produção leiteira em 2016? Fonte: MilkPoint.
Para entendermos a dinâmica do mercado e as expectativas para 2016, vale analisarmos detalhadamente o histórico e como a pesquisa repercutiu nos anos anteriores. O gráfico abaixo contribui na elucidação de alguns pontos, pois mostra a variação das respostas a partir dos “Desafios de 2012”.
Gráfico 2: Comparação “Desafios de 2012 a 2015”. Fonte: MilkPoint.
Os custos de produção continuaram sendo o principal desafio e houve um acréscimo de 39 pontos percentuais na comparação 2015x2016. Em 2015 o produtor de leite enfrentou um aumento considerável nos custos de produção, influenciado principalmente pelos preços da energia elétrica, combustível e mão de obra – além da valorização do dólar frente ao real, provocando perda do poder de compra do produtor de leite e gastos elevados na composição dos insumos utilizados na produção.
Com relação ao item “preços do leite”, mesmo com o preço médio líquido de 2015 ter sido o menor dos últimos cinco anos, o desafio apresentou queda de três pontos percentuais com relação a pesquisa do ano anterior. Provavelmente os custos de produção incidiram tão negativamente na produção leiteira em 2015 que faz os produtores acreditarem que em 2016 eles continuarão sendo o item de maior peso para o setor.
Analisando as respostas por estratos de produção, nota-se que há algumas divergências entre os menores e maiores produtores. A tabela abaixo apresenta as respostas agrupadas dos produtores de leite pelos seus respectivos perfis de produção.
Tabela 1: Respostas dos produtores por estrato produtivo. Fonte: MilkPoint.
É perceptível, por meio da tabela, que os produtores de menor escala (até 500 litros/dia) apontaram uma variação maior de desafios (adequação da qualidade do leite, preço do leite, custos de produção, mão de obra e clima). Conforme a quantia de leite produzida foi aumentando, as escolhas foram afunilando e concentraram-se em menos opções. Apenas 5,9% dos produtores acima de 3.000 litros/dia apontaram outro desafio (mão de obra) a não ser os custos de produção e nenhum participante selecionou o preço do leite como desafio, provavelmente pela menor oscilação de preços nas faixas mais altas de produção e os bônus que incidem no volume produzido.
“Fica evidente que os custos de produção são de longe a maior preocupação dos produtores de leite neste ano. Isto remete à necessidade de sintonia fina e gestão eficiente para que o produtor se mantenha no azul. Chama a atenção o fato de que a mão de obra perdeu relevância, com somente 3% das indicações. Será já efeito da crise, em que a oferta de trabalhadores tende a aumentar em função do desemprego? Ou simplesmente os custos se tornaram tão relevantes que obscureceram os demais itens? Ainda, é interessante que, no ano passado, o item clima teve 20% das indicações, fruto certamente da seca que afetou o sudeste e o centro-oeste. Já neste ano, a variável perdeu relevância, a partir da normalização das chuvas”, explica Marcelo P. Carvalho, coordenador do MilkPoint.
Participaram da pesquisa deste ano 107 pessoas, originários de 17 estados do Brasil.
Para acessar as pesquisas anteriores clique abaixo:
2012/2013/2014/2015
E você, qual destes será o principal desafio para 2016? Use o espaço abaixo e comente.
Equipe MilkPoint
