Enquanto a Parmalat transfere máquinas e diminui o ritmo da produção desde junho deste ano, os 164 trabalhadores da divisão de produção de iogurtes e sobremesas da unidade de Porto Alegre aguardam o iminente desemprego. As demissões devem começar em setembro próximo e se encerrar em novembro, quando a fabricação desses derivados do leite será exclusiva das unidades localizadas no Sudeste.
Para amenizar os efeitos do desemprego, a Parmalat está oferecendo um bônus de 20% do salário para cada ano de serviço dos funcionários e mais 5% também sobre cada ano trabalhado aos colaboradores que seguirem comparecendo com regularidade ao serviço, mesmo estando cientes do desligamento. A extensão do plano de saúde e a consultoria para recolocação profissional estão entre os benefícios oferecidos.
Por meio de comunicado oficial, a direção da Parmalat justifica o encerramento da operação devido à localização mais estratégica das unidades do Sudeste, próximas dos maiores centros de consumo. A transferência implicará em redução de custos, sobretudo de logística. Mas a empresa assegura que as linhas de produção de leite pasteurizado e o centro de distribuição permanecerão em Porto Alegre, cuja planta tem cerca de 400 funcionários, somando-se as diferentes divisões. A Região Sul responde por 18% do consumo de iogurte no país, segundo dados da AC Nielsen, sendo que 9% correspondem ao Rio Grande do Sul.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Panificação, Chocolates e Laticínios, Sebastião Nunes Pinto, acredita que o encerramento da divisão de iogurtes é apenas a primeira etapa de uma provável desativação completa das atividades da multinacional na Capital gaúcha. Ele cita a redução gradativa das operações, até culminar com o fechamento, em unidades da Parmalat na Bahia, Rio de Janeiro (Acari e Campos), Ceará, Minas Gerais e Pernambuco, bem como no Rio Grande do Sul, nas cidades de Feliz e Lajeado. "Em 1993, quando compraram a Lacesa, os funcionários chegaram a festejar o ingresso da poderosa transnacional, apostando na melhoria das condições de trabalho", lembra o líder sindical. "Mas foi um engano, pois eles vêm sistematicamente fechando unidades em todo o país, desempregando muita gente", acrescenta.
Até fevereiro, outra multinacional se despedirá totalmente do Estado. Localizada em Eldorado do Sul desde 1979, em junho passado, a Effem deu largada a um processo gradativo de desligamento de funcionários: 53 já foram demitidos, 18 serão desligados em setembro, 32 em dezembro e 112 em fevereiro, devido à reestruturação de seus negócios no país.
Subsidiária do grupo norte-americano Mars, a empresa está racionalizando suas operações no Brasil e centralizará as unidades produtivas em três grandes centros, próximos à regiões onde há maior demanda. As linhas de produtos para animais serão concentradas em Mogi Mirim (São Paulo), as de chocolates continuam em Recife e as de alimentos serão transferidas para uma nova fábrica, a ser construída em Guararema (São Paulo), onde serão gerados mais de 100 empregos.
Fonte: Zero Hora/RS (por Fabiane Dalri), adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat reduz operações em unidade de Porto Alegre
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