A Nestlé está aproveitando que suas concorrentes multinacionais frearam investimentos no Brasil para ganhar, em muitos casos recuperar, participação de mercado. Por trás da aposta da gigante suíça em um país que, por conta do câmbio, impacta negativamente seu balanço global está o dedo do mexicano Carlos Represas. Vice-presidente mundial, o executivo morou no Brasil na década de 70, conhece as peculiaridades da região e é um defensor do seu potencial de crescimento.
"Enquanto os outros estão pensando o que vão fazer, melhoramos nosso market share em todos os segmentos", afirma Represas. Depois da compra da Chocolates Garoto em março, diz ele, a Nestlé continua estudando oportunidades de aquisições no Brasil e também na Ásia e Europa Oriental.
As maiores oportunidades para a Nestlé no Brasil, destaca o executivo, estão em água, cereais matinais e pet food, além de chocolates. Ao lado de Represas, o presidente brasileiro Ivan Zurita decreta, também sorridente: "Somos líderes ou futuros líderes em todas as categorias em que atuamos".
Na contramão do estagnado setor de alimentos no Brasil, a Nestlé tem motivos para orgulho e sorrisos. Em dólar, o crescimento este ano da subsidiária foi de 3,4% até outubro, enquanto globalmente chegou a 6% no mesmo período.
Nos últimos dias, Zurita está debruçado sobre o orçamento de 2003. Durante a Cúpula de Negócios da América Latina, promovida pelo Fórum Econômico Mundial no Rio e presidida por Represas, os executivos da Nestlé aproveitaram os contatos para tentar traçar um quadro macroeconômico que norteará os investimentos no próximo ano. "Temos ouvido previsões de crescimento de 2,5% a 3,5%, com inflação de 10%", contou o brasileiro.
Quando enfim houver o aumento do poder aquisitivo da população, a Nestlé espera estar em posição privilegiada sobre os concorrentes. Além de rivais globais como Kraft Foods, Danone , Parmalat e Unilever, a multinacional digladia-se no Brasil com fabricantes regionais que ganham força quando há migração de consumo para marcas mais baratas.
Maior fabricante de alimentos do mundo, a Nestlé faturou R$ 5,9 bilhões no ano passado e deve chegar a R$ 6,5 bilhões este ano, segundo Zurita. Com market share robusto, marca fortalecida por investimentos em marketing e produtos presentes em 95% dos lares brasileiros, a gigante tem tudo para se beneficiar de qualquer ponto percentual de crescimento do PIB. Além do mercado interno, a companhia aposta também nas exportações, e começa a transformar o Brasil em base de produção de linhas de produtos como Nescafé, leites e cereais infantis para a América do Sul.
Fonte: Valor On Line (por Marta Barcellos), adaptado por Equipe MilkPoint
Nestlé continua apostando no Brasil e investe no país
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