Paraná deverá adotar preço de referência para o leite

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O fato mais importante nos últimos anos para a pecuária de leite ocorreu na semana passada: as indústrias de laticínios do Paraná deverão adotar, a partir de outubro, uma antiga reivindicação do setor: um preço de referência ao produtor estipulado com um mês de antecedência. Atualmente, o valor só é definido e pago um mês após a entrega do produto.

O levantamento de dados técnicos sobre os custos das indústrias de laticínios foi iniciado na semana passada. ''Vamos monitorar os preços dos derivados para indicar preços de referência para a matéria-prima'', explica o coordenador de ambos os estudos, professor José Roberto Canziani.

O preço pré-fixado é uma prática já adotada por grandes indústrias lácteas, como Parmalat e Nestlé, mas é a primeira vez que a medida é implantada em âmbito estadual. Em Goiás, o preço de referência foi adotado, mas apenas para indústrias que recebem incentivos do governo estadual.

Para o presidente do Sindileite, Wilson Thiesen, a medida possibilitará o planejamento de volumes mensais entregues por cada fornecedor e também a fixação de padrões mínimos de qualidade da matéria-prima entregue. ''Isso poderá gerar um processo de parceria entre produtor e indústria'', diz ele, que prevê adesão maciça dos laticínios ao programa.

O coordenador do Projeto Leite do Centro de Estudos Avançados e Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), Leandro Augusto Ponchio, afirma que a adoção do preço de referência no Paraná deverá fortalecer os produtores. ''Esse mercado é regulado pela lei da oferta e da procura. Se não houver mecanismos de proteção, o produtor fica mais sujeito aos lobbies, principalmente das grandes redes de supermercados, que dominam as vendas'', diz. No Paraná, por exemplo, quatro redes (Sonae, Carrefour, Wal Mart e Pão de Açúcar) detêm mais de 40% do mercado de derivados de leite.

O Cepea divulga mensalmente boletim com levantamento dos preços nas seis principais bacias produtoras, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Bahia, que respondem por 80% da produção nacional. Segundo o pesquisador, a solução para o setor é a adoção do Mercado Futuro, com negociações a longo prazo com base nos preços do dia do fechamento do contrato, mas com mecanismos de proteção que permitem ajustes.

Fonte: Folha de Londrina, adaptado por Equipe MilkPoint
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