A maior companhia da Nova Zelândia, Fonterra Cooperative Group Ltd., está pagando aos produtores de leite menos do que deveria considerando a quantidade de capital investido, segundo informou a autoridade protetora da indústria em nome dos 13 mil produtores de leite que têm ações da cooperativa.
"A Fonterra não está agregando valor econômico", disse o Conselho de Acionistas da Fonterra. "O pagamento atual é menor do que deveria ser, considerando o capital investido", disse o conselho em seu relatório anual, divulgado na semana passada. O conselho disse que o balanço geral da Fonterra "é mais fraco do que o projetado", que o alto nível dos custos corporativos preocupa os acionistas e que estão "desapontados" com a eficiência com que o capital fixo e o capital de giro têm se deteriorado nos últimos anos.
O relatório contou com a participação do presidente do conselho, Tony O'Boyle, bem como do vice-presidente, Graeme Edwards, e do presidente do comitê de performance do conselho, Michael Spaans. Apesar do pagamento recorde aos acionistas na estação produtiva passada, a confiança dos produtores de leite na cooperativa caiu vertiginosamente nos últimos dois meses, após a cooperativa ter reportado perdas no valor de NZ$ 50 milhões (US$ 23,45 milhões), além dos problemas com a coleta do leite e com o pagamento revisado aos produtores, que caiu de NZ$ 4 (US$ 1,87) por quilo de sólidos do leite para NZ$ 3,70 (US$ 1,73)..
O'Boyle disse que a obtenção de informações precisas e no momento certo da companhia tem sido "carregada de frustração", mas notou que inicialmente a gerência da companhia simplesmente não utilizou os recursos necessários disponíveis quando a mega-cooperativa foi formada, em outubro de 2001. Segundo ele, o relatório do conselho destaca os problemas de performance os quais, no ponto de vista do conselho, necessitam de ações da Fonterra para obter todo seu potencial. "Muitos dos problemas citados prejudicaram a indústria de lácteos por um tempo".
O'Boyle disse que as economias de custos e outros benefícios da fusão estão a caminho de serem realizados e de exceder os ganhos de NZ$ 300 milhões (US$ 140,74 milhões) prometidos para depois de quatro anos. Os lucros do setor de produtos ao consumidor da Fonterra, New Zealand Milk, que comercializa produtos como manteiga e queijos, estão acima do previsto. "Mas a performance em várias áreas chave está desapontando".
O maior braço da Fonterra, a New Zealand Milk Products (NZMP), está com um rígido controle de custos em seus negócios, que envolvem a produção de leite em pó, concentrados e ingredientes lácteos, mas há uma diferença de 39 centavos (18,29 centavos de dólar) por quilo entre o atual preço do leite pago aos produtores e o preço das commodities, que um negócio eficiente seria capaz de pagar.
A produção e a classificação estão abaixo do orçamento. A rede de comunicação e a "intensidade do capital fixo" estão altos e vêm aumentando durante o ano.
O'Boyle não se referiu ao salário que está sendo pago ao chefe executivo da Fonterra, Craig Norgate, de NZ$ 2 milhões (US$ 938,3 mil), mas disse que os altos níveis dos custos corporativos estavam gerando preocupações.
O conselho concluiu que o balanço geral, com os ativos reavaliados quando a Fonterra foi inicialmente estabelecida, forneceu uma base razoável, sobre a qual a base futura será avaliada, mas foi menos conservadora do que as práticas anteriores da indústria.
O relatório anual da companhia mostrou que houve adição de quase NZ$ 1 bilhão (US$ 469,15 milhões) ao valor registrado em seus ativos com um aumento da cotação de seus ativos intangíveis para NZ$ 1587 milhões (US$ 744,54 milhões) - incluindo marcas de NZ$ 1514 milhões (US$ 710,20 milhões).
As contas das companhias que geraram a Fonterra, New Zealand Dairy Board, Kiwi Cooperative Dairies e New Zealand Dairy Group, mostraram um valor combinado de seus ativos intangíveis de apenas NZ$ 492 milhões (US$ 230,82 milhões) no ano fiscal que terminou em maio de 2001, mas com a criação da Fonterra, os diretores obtiveram quase NZ$ 1 bilhão (US$ 469,15 milhões) a mais no valor destes ativos.
O'Boyle disse que a New Zealand Milk excedeu claramente seus lucros e seus objetivos no quadro geral de suas intenções declaradas, mas grande parte disso foi um "crescimento orgânico" gerado pelo aumento na produção de leite. A New Zealand Milk está de fato alcançando uma menor margem de lucros e retornos em fundos de investimentos quando estes indicadores financeiros foram utilizados como benchmark na comparação com outras companhias feita pela Standard and Poors.
A Fonterra não pode desviar de suas claras obrigações de curto prazo de melhorar o rendimento e reduzir custos de despesas gerais e custos de capital de giro.
O'Boyle disse que as informações fornecidas pela Fonterra ao conselho de acionistas durante o ano foram "atrasadas, incompletas e sujeitas a mudanças". "Isso continua sendo uma fonte de frustração ao conselho que tem a obrigação de monitorar sua performance".
Em 27/08/02 - NZ$ 1 = US$ 0,46915
NZ$ 2,13151 = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Stuff.co.nz, adaptado por Equipe MilkPoint
Nova Zelândia: analistas dizem que Fonterra não está agregando valor econômico
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
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