Othniel Rodrigues Lopes, presidente da Integralat

Othniel Rodrigues Lopes é presidente da Integralat, empresa que pretende implantar um projeto de integração na produção de leite. A Integralat é controlada pela LAEP, que era um fundo de investimentos e hoje é uma empresa focada no mercado de lácteos que também controla a Parmalat. Othniel deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, sobre o projeto e o atual estágio de desenvolvimento dessa iniciativa.

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Figura 1


Othniel Rodrigues Lopes é presidente da Integralat, empresa que pretende implantar um projeto de integração na produção de leite. A Integralat é controlada pela LAEP, que era um fundo de investimentos e hoje é uma empresa focada no mercado de lácteos que também controla a Parmalat. Othniel deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, sobre o projeto e o atual estágio de desenvolvimento dessa iniciativa.

MKP: O que é, em linhas gerais, o projeto Integralat?

ORL: Somos uma empresa agropecuária de produção de leite baseada em um sistema de cooperação com o produtor rural. O pequeno produtor, dono do negócio, aprende conosco a produzir um leite de melhor qualidade e  recebe  animais mais  produtivos a partir de melhorias genéticas  que obtemos com o trabalho de nossa empresa de tecnologia,a "In Vitro".   A captação diária  de leite  é  garantida e a renda deste produtor é ampliada. Em contrapartida, nós passamos a contar com produtos e fornecedores de padrão de qualidade internacional e um incremento no volume de leite rastreado e disponível para os mercados interno e externo. Nosso modelo de negócios prevê a instalação de fazendas integradoras  regionais,  cercadas de módulos de integração  com centenas de pequenos produtores.
 
Na fazenda integradora, ofereceremos educação para toda a família dos produtores, orientação sobre o manejo e a alimentação indicados aos animais geneticamente adequados à região,  os quais serão disponibilizados pela empresa. O objetivo é substituir vacas que hoje produzem três litros por dia por outras que produzam quinze litros por dia. Ou seja, maximizar o pastejo e ampliar em cinco vezes a produção, com significativos ganhos ambientais.
 
Outras vantagens ambientais importantes serão promovidas com este modelo de negócios: o tratamento e aproveitamento de água da chuva, conversão dos detritos animais em bio-fertilizantes e bio-gás, reciclagem de lixo e proteção e preservação do meio ambiente. Nossa meta é produzir leite de melhor qualidade e estimular a fixação do produtor no campo com a geração de empregos nas fazendas integradoras, e  com o aumento da  renda dos produtores integrados.

O prazo de maturação do nosso projeto é de 5 anos.
 
MKP:  Qual é a relação da Integralat com a Parmalat e com a Laep?
 
ORL: A LAEP é a controladora das duas empresas.
 
MKP: Em que estágio está o projeto atualmente?
 
ORL: Desde a criação da Integralat (em 2.007)  estamos trabalhando com foco em genética e na aquisição de algumas fazendas nas regiões escolhidas para inicio das atividades . Compramos a maior empresa de fertilização do Brasil: a In Vitro e 31 mil hectares em fazendas localizadas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Uruguai para a implantação de fazendas próprias para desenvolvimento de genética e produção de leite.  Já temos cerca de oito mil animais girolando prontos para produzir leite , e no conceito de "barrigas de aluguel", cerca de 50 mil vacas fertilizadas,  para produzir os animais girolando com alta produtividade  já  adequados às condições climáticas das regiões onde teremos nossos projetos no Brasil.  E, neste mês, iniciamos as obras para a  instalação da primeira fazenda integradora, no município de Unai, em Minas Gerais.

 
MKP: Na maturidade, quando do leite da Parmalat pretende-se suprir via Integralat?
 
ORL: Nossa estimativa é que  a Integralat responda por  30% das necessidades da Parmalat e de outras empresas que são controladas pela LAEP (Ibituruna e Só-Nata).
 
MKP: Porque o Sr. considera que é um projeto promissor?
 
ORL: Porque estamos fazendo algo que adere à cultura da produção de leite no estilo brasileiro. Seria muito mais fácil implantar grandes fazendas com capital e tecnologia para produção de grandes volumes de leite, mas a produção no Brasil é feita por 1,3 milhão de fazendas produtores que necessitam hoje de capital e de agilização na implantação de melhores tecnologias  para produção. Estas tecnologias hoje já estão totalmente disponíveis no Brasil via Universidades, Embrapa, e outros que trabalham ajudando o produtor brasileiro.

Por outro lado o Brasil é o país que hoje tem as melhores condições de produzir leite com baixo custo em função de suas características climáticas, de disponibilidade de terra e de água, num mundo com demanda crescente de leite pela inclusão de grandes populações de novos consumidores na China, África e América Latina.

MKP: É possível dizer qual o ganho de custo na aquisição de matéria-prima que se espera obter?

ORL: Não dá para determinar em quanto será o ganho, mas podemos garantir que a direção será a de redução de custos pela sinergia na compra  e pelo maior interesse de fornecedores em fazer contratos de longo prazo. 
 
MKP: Quais são as semelhanças e diferenças entre o sistema Integralat e a integração de aves e suínos?
 
ORL: As semelhanças estão no grau de interação entre as partes que têm sempre objetivos convergentes, e as diferenças básicas estão em que, no nosso caso, fornecemos animal e recebemos leite, enquanto para frangos e suínos recebe-se o que se forneceu após o ganho de peso esperado. 
 
MKP: Como lidar com a variabilidade regional e com a variabilidade biológica em sistemas agrícolas, algo que não acontece com suínos e aves?
 
ORL: É necessário tratar o projeto como se fossemos vários países com soluções técnicas distintas. No caso da genética, respeitar as diferentes condições de TU (temperatura e umidade), evitando o estresse, e construir os animais híbridos no melhor mix de produtividade possível, e para alimentação, utilizar os volumosos característicos de cada região tais como pasto, cana e palma para citar alguns.

MKP: Embora o sucesso da cadeia de suínos e aves seja notório, muitos dizem que o produtor acabou ficando com uma fatia cada vez menor da agregação de valor, sendo um funcionário terceirizado da indústria. Como o Sr. avalia esse comentário?  
 
ORL: Sabemos que podemos observar os dois lados da lua e, sempre haverá quem prefira focar o lado escuro. Procuramos produtores que olhem o lado brilhante: que podemos garantir ao produtor integrado um aumento no seu rendimento mensal,  maior segurança no seu sustento com o leite, e caso queiram, damos a possibilidade de seguir com o risco maior nas atividades paralelas, como agricultura, em sua propriedade. Mas temos absoluta segurança de que estes projetos de integração no frango, suínos ou leite não são a panacéia destes setores do agronegócio, mas, sim, assegurarão uma velocidade muito maior para alcançarmos uma produtividade média no Brasil de 4.000 kg por vaca/ano.

MKP: A Integralat pode mudar a gestão de suprimentos na cadeia do leite no Brasil?  
 
ORL: Não é esta nossa intenção, mas seguramente promoveremos um benefício às bacias leiteiras onde nos instalarmos que acelerará o processo de implantação das melhores tecnologias hoje disponíveis a estes nossos pequenos produtores brasileiros. Com isto ajudaremos a fixar este homem no campo de forma digna, introduzindo-o na cadeia do leite com qualidade esperada e exigida pelos consumidores nacionais e internacionais, assim como a legislação vigente, como a IN51.
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Vilson Marcos Testa
VILSON MARCOS TESTA

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 28/11/2008

Senhor Marcos Fernando de Resende Matta, de Campos dos Goytacazes - RJ: Com permissão, gostaria de sugerir a você e a muitos outros que entrevistassem (com representatividade estatística, claro) os agricultores familiares do sul do Brasil, pra ver se eles acham a idéia ótima. Bem provavelmente o senhor não falaria "Achei ótimo, sem duvida o futuro do leite é a integração. O pequeno produtor só poderá ter garantias de um preço minimo justo se se associar ou se integrar..."

Dito de outra forma, acho que pode ser o futuro do leite, mas não o futuro e o bem-estar dos pequenos agricultores. Analisar econômica e tecnologicamente poligástricos e monogástricos como sendo iguais é outro erro elementar. Por fim, nem consegui postar minha visão sobre a integração, na matéria do Marcelo, que a Integralat quebrou antes.
Osvaldo Silva Barbosa
OSVALDO SILVA BARBOSA

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/08/2008

A integração da cadeia do leite é um caminho inevitável para prover leite em qualidade e quantidade para os laticínios, principalmente os grandes laticínios. Porém, este modelo desenvolvido pela Integralat está fadado ao fracasso. Não por sua concepção de produção, e sim pelo modelo anti-econômico de produção de matrizes de forma contínua, isto é, através da fertilização in vitro. Dificultanto a continuidade do programa. Existe uma forma mais eficiente, para o sistema de integração, para a produção de leite.
Carmem Dalila Calderon Trenti
CARMEM DALILA CALDERON TRENTI

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/07/2008

Estou de acordo com o Sr. José Barbosa Campelo Neto de Fortaleza, no Ceará, a história da Parmalat se repete! Somente teóricos podem achar que isto é um bom negócio, na verdade o coitado do produtor que trabalha 24 horas por dia, sete dias da semana, é enganado com projetos mirabolantes e será quem ficará com o ônus, endividado com a empresa, uma nova forma de escravidão! Que não venham para a nossa região!
jose barbosa campelo neto
JOSE BARBOSA CAMPELO NETO

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2008

Quando a Parmalat chegou em meu municipio dando vacas para que nós produzíssemos leite com garantia de que ela garanteria um investimento e maior valor agregado no litro de leite, o que vimos foram nossos produtores deixados na mão, endividados e sem nenhuma pespectiva; só hoje nós estamos nos recuperando daquele pesadelo. Estamos ouvindo rumores de uma unidade sua para produção de leite em pó na nossa região; peço que fique por ai mesmo. Muito obrigado.
nestor marques
NESTOR MARQUES

OUTRO - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/06/2008

Acredito que este projeto vem tentar revolucionar a produção de leite no Brasil. É louvável a intenção desta empresa, porém é muito importante não fugir do foco geral, não esquecendo das diferentes realidades regionais deste País.

A idéia é "diferente" e o "diferente" sempre assusta. Mas que a responsabilidade de desenvolver esta atividade abençoada não fique somente nas mãos do governo, mas também das empresas que ganham dinheiro com ela.

Boa sorte e parabéns pela iniciativa.
Lucas Antonio do Amaral Spadano
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/05/2008

A iniciativa da Parmalat não é só dela. Outros grandes grupos captadores de leite têm procurado criar planos de incentivos aos pequenos produtores, que são maioria no País. Não sou advogado de defesa da empresa proponente, mas na Itália, a mesma se recuperou e obteve um dos maiores lucros da sua história. O negativismo brasileiro muitas vezes nos impede de tentar melhorar nossas vidas. Ora, a maioria dos pequenos produtores está escravizada aos pequenos laticínios, que pagam o que querem, não se preocupam com a qualidade do leite, só se interessam em descarte de leite para provar sua força, ainda lidam com latões, não se interessam pela melhoria de vida do produtor, não promovem incentivos e ainda se dizem bonzinhos e que só querem ajudar. Não quero polemizar, apenas externar minha opinião sobre o asunto.

A realidade do pequeno produtor só pode ser verificada e observada por quem mora na roça, no mato, como eu, que sofre junto com eles e tenta de todo jeito mudar a mentalidade de alguns, enraizada há anos, na teoria " meu bisavô, meu avô, meu pai faziam assim, também faço e dá prá viver". Infelizmente a média brasileira por produtor/dia é até mesmo vergonhosa. Não se pode partir para a crítica geral, em função de iniciativas que não deram certo ou foram montadas para causar prejuízo.

Com certeza, o sucesso deste projeto passa pelo sucesso do produtor de leite; nenhuma grande empresa pretenderia matar suas "galinhas dos ovos de ouro". Seria mais fácil para as empresas comprarem terras e mais terras e montarem fazendas gigantescas de leite, aí sim, adeus pequeno produtor.

Concluindo, parece-me à primeira vista que o grande investimento, não é do pequeno produtor, diferentemente de outros casos brasileiros, em que perderam os que investiram. E, se assim não for, garanto que o produtor de leite, vai continuar investindo em sua pequena propriedade com as verbas do governo e os projetos de má fé cairão por terra. Só o tempo dirá a verdade.

Bom assunto para um grande debate. Parabéns pela iniciativa Dr. Othniel Rodrigues Lopes, torço para dar certo.
Juliano Baiocchi Villa-Verde de Carvalho
JULIANO BAIOCCHI VILLA-VERDE DE CARVALHO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/05/2008

Também acredito que só com o acompanhamento atento das autoridades governamentais (Ministério Público, Ministério da Justiça, Ministério da Agriclutura) e organizações como CNA e Láctea Brasil, será possível garantir que os "contratos de integração" não se transformem em "contratos de escravidão". Todo o cuidado é pouco, pois os antecedentes da Parmalat não são dos melhores.
Valmique da Mata Sobreira
VALMIQUE DA MATA SOBREIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/05/2008

Perfeitas as colocações do Dr. Paulo Moreira.

Respeitar as características peculiares das diversas regiões brasileiras, bem como a cultura de seus respectivos habitantes, somando-se a isto a disponibilização de técnicos treinados e focados no objetivo proposto, farão do Brasil um país referência na produção de leite a custo baixo.
Paulo Moreira - Núcleo Regional Norte da Embrapa Gado e Leite
PAULO MOREIRA - NÚCLEO REGIONAL NORTE DA EMBRAPA GADO E LEITE

PORTO VELHO - RONDÔNIA - PESQUISA/ENSINO

EM 16/05/2008

Só é possível acreditar no sucesso deste projeto considerando as respostas do Sr. Othniel às que seriam perguntas 5, 8 e 9:

a) respeito ao modelo de exploração de leite prevalente no Brasil;
b) respeito às desigualdades culturais e edafoclimáticas regionais e
c) não considerar o projeto uma panacéia e que podemos ser respeitados mundialmente com produtividade média de 4.000 kg por vaca/ano.
Wellington Marcos de Paiva Silva
WELLINGTON MARCOS DE PAIVA SILVA

CARRANCAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2008

A iniciativa é louvável, mas só o tempo confirmará se a opção do produtor de se integrar lhe trouxe a melhor relação custo/benefício.
Marcos A. Macêdo
MARCOS A. MACÊDO

PIUMHI - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 14/05/2008

Parabéns, acredito nestes projetos, somado a nova perspectiva do mercado leiteiro mundial. Parabéns e sucesso, o sucesso deste projeto é também sucesso do produtor.
Carlos Otávio Mader Fernandes
CARLOS OTÁVIO MADER FERNANDES

CONCÓRDIA - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 14/05/2008

É lamentável que ainda no Brasil, professores e técnicos ainda acreditem que a solução para os problemas econômicos e produtivos dos produtores tenham soluções miraculosas e que a receita para sua solução esteja a cargo de quem detém o poder econômico. A solução para os problemas da atividade leiteira só serão resolvidos ou amenizados quando os elos da cadeia, principalmente quando os produtores entenderem e participarem de toda a cadeia produtiva, principalmente na produção e transformação, chegar o mais próximo possível do consumidor, em outras palavras buscar a produtividade com agregação de valor.

Os problemas dos produtores estão ligados a falta de conhecimento, a falta de assistência técnica efetiva, na melhoria de sua capacidade gerencial e não aquela patrocinada por empresas interessadas na venda ou compra de produtos, é neste sentido que suas organizações e suas entidades representativas devem brigar e se unir.

Atentamente
Carlos Otávio Mader Fernandes
THEONAS JOSÉ MARTINS GOMES
THEONAS JOSÉ MARTINS GOMES

RIO BONITO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2008

Gostaria de obter infomações sobre como proceder para fazer parte da Integralat.
Moro em Rio Bonito/RJ, sou médico veterinário e produtor de leite.
Aguardo contato,
Atenciosamente,
Theonas José Martins Gomes
Joabe Jobson de Oliveira Pimentel
JOABE JOBSON DE OLIVEIRA PIMENTEL

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 12/05/2008

Com certeza este projeto ocupará grande espaço na mídia daqui para frente. Quem acompanha o setor lácteo nas últimas décadas sabe das dificuldades pelas quais vem passando o produtor de leite. Muitos produtores foram à falência seguindo protocolos de produção que se mostraram ineficientes para a sua realidade. O projeto apresentado traz o grande diferencial em começar a pensar a produção de leite como uma atividade com características regionais. Mais interessante ainda é que de cara já se fala em vacas de 15 kg de leite, o que certamente está muito mais próximo da realidade do mercado brasileiro. Este a meu ver é um grande diferencial deste projeto pois durante décadas nos foi dito que deveríamos produzir com alta produtividade por vaca, que deveríamos trabalhar com vacas da raça Holandesa produzindo 20 ou 30 kg de leite por dia.

A maior captadora de leite no Brasil fomentou esta idéia por muitos anos, levando milhares de produtores à falência. Os vales do Jequitinhonha e Norte de Minas Gerais são alguns dos exemplos que certamente encontram eco em todo o território nacional. Vejo com bons olhos a iniciativa e torço para que se concretize. Com relação à preocupação com os ganhos do produtor, fico também temeroso. Será que o produtor terá um ganho adequado neste sistema. Porém, não podemos encarar qualquer iniciativa de mudança como uma solução para o problema cultural do produtor brasileiro de não saber defender seus interesses. Acredito que apenas a organização dos produtores poderá levá-los a ter sucesso no seu negócio, seja no sistema atual ou no sistema de integração. As entidades de representação como a CNA deve se envolver e acompanhar o desenrolar das negociações para que os seus representados, os produtores, não sejam prejudicados.
Élio João Antunes
ÉLIO JOÃO ANTUNES

CAMPO MOURÃO - PARANÁ

EM 12/05/2008

Realmente, para se poder avaliar melhor a viabilidade do sistema são necessárias maiores informações. Porém, como iniciativa é muito importante, afinal, nós brasileiros, somos pouco afeitos a nos associarmos. O brasileiro não tem uma cultura associativista, e isso fica mais difícil em relação aos produtores rurais, principalmente os pequenos.

Dessa forma, partindo a proposta de uma empresa do setor leiteiro, é mais fácil de se conseguir o intento de agrupar produtores em torno de um projeto, pois com o investimento que ela deverá fazer, certamente haverá um maior controle sobre as aplicações das técnicas propostas, o que encoraja o pequeno produtor, que necessita ultrapassar essa barreira de de produzir pouco e de maneira simplória. Espera-ser que o projeto seja melhor divulgado, com maiores informações que poderão suscitar maior interesse do setor produtivo.
luiz prata girao
LUIZ PRATA GIRAO

FORTALEZA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/05/2008

Tenho pena desse Brasil, isso me cheira ao novo boi gordo, uma nova avestruz goiana. Só espero que o dinheiro do projeto seja próprio, e que os bancos públicos estejam fora disso, pois para mim já bastou o calote Parmalat.

Anisio Ferreira Lima Neto
ANISIO FERREIRA LIMA NETO

TERESINA - PIAUÍ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/05/2008

Acredito nesta iniciativa, pois foca ações primordiais e distintas para os diversos sistemas de produção existentes no Brasil, pois está pensada colocando-se em questão as diversidades, a qualidade do produto, regularidade da oferta e uma negociação justa entre produtor e laticínio, contemplando a possibilidade de se trabalhara com outras variáveis produtivas dentro do sistema de produção. Desejo muito sucesso na atividade e que coloquem o Nordeste em sua linha de trabalho, pois dispomos de condições favoráveis para produção de leite.
Paulo R. F. Mühlbach
PAULO R. F. MÜHLBACH

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/05/2008

Embora o projeto tenha sido apresentado apenas em linhas gerais, as metas propostas, no contexto da realidade nacional, no mínimo, dão muito o que pensar. Obviamente que, para se lançar num empreendimento de tamanho vulto, a iniciativa deve estar muito bem assessorada pois o projeto é muito ambicioso e surpreende para um prazo proposto de apenas 5 anos. Não deixa de ser até louvável a iniciativa de dar oportunidade aos pequenos produtores de leite e integrá-los numa parceria (se o número de produtores no país atinge mesmo a cifra de 1,3 milhão e a produção anual está por volta dos 25 bilhões de litros, então a média nacional por produtor é de tristes 53 litros/dia).

Entretanto, ao meu ver, a produção de leite é uma atividade muito mais complexa em comparação com as integrações de suínos e aves, feitas basicamente em galpões e seguindo "receitas", e as questões de variabilidade regional (clima, solo, infra-estrutura fundiária, capacitação de mão-de-obra, etc., e, fundamentalmente, a necessidade permanente de provisão de forrageiras) conferem características de grande heterogeneidade à atividade, tanto é que o projeto, segundo a entrevista, será tratado "como se fossemos vários países com técnicas distintas", e, certamente, serão muitos esses países.

Se no Brasil, onde a produtividade média/vaca sempre esteve, durante décadas, abaixo da média mundial (que se situa pouco acima de 2.000 litros), é difícil de se imaginar, partindo de pequenos produtores, que ainda terão que ser treinados, quando o projeto alcançará uma produtividade 4.000 kg por vaca/ano. Nesse caso, os fornecedores deverão mesmo ser convencidos em fazer contratos de prazo bem longo.
julio cesar valim
JULIO CESAR VALIM

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2008

Acredito ser uma iniciativa válida, agora tem que ser bem pensada, para não acabar escravizando o produtor, pois de maneira geral os laticínios sempre são os maiores beneficiados nessa cadeia produtiva. Já vi vários produtores nesse sistema ficarem presos, escravizados ao laticínio com altas dividas, pois o preço do leite nesse pais é muito instável, nunca sabemos quanto receberemos no final do mês, a divida aumenta o ganho diminui, o preço cai, produção cai, altos custos para integrar essa tecnologia, e quem nunca perde é o laticínio.
Aexandre Magno Araújo
AEXANDRE MAGNO ARAÚJO

UNAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/05/2008

Acho que o ponto mais crucial do projeto é o investimento em assistência técnica de qualidade e constante para os produtores que irão integrar o sistema já que a no campo vemos que não é tao fácil de implantar as tecnologias já existentes hoje.
Qual a sua dúvida hoje?