A Nestlé, maior empresa de alimentos do mundo, está fechando uma aliança com a neozelandesa Fonterra, maior exportadora global de lácteos. Fonterra é o nome com o qual foi batizada a GlobalCo. - companhia de US$ 5 bilhões, resultante da fusão das duas maiores cooperativas de lácteos da Nova Zelândia, Kiwi Cooperatives e New Zealand Dairy Group (NZDG), juntamente com a New Zealand Dairy Board (NZDB), que detinha o monopólio de exportações de lácteos do país. O objetivo das gigantes do setor é estabelecer joint-ventures nas três Américas. O acordo, que ainda depende de aprovação, inclui produtos lácteos de prateleira (sem refrigeração) e refrigerados, devendo ficar de fora da aliança negócios com queijos, manteiga, leite em pó e leite condensado, segundo comunicado das empresas.
No último mês, a Fonterra estabeleceu um contrato para exportação do leite em pó produzido por cooperativas nos Estados Unidos e comprou dois dos maiores laticínios mexicanos. Porém, segundo Craig Norgate, chefe executivo da Fonterra, a aliança com a Nestlé é o maior acordo comercial da história da Nova Zelândia, embora não tenha revelado valores.
As empresas esperam compartilhar sistemas de compras, manufatura e distribuição nas Américas, além de fortalecer as vendas. A Fonterra está presente no Brasil com a NZMP - sua divisão de ingredientes lácteos. No ano passado, a companhia chegou a fechar a compra da Vigor, mas desistiu após a análise detalhada da empresa.
A Nova Zelândia produz quase 700 mil toneladas de leite em pó por ano e consome pequena parte disso. Com a chegada da empresa no Brasil, os produtores nacionais ficaram com receio de que boa parte deste execedente neozelandês fosse exportado para o País - possibilidade descartada temporariamente pelos altos preços do leite no mercado internacional, a desvalorização do real e a taxa antidumping aplicada pelo Brasil. No último dia 10, o ministro da Agricultura da Nova Zelândia, Jim Sutton, foi pessoalmente à Brasília pedir o fim da sobretaxa de 3,9%.
A Nestlé divulgou na Suíça um comunicado ressaltando que o objetivo desta aliança é desenvolver a captação e melhorar a qualidade do leite fresco nos países da América Latina. Segundo Matthew Hutten, relações públicas da Fonterra na Nova Zelândia, as negociações para a aliança começaram há mais de um ano e a primeira joint venture deverá ser estabelecida no início de 2002. Paulo Belotti, diretor da área de consultoria do Rabobank, acredita que a parceria deva se estabelecer com força no Brasil, já que as empresas têm produtos complementares e vão atuar juntas na região que deverá apresentar o maior crescimento de consumo de lácteos nos próximos anos, a América Latina.
Fonte: Valor Online (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint
Nestlé e New Zealand: aliança visando às Américas
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