Pecuaristas mineiros investem em qualidade

Publicado por: MilkPoint

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A partir do dia 1o de maio, os 750 pecuaristas da região de Governador Valadares (MG), associados à Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce (Coaperiodoce) passarão a receber até 30% a mais pela qualidade do leite que produzem. Segundo o presidente da Coaperiodoce, Wellington Braga, a estratégia é estimular os produtores a colocar em prática procedimentos que tornem o produto apto a atender às novas exigências estabelecidas pelo Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNMQL). Os acertos finais para a implantação do programa do governo federal deverão ser discutidos entre a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no final deste mês.

O PNMQL vai oficializar e legitimar padrões de produção do leite que permitirão ao Brasil exportar para mercados mais exigentes como a Europa e Estados Unidos. Braga informa que 100% do leite dos cooperados da Coaperiodoce já é granelizado desde 1999. "Isso foi possível graças a um financiamento que a entidade fez aos produtores para que eles pudessem adquirir tanques de armazenamento", afirma o presidente.

Para que as análises do leite tenham total isenção no processo de avaliação e credibilidade por parte do setor, a cooperativa está acertando com a Universidade do Vale do Rio Doce (Univale) os últimos detalhes para assinatura de um convênio com o objetivo de validar os exames. A matéria-prima passará a ser analisada em laboratório, por Unidade Formadora de Colônia (UFC/ml), também conhecida por análise de contagem global. O leite do produtor individual ou nucleado será analisado, no mínimo, duas vezes ao mês e classificado em cinco faixas de qualidade diferentes, de acordo com a média de UFC/ml encontrada nos exames laboratoriais.

O presidente da Coaperiodoce disse ainda que a entidade contratou professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para ensinar agrônomos, veterinários, carreteiros e produtores sobre quais as melhores formas de manipular o leite em todas as suas etapas, da coleta até a entrega na cooperativa. De acordo com Braga, aproveitando as amostras para análise de contagem global, os técnicos do laboratório da Coaperiodoce também realizarão testes para verificar os níveis de antibióticos no leite, crioscopia, gordura e conservantes. Esses resultados também incidirão sobre a classificação do leite.

A nota do produto vai indicar a porcentagem que incidirá sobre o preço base do litro de leite (hoje em R$ 0,19). "Se o produto tiver as melhores notas em qualidade, quantidade e frete, o produtor poderá obter pelo litro o equivalente a R$ 0,29. Hoje quem não for eficiente e não tiver qualidade fica fora do mercado. Temos que melhorar a produtividade, crescer para continuar existindo, pois a concorrência está cada vez mais acirrada", conta o presidente da Coaperiodoce.

Em 1995 a cooperativa vendia o leite do tipo longa vida a um preço médio de R$ 0,94. Em 2001, segundo Braga, a média foi de R$ 0,70 por litro. A cooperativa comercializa a marca Ibituruna. Em 1991 ela obteve um faturamento de R$ 11 milhões com a comercialização de laticínios e um resultado positivo de R$ 1 milhão. Em 2001, de acordo com as informações do presidente, os negócios chegaram a R$ 70 milhões, mas o resultado final ficou em R$ 500 mil, o que deixa claro que a empresa deve ter, cada vez mais, eficiência e ganhar no volume comercializado, porém, sem perder a qualidade.

Outra estratégia que ganha força dentro da cooperativa é o lançamento de novos produtos para incentivar a venda casada junto às redes de supermercados. Na próxima semana serão introduzidos nos mercados de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo a bebida láctea "Oi" em embalagem de um litro e os sucos de uva e maçã acondicionados em vasilhame Tetra Pak de 200 mililitros. Braga faz questão de frisar que na embalagem da "Oi" está especificado que é uma bebida láctea e que possui 20% de soro e 80% de leite. A indústria de laticínios Ibituruna recebe dos produtores cooperados 190 mil litros de leite por dia, mas processa ao todo, 320 mil litros diariamente.

As parcerias com outras empresas, como a Embaré, Pura Vida, Damare, Caprileite, entre outras, também estão ampliando a inserção em novos mercados, segundo Braga. Em Belo Horizonte, onde a concorrência é grande, os produtos fabricados pela Coaperiodoce estão em 1,6 mil pontos de vendas. A expectativa do presidente com as novas estratégias é de um crescimento de, no mínimo, 32% no faturamento em 2002.

Comentário MilkPoint: segundo fomos informados pelo veterinário da Cooperativa Vale do Rio Doce, Alberto Magno de Assis, o preço básico do leite é 0,19 centavos/ litro. Com os acréscimos devido à qualidade, quantidade, frete e outras bonificações extras, o valor do litro de leite pode chegar em até 0,38 centavos.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Fátima Peres), adaptado por Equipe MilkPoint
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Alberto Magno de assis
ALBERTO MAGNO DE ASSIS

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/04/2002

Informo à redação, como um dos técnicos (veterinário) da Cooperativa Vale do Rio Doce, que houve um erro na publicação do preço final que o litro de leite pode chegar. O preço básico é 0,19 centavos, mais qualidade, mais quantidade, frete e outras bonificações extras, o valor do litro de leite, pode chegar em até 0,38 centavos.
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