Nestlé cresce na América Latina; Brasil é destaque
Publicado por: MilkPoint
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O vice-presidente de Nestlé para as Américas, Carlos Represas, não escondeu o entusiasmo ao destacar o resultado da campanha de marketing que o grupo fez no programa de televisão apresentado por Sílvio Santos no SBT. "Recebemos o recorde mundial de 78 milhões de cartas de consumidores brasileiros que responderam a campanha no Show do Milhão". Em cada envelope havia oito rótulos, somando mais de meio bilhão de comprovantes de compras de produtos da empresa.
"Temos que levar essas cifras para o livro de recorde Guiness". A Nestlé brasileira investiu R$ 360 milhões em marketing em 2002, dos quais R$ 80 milhões foram destinados a essa campanha, segundo fontes em São Paulo. Em Vevey, Represas disse que o líder mundial do setor agroalimentar está aumentando globalmente os gastos em publicidade "e isso ocorrerá também no Brasil".
Com base no sucesso do ano passado, a nova campanha "Nestlé e você: Junta Brasil" tem como garotos-propaganda os apresentadores Gugu (SBT) e Faustão (Rede Globo) e terá iniciativas a favor do programa Fome Zero. Como as 78 milhões de cartas pesaram um milhão de quilos, esse será o peso dos produtos da companhia doados ao Fome Zero.
Para este ano, a expectativa é da Nestlé do Brasil ampliar seu desempenho de vendas por uma série de razões. Uma delas é o efeito de deslocamento de produção para o País. Um exemplo é o chocolate Crunch, um dos mais vendidos nos Estados Unidos: a fábrica nos EUA será fechada e toda a produção será feita nas fábricas da Garoto, comprada no ano passado. "Serão milhares de toneladas de chocolate e milhões de dólares", disse Represas. Além disso, a companhia vai continuar aumentando as exportações do próprio chocolate Garoto para toda a América Latina.
Outra produção que se desloca para o Brasil é a de leite infantil. Sobrarão apenas três das 13 fábricas espalhadas pelas Américas. A produção para a América do Sul será concentrada em Ibiá (MG). O grupo planeja igualmente desenvolver o negócio de refrigerados e leites líquidos no Brasil com o início das operações da joint venture com a Fonterra, da Nova Zelândia.
A expectativa é de que o aumento das vendas em 2003 seja acompanhado por uma estabilização cambial. Em 2002 o real desvalorizou-se 24,9% em relação ao franco suíço, a moeda com a qual a Nestlé consolida seu balanço.
No ano passado, os Estados Unidos, Canadá e o Brasil melhoraram fortemente suas vendas, que caíram no Japão, México, Argentina. Pela primeira vez, a zona Américas foi a campeã de vendas com US$ 21,5 bilhões (60% nos EUA e Canadá). A margem de rentabilidade nas Américas chegou a 14,3%, mais que os 12,3% do grupo inteiro. No entanto, as vendas recordes da zona Américas não tiveram efeito significativo sobre o montante consolidado de vendas em franco suíço. O dólar desvalorizou 8%, o peso mexicano 10,7% e o iene 10,4%. Para se ter uma idéia do impacto cambial, 70% das vendas de novas empresas compradas nas Américas foram perdidas pelo efeito da desvalorização, segundo o vice-presidente.
Lucro global
A Nestlé mundial registrou em 2002 um lucro de 7,56 bilhões de francos suíços (US$ 5,77 bilhões), um aumento de 13,2% em relação ao ano de 2001. As vendas líquidas mundiais somaram US$ 68,1 bilhões, um crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Assis Moreira e Patricia Nakamura, adaptado por Equipe MilkPoint
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