A Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregará hoje para as indústrias e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) uma proposta de fixação de preços regionais de referência para os Empréstimos do Governo Federal (EGF) do leite, com o objetivo de evitar a formação de grandes excedentes e a redução dos preços pagos ao produtor com o aumento desordenado da produção.
A CNA vai sugerir o preço de R$ 0,30 por litro do produto na região Centro-Sul, R$ 0,26 por litro para a região Norte e R$ 0,33 por litro para a região Nordeste. No último trimestre de 2001, o produtor recebeu em média R$ 0,29 por litro em razão de um forte aumento na oferta. Os fornecedores das 16 maiores indústrias de laticínios do País elevaram em 14,7% a entrega diária, saltando de 136 litros em 2000 para 156 litros em 2001.
Com a inclusão do leite na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), os laticínios esperam ter acesso a uma linha de crédito para financiar seus estoques. A linha escolhida seria o Empréstimo do Governo Federal (EGF) sem opção de venda. Dessa forma, as indústrias que pagarem os preços de referência teriam acesso a empréstimos com juros 8,75% ao ano. "Assim, não será necessário aviltar os preços pagos ao produtor em épocas de excedente de leite no mercado", diz o presidente da comissão da CNA, Rodrigo Alvim. "E pode ser uma boa oportunidade para os laticínios interessados em investir na exportação".
Segundo Alvim, algumas indústrias iniciaram uma tentativa de reduzir o preço do leite pago ao produtor em R$ 0,03 por litro em razão de um aumento de 10% nas embalagens de longa vida. "Mas não há clima para aviltar preços, nem para repasses de custo de produção aos produtores", afirma. De janeiro a julho deste ano, as compras externas cresceram 17,8% em valor, para US$ 153,24 milhões, e 27,8% em volume, para 132,16 mil toneladas.
Neste ano, o País produzirá 21,06 bilhões de litros de leite, com um desempenho 2% superior ao ano passado. De janeiro a junho, o País vendeu US$ 19,76 milhões, desempenho 184,5% superior ao mesmo período de 2001. Foram embarcadas 17,1 mil toneladas de produtos lácteos ao exterior. A preocupação do setor é criar demanda para os excedentes de produção, que antes somente ocorriam em épocas de safra. Em 2001, pela primeira vez, houve um volume expressivo de vendas externas de lácteos, que cresceram 87% e geraram US$ 25 milhões em divisas.
Outras medidas sugeridas pela comissão da CNA ao Mapa para evitar a baixa remuneração do setor são a agilização do processo de habilitação de indústrias e produtos para exportação; identificação de barreiras aos produtos lácteos brasileiros nos principais mercados mundiais e negociação de melhor acesso aos mercados importadores; acordos de equivalência sanitária com países importadores; promoção da vinda de missões de técnicos estrangeiros ao Brasil para inspecionar laticínios.
Fonte: Departamento de Comunicação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Valor On Line (por Raquel Landim) adaptado por Equipe MilkPoint
Pecuaristas sugerem fixação de preços de referência para EGF do leite
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