Desde o início de abril, a Parmalat está produzindo o Natura Premium, um leite que, como diz a campanha de marketing desenvolvida pelo publicitário João Livi, da Talent, tem gosto de fresco. Para embalar a novidade a Parmalat também está fabricando garrafas em polietileno (plástico) longa vida. Ambos são inovações no mercado brasileiro. "Nossas pesquisas mostram que o consumidor brasileiro gosta da praticidade do leite longa vida, mas reclama do sabor que o sistema tradicional de ultrapasteurização deixa no produto", diz a diretora executiva de marketing, Fátima Marques, que prossegue: "e garrafa representa o natural, tem cara de leite da fazenda, por isso a escolha". Mas o novo produto vai custar ao consumidor 15% mais caro que as tradicionais caixinhas.
Entre os 30 países onde a marca Parmalat está presente, o Brasil é considerado um dos mais importantes mercados e o segundo onde ela desenvolve novas tecnologias. A marca tem 16 fábricas no País. Segundo a empresa, o atrativo é o crescimento do consumo de leite fluido no País, de cerca de 2,5% ao ano, mas, principalmente, o aumento do consumo de leite longa vida. Em 1990 foram produzidos 190 milhões de litros de leite em caixas longa vida. Já em 2001 foram 3,95 bilhões. "O crescimento foi de 17%, somente de 2000 para 2001", afirma a executiva. A Parmalat, segundo dados do Instituto AC Nilsen lidera o mercado, com cerca de 30% de participação.
Com a tecnologia recém implantada o leite é esterilizado por infusão, com temperaturas até oito graus mais baixas que as utilizadas no processo tradicional. Segundo a Parmalat, é a diferença na temperatura que mantém o leite com gosto mais natural. A tecnologia para a fabricação da garrafa também difere da aplicada às caixas longa vida. No entanto, como na concorrente cartonada, a garrafa possui camadas internas que protegem o leite do contato com o ar e a luz.
O Natura Premium já está sendo experimentado nos estados do Sul do País há quinze dias e chega nesta semana, junto com a campanha publicitária, aos pontos-de-venda do Estado de São Paulo, mercado que detém cerca de 50% do leite em embalagem longa vida."A embalagem plástica tem preços competitivos com a das caixinhas", afirma Fátima. Segundo ela, a Parmalat, estuda a compra de polietileno no Brasil para reduzir mais o preço. A executiva garante ainda que a Parmalat não pretende "canibalizar" a embalagem cartonada. "O Natura é destinado para um nicho de mercado", disse.
A Tetra Pak, multinacional sueca e única indústria a produzir no Brasil embalagens longa vida, detém 98% do mercado de leite, diz que vai acompanhar com atenção a tendência do mercado brasileiro de garrafas longa vida. Acredita também que, "por ser mais cara", a embalagem plástica longa vida será destinada a apenas uma pequena fatia do mercado. Mas, se houver crescimento, vai disputar o mercado. "Temos a tecnologia e já a aplicamos em cinco países europeus", diz o diretor de marketing e desenvolvimento de novos negócios da Tetra Pak, Paulo Rochet. No entanto, a situação da empresa é, no mínimo, delicada. A Parmalat é um dos principais clientes da Tetra Pak no mundo.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Iolanda Nascimento), adaptado por Equipe MilkPoint
