O presidente do Centro da Indústria Láctea (CIL) da Argentina, Ércole Felippa, analisou a situação do setor em entrevista e destacou a recuperação produtiva após dois anos de quedas. "Nossa atividade não é alheia ao contexto do país e vivemos um pouco as gerais da lei", afirmou, embora tenha ressaltado que "esta atividade tem uma série de particularidades que lhe conferem um toque de diferenciação".
Nesse sentido, explicou que "este ano, na Argentina, vamos ter uma produção recorde de leite depois de dois anos consecutivos de queda, como consequência de diversos fatores, como por exemplo o clima, políticas que realmente impactaram negativamente, tipos de câmbio diferenciais, controles de preços, que fizeram com que a produção caísse".
Felippa destacou que "em 2025, não somente vamos recuperar o que caiu em 2024, mas também estaremos em níveis de produção de leite superiores aos de 2023".
Sobre o consumo, indicou que "embora seja certo que em 2025 há um aumento em relação a 2024, esse incremento cobre apenas em parte a queda do ano passado, como consequência das situações que ocorreram no país, mas ainda assim já se observa uma recuperação".
Fatores que impulsionaram a recuperação
O dirigente do setor reconheceu o impacto de decisões oficiais: "A eliminação das retenções para as exportações — em nossa atividade, aproximadamente 25% do que se produz é exportado. Embora já tivéssemos uma eliminação temporária na gestão anterior, o que este governo fez foi eliminar definitivamente as retenções e não intervir no mercado, porque essas intervenções sempre são elementos distorcivos no funcionamento dos mercados."
Ele também mencionou a influência dos preços internacionais dos grãos: "Para produzir leite você precisa basicamente de milho e soja, não apenas como alimento, mas também como referência de preço nos arrendamentos de terras." E explicou: "Essa relação está muito favorável, acima dos níveis históricos, e isso também ajudou o crescimento da produção primária."
Com esse cenário, adiantou que "este ano vamos alcançar 11,5 bilhões de litros de produção" e acrescentou:"Houve anos em que caímos, outros em que crescemos um pouco e voltamos a cair, mas este ano recuperamos a queda de 2023 e 2024 e isso nos coloca em um recorde de produção."
Competição e mercado regional
Em relação ao contexto regional, Felippa apontou: "A produção no Brasil cresceu consideravelmente, mas ainda assim não é suficiente para abastecer seu mercado doméstico, e isso faz do Brasil o principal destino de nossas exportações."
Segundo ele, "o Brasil, por meio da aplicação de tecnologia e de políticas alinhadas ao setor, hoje produz aproximadamente quase o triplo do que a Argentina produz em leite. Mas são quase 200 milhões de habitantes, o que não é suficiente para cobrir esse nível de consumo."
Preços e competitividade
Consultado sobre o preço recebido atualmente pelo produtor, informou que "a média por litro de leite no país está em 471 ou 472 pesos (US$ 0,36 ou US$ 0,38) por litro."
Por fim, defendeu uma visão integral para melhorar a competitividade: "Nosso setor precisa de uma agenda de temas que promovam a competitividade, e essa agenda deve ter uma visão sistêmica."
Felippa advertiu que a competitividade de qualquer atividade depende de uma série de fatores, alguns externos e outros internos: "Se pensarmos que a competitividade do setor virá apenas pelo tipo de câmbio, sem levar em conta todos os fatores que incidem nessa agenda, acredito que voltaremos a cometer os mesmos erros do passado."
As informações são da Revista Chacra.