Nos últimos 12 meses, a oferta de leite avançou de forma expressiva. Depois de uma forte expansão no segundo semestre de 2025, as entregas cresceram mais de 4% entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Alemanha, Holanda, França, Bélgica e Polônia lideraram esse movimento, mantendo um ritmo consistente de crescimento da captação.
O aumento da produção ocorreu apesar da redução contínua do número de vacas leiteiras. Segundo a Comissão Europeia, o avanço foi sustentado pelo ganho de produtividade dos animais, favorecido pelas boas condições climáticas em 2025, pela maior disponibilidade e qualidade das forragens e por margens econômicas mais favoráveis aos produtores.
Para 2026, a expectativa é de que a produtividade por vaca aumente mais 2,4%, desde que as condições das pastagens permaneçam favoráveis. Além disso, o maior teor de gordura e proteína do leite amplia a oferta de sólidos para a indústria de laticínios.
Apesar do cenário positivo para a produção, o ambiente econômico inspira cautela. Os preços pagos ao produtor recuaram desde o último trimestre de 2025, refletindo o aumento da oferta. Embora os valores mostrem sinais de estabilização, a Comissão alerta que a alta dos custos de produção — impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio — deve pressionar as margens das propriedades ao longo de 2026.
O encarecimento da energia, do transporte e das embalagens também eleva os custos da indústria, parte dos quais tende a ser repassada ao consumidor por meio de alimentos mais caros.
Maior oferta impulsiona a produção de derivados
Com mais leite disponível, a indústria europeia deve ampliar a fabricação de diversos derivados. A produção de queijos tem previsão de crescimento de 1,8% em 2026, praticamente repetindo o desempenho do ano anterior. No primeiro semestre, as indústrias operaram próximas da capacidade máxima. Mesmo com a maior produção, as exportações devem avançar apenas 0,5%, indicando que boa parte do volume adicional será absorvida pelo mercado interno.
A produção de soro de leite (whey protein) também deve crescer 1,4%, sustentada pela demanda internacional por proteínas lácteas. As exportações do produto devem avançar 1,7% no ano.
A manteiga também se beneficia da maior disponibilidade de matéria-prima. Após o aumento da produção em 2025, o volume continuará elevado em 2026. A União Europeia projeta ampliar as exportações em 5%, favorecida por preços mais competitivos no mercado internacional.
Ainda assim, a concorrência da Nova Zelândia e dos Estados Unidos permanece intensa, fazendo com que parte da produção adicional seja destinada ao mercado doméstico ou à recomposição de estoques. O consumo interno segue em alta, embora em ritmo menor do que no ano passado.
Já o leite em pó desnatado deve registrar um dos maiores crescimentos entre os derivados, com aumento estimado de 6,9% na produção em 2026. As exportações também devem crescer cerca de 5%, embora os conflitos no Oriente Médio tenham reduzido temporariamente os embarques para a região.
Leite em pó integral continua perdendo espaço
Na direção oposta, o leite em pó integral segue enfrentando dificuldades. Depois de uma queda de 8,6% na produção em 2025 e de uma retração de 15% nas exportações, a Comissão Europeia projeta novo recuo em 2026. A produção deve cair mais 3,1%, enquanto as exportações devem diminuir outros 5%, refletindo principalmente a demanda enfraquecida no Oriente Médio.
Também é esperada uma leve redução (0,6%) na produção de lácteos frescos, movimento atribuído principalmente ao consumo cada vez menor de leite fluido pelos europeus.
Mercado segue resiliente, apesar das incertezas
Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, a Comissão Europeia avalia que a demanda por produtos lácteos continua relativamente resiliente. Ainda assim, o setor permanecerá exposto aos efeitos da inflação dos alimentos, dos custos elevados de energia e das incertezas geopolíticas, fatores que podem limitar o crescimento do consumo e reduzir a competitividade em alguns mercados internacionais.
Apesar desses desafios, a maior disponibilidade de leite deve permitir que a indústria europeia amplie a produção de manteiga, queijo, soro de leite e leite em pó desnatado, reforçando a posição da União Europeia entre os principais fornecedores globais de lácteos em 2026.
As informações são da Comissão Europeia, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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