Nova pesquisa australiana mostra eficácia de leite e produtos lácteos como fungicidas em videiras

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Uma nova pesquisa desenvolvida pela Universidade de Adelaide, na Austrália, mostrou que o leite e outros produtos lácteos podem ser tão efetivos quanto fungicidas convencionais no controle de mofo em videiras.

O pesquisador do Departamento de Ecologia Molecular e Aplicada da universidade, Peter Crisp, está pesquisando novos métodos de controle para o mofo em seu Ph.D., e já tem atraído o interesse da indústria de vinhos com suas descobertas iniciais. O mofo é uma doença que ataca folhas e frutos de videiras, e custa atualmente cerca de A$ 30 milhões (US$ 16,45 milhões) por ano para a indústria de vinhos da Austrália, principalmente nas medidas de controle.

"Várias pessoas já estão usando o leite em suas plantas domésticas, para tornar as folhas mais brilhantes, mas agora seus benefícios estão sendo formalmente reconhecidos. Na primeira parte de meu estudo, pesquisei 30 a 40 diferentes tratamentos, entre eles, 'poções mágicas' ou 'histórias antigas' que estão em circulação para tratamento do mofo. Como não nos surpreendeu, a maioria deles não forneceu um bom controle, mas o leite e o soro de leite, bem como produtos baseados em óleo canola, sobressaíram-se comparado com os tratamentos atuais para este fungo".

Os tratamentos de maior eficácia que Crisp estudou são, até agora, o leite e soro de leite. O leite é diluído em uma proporção de 1:10, e o soro de leite, de 1:3, e as soluções são pulverizadas nas folhas e uvas imaturas das videiras. As soluções apresentaram bons resultados na maioria dos cultivos de uva e não afetaram a qualidade das frutas nem o vinho terminado, apesar de ainda ter necessidade de ser avaliado experimentalmente. O sucesso do leite como um controle do mofo em videiras apóia pesquisas anteriores feitas em abobrinhas no Brasil.

"Ter certeza de que a qualidade não é reduzida é muito importante para a indústria de vinhos. Obviamente eles não querem colocar nada em suas uvas que possa reduzir a qualidade de seus vinhos e, subseqüentemente, reduzir o preço e a reputação dos vinhos que podem obter. O principal fungicida usado para controle do mofo é o enxofre, utilizado na maioria das videiras, convencionais e orgânicas, com as convencionais utilizando fungicidas sintéticos também. O enxofre tem sido usado por 150 anos e é bastante efetivo, mas ele poderá ter seu uso restrito no futuro para criadores orgânicos e estes terão que encontrar outra forma barata e eficiente de controle".

Pesquisa brasileira

Segundo uma reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Jaguariúna, na região de Campinas, revelou que o leite é eficaz no combate ao oídio, doença que ataca diversas culturas, causando a morte das plantas e prejuízos aos agricultores. De acordo com o estudo, basta uma solução contendo 5% de leite cru e 95% de água para controlar a doença.

O novo método já vem sendo testado, com sucesso, por diversos chacareiros que plantam hortaliças e legumes no chamado cinturão verde da Grande São Paulo.

"É uma alternativa eficaz e mais barata", diz o agrônomo Wagner Bettiol, coordenador da pesquisa. Segundo ele, os fungicidas químicos indicados para o combate ao oídio custam em torno de R$ 135 o litro, enquanto o leite cru sai por R$ 0,13 o litro. Bettiol testou várias dosagens e concluiu que, para uma solução de 100 litros, são necessários 95 litros de água e 5 litros de leite. Na mistura com fungicidas químicos usa-se, em média, meio copo (20 ml) de agrotóxico para cada 100 litros de água.

O oídio é causado por um fungo chamado Spaerotheca fuliginea, que aparece como um pó branco nas folhas de diversas culturas. Bettiol testou o leite em pés de pepino e de abobrinha. Aplicando a solução um vez por semana, por meio de pulverizações, constatou que o leite de vaca é tão eficaz quanto os produtos químicos disponíveis no mercado.

O próximo passo, segundo ele, será avaliar os efeitos do produto em outras variedades, já que o oídio também ocorre em culturas importantes, como feijão, aveia, soja e trigo. Outra etapa da pesquisa será identificar a substância do leite que funciona como princípio ativo no combate ao fungo. "O trabalho está apenas começando", afirma.

Em 10/09/02 - A$ 1 = US$ 0,54846
A$ 1,82329 = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: DirectAg e O Estado de São Paulo (por Clayton Levy), adaptado por Equipe MilkPoint
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Gert Marcos Lubeck
GERT MARCOS LUBECK

SANTA TEREZA DO OESTE - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 16/09/2002

Sou doutorando em Tecnologia de Alimentos pela Unicamp e estou realizando minha tese no desenvolvimento de um queijo promotor da saúde humana (probiótico) e também produtor orgânico de leite e frutíferas em uma pequena propriedade localizada no Sudoeste do Estado do Paraná.

Achei interessante o artigo do pesquisador australiano e gostaria de
obter seu endereço (eletrônico) para saber mais sobre a pesquisa. Estou
utilizando o leite já ha algum tempo no preparo de caldas fermentadas para aplicar nos pomares de uva, frutas de caroço, figo e quiwi com enorme sucesso na prevenção de doenças fúngicas.

<b>Resposta:</b>

Caro Gert,

Não temos contato com o autor da matéria ou com os pesquisadores. Porém, nos seguintes links você encontrará mais detalhes:

http://www.fass.org/fasstrack/news_item.asp?news_id=672

http://www.eurekalert.org

Também, a matéria do Estado de São Paulo pode ser acessada:

http://www.estado.estadao.com.br/edicao/pano/99/11/05/ger631.html

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