Pecuária de leite migra para o oeste brasileiro

Publicado por: MilkPoint

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Pesquisa da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, mostra que está havendo um deslocamento da pecuária leiteira para regiões de menor custo de produção e, conseqüentemente, perda da importância de regiões tradicionais, com custos mais elevados. Ganham importância o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba, em Minas Gerais, e os estados de Goiás e Mato Grosso, e perdem importância o Sul de Minas Gerais e São Paulo - segundo maior produtor de leite até 1998.

Em cinco anos, Goiás, Estado do Centro-Oeste, deixou a quinta colocação no ranking nacional de produção de leite e tornou-se o segundo maior produtor do País, atrás apenas de Minas Gerais. Se a média brasileira de produção leiteira cresceu 35% entre 1990 e 1997, em Goiás o aumento foi de 76%. Ao mesmo tempo, em Minas Gerais, houve o deslocamento do Sul e do Sudeste para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, regiões mais a Oeste do estado.

A escolha pelo Oeste pode ser verificada em outros estados brasileiros. Entre os cinco principais produtores, o Rio Grande do Sul (3º colocado) tem sua bacia leiteira concentrada no Norte e fronteira Oeste. Em São Paulo (4º no ranking), a maior produção localiza-se entre o Oeste e Noroeste. No Paraná, está no Oeste e Sudoeste. Além disso, as novas fronteiras da pecuária leiteira também se abrem para este lado do País: Rondônia, demais estados do Centro-Oeste e Oeste baiano.

O técnico da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Paulo Mustefaga, atesta que há uma tendência clara verificada nos últimos anos de aumento da produção no Cerrado. "Terras e alimentos mais baratos atraem o pecuarista", conclui. Entre as explicações para tal fenômeno, segundo o levantamento da UFV, estão o preço baixo do concentrado para rações (porque são regiões produtoras de grãos), o custo reduzido da terra, a perda da competitividade da pecuária extensiva de corte, o crescimento do consumo de leite longa vida e a disponibilidade de crédito através do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO).

Sebastião Teixeira Gomes, professor da UFV e estudioso sobre o assunto, diz que o avanço da indústria de laticínio contribuiu muito para este fato, com assistência técnica aos produtores e criação de demanda de leite. "Hoje, com o leite longa, pode-se transportar a longas distâncias", afirma. O crescimento do consumo de leite longa vida favoreceu a região, com a ampliação do mercado, e também a entrada de grande laticínios, como Nestlé, Parmalat, Central Paulista e Itambé, em Goiás.

Os produtores dos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia e Rondônia estão apostando na pecuária leiteira como alternativa de renda. Nos últimos 10 anos, a produção de leite de Rondônia cresceu 38,7%. Na Bahia, apesar da redução, houve mudança na pecuária, com tecnificação e investimento no Oeste, onde uma indústria americana deve se instalar.

Ranking


Produção leiteira tem novas fronteiras

A produção leiteira na região de Barreiras (BA), que já se desenvolve com a caprinocultura, será impulsionada com a inauguração da fábrica do Grupo Amero Participações e Negócios, prevista para o próximo mês. "Além da fábrica, os americanos devem implantar uma fazenda altamente tecnificada, com os animais em confinamento", explica o diretor da Divisão de Pecuária da Secretaria de Agricultura da Bahia, Luiz Rebouças. O projeto atende desde a produção de forragens até a industrialização do leite, com investimentos de US$ 800 milhões em 10 anos.

Em Mato Grosso do Sul, há um processo de transformação das grandes propriedades em minifúndios e a produção leiteira acaba se destacando como alternativa de renda. Para o diretor-secretário da Federação de Agricultura do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva Júnior, a localização das bacias leiteiras está ligada ao mercado consumidor. Na avaliação de Silva Júnior, a proximidade de áreas agrícolas para o barateamento dos custos ainda não influencia na localização das bacias no Estado, porque os pecuaristas ainda não são tecnificados e, portanto, não suplementam os animais na seca.

Rondônia também está em busca dos centros consumidores. No Estado, a produção de leite fica próxima à divisa com o Mato Grosso. "O desenvolvimento está ligado à colonização e ao financiamento do Banco do Amazonas, via Fundo Constitucional do Norte (FNO)", conclui Francisco Ferreira Cabral, presidente da Federação de Agricultura do Estado de Rondônia (Faer).

Também há mudanças entre os grandes produtores. No Rio Grande do Sul, a tendência dos últimos anos é de migração para o Norte e Centro, visando a diversificação da produção. Com o mesmo objetivo, a pecuária leiteira do Paraná começou a se deslocar para o Sudoeste. Em Goiás, o Sul e o Sudoeste despontam. O economista da Federação de Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Edson Novaes, aponta a matéria-prima barata (a região produz soja e milho) e as terras planas como fatores que incentivam o manejo do gado.

(Por Neila Baldi, para Gazeta Mercantil 09/04/01)
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