Nilza fecha contrato com Argélia e Arábia Saudita

Publicado por: MilkPoint

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Dois contratos recentes assinados pela Cooperativa Central Leite Nilza, de Ribeirão Preto, recolocam o leite e derivados na pauta de exportações brasileiras. Esta situação está sendo possível porque este ano a produção nacional de leite, estimada pelos técnicos da cooperativa em 22 bilhões de litros, deve gerar um bilhão de litros de excedente. Além da oferta, os negócios com o mercado externo são favorecidos pelo câmbio atual, que torna o produto brasileiro competitivo no mercado internacional.

O primeiro contrato foi fechado com a Argélia e a cooperativa tem 60 dias para embarcar 400 toneladas de leite em pó, cerca de 10% da produção. Os negócios foram acertados com preços de US$ 1,6 mil por tonelada. O presidente da cooperativa, Alexandre Maia Lemos, lamenta a impossibilidade de participar de outra concorrência no mesmo país para fornecer mais cinco mil toneladas do produto. "Não temos condições operacionais de cumprir com os prazos de entrega." O segundo contrato, negociado com Arábia Saudita, é para o embarque de um contêiner de 16 toneladas de manteiga, com preço de US$ 1,2 mil por tonelada. Outros 12 países estão em negociação com a cooperativa, entre eles o México, Chile e importadores mais rígidos, como países europeus. As exportações tornaram-se possíveis porque, segundo Lemos, o país ficou auto-suficiente com a lei anti-dumping que regulou os preços internos pagos aos fornecedores, o que levou o setor a experimentar um crescimento de produção, que só no último ano foi de 20%.

O início das exportações leva a cooperativa a rever os planos para 2001. A construção de uma unidade produtora de leite em pó para atender à nova demanda será discutida este mês pelo Conselho de Administração. Segundo o presidente da Cooperativa Central Leite Nilza haverá investimento em uma nova fábrica "Mas a produção vai variar de acordo com a demanda externa."

As exportações deverão proporcionar uma melhor remuneração para o fornecedor. A cooperativa possui mais de dois mil associados que recebem, em média, de R$ 0,20 a R$ 0,35 por litro de leite. Segundo Lemos, o preço do litro do leite no mercado externo varia de R$ 0,50 a R$ 0,70 e as exportações vão permitir elevar a remuneração para o fornecedor interno para algo em torno de R$ 0,40. "É o mínimo, porque o fornecedor trabalha no limite do custo de produção, que é de R$ 0,33 por litro." Para Lemos, a entrada no mercado externo é um marco, pois 20% do leite produzido no País saem das cooperativas. Este ano, a cooperativa vai produzir 15 milhões de litros/mês com faturamento anual previsto de R$ 150 milhões.

A cooperativa é uma joint-venture criada há dois meses pela Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonai), de Ribeirão Preto, e pelas mineiras Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro Ltda (Casmil), de Passos, e Coopercarmo, de Carmo do Rio Claro.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Ferraz Jr), adaptado por Equipe MilkPoint
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