Paraná: preço do leite ao produtor em setembro é o mais baixo do ano

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O preço do leite pago ao produtor em setembro é o mais baixo do ano nas principais bacias leiteiras do Paraná, que já tinham apresentado retração no mês de agosto. Uma das situações mais críticas ocorre na Cooperativa Agropecuária Castrolanda, do município de Castro, na região central, onde a remuneração do litro caiu de R$ 0,40 para R$ 0,29, significando uma queda de 27,5% entre um mês e outro. Segundo Arnaldo Bandeira, gerente da Divisão de Agropecuária da empresa, o custo de produção é de cerca de R$ 0,36, o que representa um prejuízo de 24%.

O valor, do qual ainda devem ser descontados 2,2% de Funrural, é o menor de 2001, perdendo inclusive para o praticado em janeiro - R$ 0,31 - historicamente o mais fraco. A Castrolanda integra com a Batavo, em Carambeí (PR), e a Cooperativa Agropecuária Arapoti (Capal), o denominado Pool de Leite ABC. A produção das duas primeiras, em torno de 400 mil litros por dia, é vendida para a Batavia - fusão da Cooperativa Central de Laticínios e Parmalat - que fica com 65%. O restante vai para a Danone, em Poços de Caldas (MG), e Colaso, em Sorocaba (SP).

A formação do pool permitiu acordos de parceria com os três clientes. Porém, em agosto, a Batavia teria descumprido os termos, remunerando 20% menos que as demais, num rompimento unilateral dos negócios. A redução, embora prevista, poderia ter sido de menor impacto na distribuição final ao produtor, ficando na casa dos R$ 0,35.

Por meio da assessoria de imprensa, a direção da Batavia não comentou especificamente o fato de estar promovendo a pior remuneração, mas informou que "atravessa um momento difícil nesta crise do leite que se estabeleceu no País." Segundo a nota, "há excesso de produção, em plena entressafra, decorrente do clima e da melhoria do rebanho, obrigando a indústria a absorver todo o volume excedente, com dificuldades de colocação no mercado." Além disso, a nota ressalta que houve redução no consumo e que "o preço do leite pago ao produtor reflete a redução dos praticados pela indústria ao varejo." Embora não dê números nem detalhes, a empresa afirma que a redução não ocorre na mesma proporção, "porque a indústria ainda vem absorvendo parte desta redução, evitando perdas ainda maiores para o produtor."

A oferta maior de leite no mercado durante a entressafra - fato atípico para esta época do ano - tem sido apontado realmente como um dos principais motivos para a retração do preço do leite. A Castrolanda recebeu 13,7 milhões de litros em agosto, 6,2% a mais que os 12,9 milhões de julho. Porém, o problema considerado mais grave por Bandeira é o receio de que, em virtude do desânimo, o produtor desista de investir na qualidade. A bacia leiteira ABC é uma das mais conceituadas do Paraná, de alto nível de profissionalização.

Segundo Ronei Volpi, presidente da Comissão Estadual do Leite da Federação da Agricultura no Estado do Paraná (Faep), há muito tempo se vem tentando um trabalho de desenvolvimento e integração da cadeia. Ele concorda que o desequilíbrio é causado pelo descompasso entre a oferta e demanda, não vendo, por enquanto, tendência de reação. A expectativa, aliás, é de retração ainda maior, porque logo se inicia a nova safra, com incremento ainda maior na oferta. Até o final deste mês, a comissão da Faep se reunirá novamente para discutir o assunto e, conforme o comportamento futuro, poderão ser adotadas medidas concretas para que o problema seja solucionado.

A produção de leite no Estado do Paraná no ano 2000 foi de 2,08 bilhões, dos 19,8 bilhões produzidos no País. Segundo Francisco Perez Júnior, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em algumas regiões do Paraná - devido à ocorrência de um inverno ameno e, em média, boas condições de pastagem - a produção cresceu até 10%. "É certo que este excesso de produção influenciou." Segundo ele, se não forem tomadas atitudes urgentes, o preço tende a cair mais ainda. "O Brasil não tem uma política definida e isto determina a insegurança no campo."

Segundo dados preliminares do Deral, embora não existam preços médios do mês de setembro para o Paraná, porque algumas empresas só informam o preço quando forem pagar o produtor, a cotação fechou a semana passada - entre os dias 10 e 14 - numa média de R$ 0,27, 5% a menos que a semana anterior, que tinha sido de R$ 0,29. O melhor preço continuava sendo o da região de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a R$ 0,30, 10% a menos que a semana anterior, e a menor era a de Francisco Beltrão, no Sudoeste, com preço de R$ 0,22 o litro.

Fonte: Gazeta Mercantil (por José Marinho), adaptado por Equipe MilkPoint
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Marcelo
MARCELO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2017

Em um País com tanta bagunça, é certo que alguma coisa de muito errado está acontecendo neste sistema que envolve toda à cadeia do Leite. Falta transparência, poucos estão ganhando muito, enquanto par ao produtor, sobra o sacrifício e o pânico de não fechar as contas no final do mês, e o governo, mantem-se "deitado em berço explêndido" sem fazer absolutamente nada de concreto em defesa primeiramente do produtor.
Antonio Perozin
ANTONIO PEROZIN

VALINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2001

Eu não concordo com essa balela de aumento da produção, propagada aos quatro cantos. O que existe, a meu ver, é o aumento da adição de soro de leite nos leites longa vida. Vejam que o preço a consumidor final, vi hoje em São Paulo, ao custo de R$ 0,69, se tirarem o custo da embalagem R$ 0,25, do transporte de coleta e entrega R$ 0,08, da industrialização R$ 0,12, ICMS R$ 0,05, sobram R$ 0,19, para pagamento dos demais impostos, remunerar o produtor, remunerar a indústria e remunerar o varejista. Portanto, alguma coisa está completamente errada







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