Parmalat não consegue liquidar investimento em fundo

Publicado por: MilkPoint

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Investidores da gigante italiana de laticínios Parmalat S/A se defrontaram ontem (08) com ainda mais incertezas depois que a empresa disse que não havia conseguido recuperar um investimento de cerca de 500 milhões de euros (US$ 608,3 milhões) - montante igual a cerca de um quarto do valor de mercado da empresa - feito em um fundo de investimentos no Exterior.

Pela segunda vez em duas semanas, a empresa disse que não conseguiu recuperar o controle de um fundo chamado Epicurum, que está registrado nas Ilhas Cayman. A Parmalat nas últimas semanas havia reassegurado aos investidores que liquidaria logo seus investimentos no fundo, mas agora não sabe quando conseguirá seu dinheiro de volta.

O investimento, e o nível de controle que a Parmalat tem sobre ele, tem levantado questões sobre a quanto a companhia teria acesso de fato e dúvidas sobre sua capacidade de arcar com o serviço de mais de 6 bilhões de euros (US$ 7,3 bilhões) em dívidas. No mês passado, a Parmalat disse que tinha 4,2 bilhões de euros (US$ 5,1 bilhões) em caixa e equivalentes, no final de setembro.

Investidores agora temem que a Parmalat - conhecida tanto por sua complicada estrutura financeira, quanto por seu leite longa vida - pode enfrentar sérios problemas financeiros.

Além do investimento no Epicurum, a Parmalat informou no mês passado que também tinha um acordo financeiro até então não-revelado com o Citigroup Inc., dos Estados Unidos. O banco canalizou sua participação por meio de uma companhia chamada Buconero - "buraco negro", em italiano.

A negociação com ações da Parmalat foi interrompida na Bolsa de Milão ontem. Um porta-voz da Parmalat disse que a empresa havia requisitado a suspensão até uma reunião extraordinária do conselho marcada para hoje à noite. Ele acrescentou que "decisões importantes sobre a estrutura do grupo" seriam tomadas na reunião, mas não deu mais detalhes.

Títulos de dívida da Parmalat, que continuaram a ser negociados, caíram, enquanto o custo para comprar seguros de crédito para proteger-se contra inadimplência da Parmalat subiu.

Embora ainda possa haver dúvidas sobre o caixa de 4,2 bilhões de euros (US$ 5,1 bilhões), a Parmalat deve ter o bastante para honrar suas obrigações nos próximos meses. Isso inclui uma compra já contratada de investidores minoritários nas operações brasileiras da Parmalat até o final deste ano por US$ 400 milhões. Além disso, a empresa tem uma base industrial sólida: é o maior laticínio da Itália e vende mais de 7 bilhões de euros (US$ 8,5 bilhões) por ano em leite, iogurte, creme, pizza e produtos de padaria, bolos e sobremesas ao redor do mundo.

Entretanto, os investidores, mesmo assim, temem que a estrutura opaca da companhia possa conter surpresas ruins. As autoridades de mercado italianas investigam a empresa, e os auditores da Parmalat, a Deloitte & Touche, questionaram aspectos de seus balanços relacionados ao investimento na Epicurum. "A dificuldade é a natureza opaca de seus livros, combinada com o risco de má conduta corporativa", disse Louis Gargour, administrador de carteira sênior da fundo de hedge RAB Capital, de Londres, que tem tomado posições em títulos da empresa. "É improvável que a falta de caixa leve a uma concordata, nossa maior preocupação é que esses caras manipulem sua contabilidade".

A Parmalat já disse que suas atividades estão acima de suspeitas e que transações financeiras são lançadas para minimizar os riscos que ela tem por fazer negócios em países fora da região dos 12 que usam o euro como moeda comum.

Há outras razões para os investidores se preocuparem. Muitos analistas esperam que a agência de classificação e risco Standard & Poor's, que tem a Parmalat sob observação negativa, possa reduzir a dívida da empresa para o nível especulativo antes do final do ano. Também há a perspectiva de que, mesmo recebendo os 500 milhões de euros do Epicurum, a companhia poderia ter uma grande dívida tributária que comeria parte desse dinheiro.

Fonte: The Wall Street Journal/O Estado de S. Paulo (por David Reilly e Alessandra Galloni), adaptado por Equipe MilkPoint
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