O flagelo da estiagem no sul

Publicado por: MilkPoint

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Rio Grande do Sul

A estiagem que assola o Estado do Rio Grande do Sul está dizimando lavouras, secando açudes e transformando a paisagem campeira gaúcha num cenário típico de sertão nordestino. Até ontem, 22 municípios das regiões Central, Norte e fronteiras Noroeste e Oeste já haviam dado o alerta decretando situação de emergência em seus territórios.

Desde o início desta semana, equipes da Defesa Civil estão percorrendo o Interior e recolhendo dados sobre a quebra nas lavouras e os problemas de abastecimento. Até a próxima quarta-feira, a Emater vai emitir laudo sobre as condições das áreas plantadas nos locais atingidos. Com base nessas informações, a Defesa Civil irá decidir sobre a homologação ou não da situação de emergência decretada pelos prefeitos.

Situação do produtor

As 62 vacas leiteiras do agricultor Almir Floss, no distrito de Alfredo Brenner, em Ibirubá, RS, estão fazendo uma dieta forçada. A escassez de chuvas não permitiu a reposição das pastagens da propriedade, e o agricultor está sendo obrigado a alimentar os animais com a silagem de aveia e milho que estava armazenada para o período de entressafra.

Com a estiagem, o nível de um dos açudes da propriedade baixou tanto que o agricultor precisou esvaziá-lo, pois a água estava imprópria para o consumo das vacas.

Santa Catarina

As pancadas de chuva que ocorreram em pontos isolados do Oeste Catarinense não resolvem o problema da estiagem, mas trazem esperança aos produtores.

Um deles é o agricultor Ivanir Reolon, da comunidade de Sede Trentin, em Chapecó, SC. Ontem à tarde, choveu por 20 minutos em sua propriedade. A água correu pelo pátio como há 40 dias não acontecia. O riacho que havia secado comecou a ter um filete de água. Há quase um mês, Reolon estava puxando água de balde para as 20 cabeças de gado e algumas galinhas que tem na propriedade.

A produção de leite de 50 litros/dia tinha caído pela metade. Os dois hectares de feijão onde pretendia colher 50 sacas tiveram perda total. A safra de milho teve queda de 50%. Com a chuva de ontem, Reolon espera pelo menos tirar 150 sacas de milho nos 3 hectares de lavoura. Se não chovesse ontem, ele acredita que não chegaria a 100 sacas.

O número de municípios em emergência saltou para 57 registrados na Defesa Civil do Estado até o final da tarde de ontem. A diferença é que agora o motivo não é somente a estiagem que está provocando estragos. Ontem Canelinha decretou emergência em virtude de um vendaval. Já Laguna teve problemas com a enxurrada. Os demais 55 municípios enfrentam a falta de água.

Fonte: Diário Catarinense (Darci Debona) e Zero Hora (por Claudio Medaglia Jr, Fabiana Sparremberger, Lisiana dos Santos, Luiz Roese, Marcos Giesteira, Marielise Ferreira, Mauro Maciel e Silvana de Castro), adaptado por Equipe MilkPoint
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