Nestlé faz planos para a Garoto e vai ao Cade

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Companhia diz como vai usar a fábrica adquirida para reforçar exportações e apresenta esta semana números ao órgão de defesa econômica

Há menos de um ano como presidente da Nestlé Brasil, o brasileiro Ivan Zurita já mostrou seu ritmo agressivo de trabalhar, o mesmo que fez a Nestlé mexicana, sob seu comando durante quatro anos, dobrar de tamanho. De volta ao País, o executivo começou bem: ajudou a elevar em mais de 30% a receita da subsidiária brasileira no ano passado, para US$ 4,8 bilhões, e levou a nacional Garoto, no início do mês, uma das maiores empresas de chocolate da América do Sul.

A compra da Garoto foi "disputadíssima", diz Zurita, principal mentor do negócio. A briga pelo controle da empresa capixaba, segundo fontes de mercado, teve a participação de companhias de peso, como a Kraft Foods, Parmalat, Ferrero Rocher, Cadbury Schwepps e Arcor.

O presidente da Nestlé não revela o valor da aquisição (estima-se que a batida de martelo não saiu por menos de R$ 500 milhões), mas diz que, com a Garoto, a companhia assume a liderança absoluta no mercado brasileiro de chocolates, até então dividida com a Kraft (Lacta). O segmento de chocolate representa mais de 10% dos negócios totais da Nestlé ou quase R$ 600 milhões.

A participação da Nestlé no mercado brasileiro de chocolates (incluindo produtos artesanais e ovos de Páscoa) agora sobe, automaticamente, para 37%, o que seria a soma dos 22% obtidos pela multinacional suíça em 2001, mais a fatia alcançada pelo Garoto, de 15%. Líder do setor no ano passado, com 26%, a Lacta caiu para a segunda colocação.

Os dados de mercado mencionados pela Nestlé serão apresentados ainda esta semana ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para Zurita, a hipótese de o Conselho suspender o negócio alegando monopólio no mercado de chocolates está completamente descartada. "Tudo foi feito com muito cuidado, inclusive com uma análise profunda sobre o mercado por nossos escritórios no exterior", diz.

Os números de mercado apresentados pela Nestlé, entretanto, são diferentes dos citados pela empresa pouco antes da confirmação da compra, e também diferem dos valores mencionados pelo Instituto A/C Nielsen. "No relatório que será encaminhado ao Cade vamos mostrar também outros dados e situações de mercado", diz o gerente de marketing da companhia, Felipe Buckup. O diretor jurídico da Nestlé, Humberto Maccabelli, afirma que, se forem incluídos nas estatísticas que medem o mercado de chocolates outros doces vendidos no mesmo ponto de venda, como balas e confeitos, a companhia terá, junto com a Garoto, 22% do setor, oito pontos percentuais a mais que a Lacta, que fechou 2001 com 14% de participação. Esses foram os dados apresentados primeiramente pela empresa.

Já pelos dados do A/C Nielsen, que incluem apenas as grandes fabricantes de chocolates, a Nestlé passa a controlar 53,8% do mercado, bem acima da Lacta, com 35,3%. "Os números do A/C Nielsen não refletem o mercado de chocolates, porque não há dados das indústrias artesanais, além de não incluírem os ovos de Páscoa", afirma o gerente de marketing da Nestlé.

A verdade é que, com a aquisição da Garoto, a Nestlé assume a liderança absoluta no mercado nacional de chocolates, independentemente de qual estatística usar. A subsidiária brasileira também fortalece as exportações, já que a Garoto detinha 60% dos embarques totais de chocolates, com 10,5 mil toneladas de produtos vendidos ao exterior em 2001 e receita em torno de US$ 40 milhões. "Vamos aproveitar a marca Garoto e sua boa rede de distribuição no exterior", ressalta Zurita. A empresa do Espírito Santo, com fábrica em Vila Velha, exporta seus produtos para mais de 40 países, sobretudo para o Mercosul e América do Norte. Os embarques de chocolates da Nestlé, de apenas US$ 10 milhões, são quase insignificantes para o tamanho da empresa. "Exportamos pouco, somente aos EUA".

O presidente da Nestlé prevê faturamento este ano em torno de R$ 5,5 bilhões, um aumento de quase 15% sobre 2001. O crescimento será mais discreto que o registrado no ano passado, de 33% ou R$ 1,2 bilhão em relação à receita de 2000, de R$ 3,6 bilhões. "O aumento de receita virá da incorporação de R$ 450 milhões obtidos pela Garoto, além do acréscimo natural de vendas nos setores em que a empresa atua".

Zurita diz que não pretende fechar nenhuma unidade industrial, nem mesmo as das Garoto. "Ao contrário, vamos manter nossos investimentos anuais de US$ 150 milhões nas 25 fábricas do Brasil, com a aplicação em novos equipamentos e tecnologia". O executivo revela que o complexo industrial da Garoto, além de servir de base para a exportação, fará com que a Nestlé avance no mercado local e no norte do País.

Zurita, um apaixonado pela pecuária

O atual presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, é dono de um dos projetos mais inovadores de melhoramento genético de gado simental. Herdou de seu pai a paixão pela pecuária e diz tocar o negócio em sua fazenda centenária em Araras, interior de São Paulo, com o mesmo profissionalismo que assume quando está no comando da subsidiária brasileira. "É um hobby, porém, administro o negócio da mesma maneira que dirijo a Nestlé, com uma visão empresarial, certo de que os investimentos, que não são poucos, terão retorno", diz Zurita.

O executivo, que começou como estagiário na Nestlé Brasil, em 1973, chega a passar 15 horas por dia no comando da empresa, mas não deixa de achar tempo para controlar os negócios com gado. No momento, ele está ansioso para saber o resultado do primeiro leilão que envolverá a venda de alguns de seus melhores animais, marcado para ocorrer amanhã, na casa de eventos Dolce, em São Paulo. "Colocarei à venda os melhores animais da raça, resultado de um trabalho genético inovador", afirma.

O leilão, chamado de "1 Top Class de Prenhezes Simental", ofertará 41 lotes de "prenhezes", de propriedade da Agropecuária Zurita e de outros grandes criadores. "A expectativa é de movimentar, com a venda de todos os lotes, até R$ 500 mil", prevê Zurita.

O presidente da Nestlé inovou ao trazer para o Brasil, há três anos, touros e matrizes da raça simental de origem africana. "São animais de linhagem sul-africana, todos campeões, importados para o Brasil", diz Zurita, que pelo menos duas vez por mês troca a vida corrida em São Paulo pela tranqüilidade de sua fazenda em Araras. Os animais da raça simental com linhagens suíças predominam nas pistas do Brasil, seguidas pelos animais de origem alemã, suíça e canadense.

Com um rebanho de 200 animais de elite, Zurita diz que os touros e fêmeas da África do Sul chegam ao País para agregar valor ao simental presente no Brasil. "A linhagem sul-africana é a melhor de todas", diz. O simental, raça de dupla aptidão, carne e leite, é ideal para o cruzamento industrial com zebuínos, principal raça no País.

Os animais que levam o sangue simental têm como principais características a facilidade de ganho de peso, a precocidade e a adaptabilidade. Criadores como Zurita, que investem no melhoramento genético, estão de olho na venda de sêmen e embriões para outros pecuaristas.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Denis Cardoso), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?