Município de Minas Gerais vive da produção de queijos

Publicado por: MilkPoint

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Manter a tradicional fabricação de queijos especiais, diante das crises sucessivas da economia brasileira, não tem sido fácil em São Vicente de Minas, ao Sul de Minas Gerais. A cidade ganhou fama, com sua história associada a esses produtos, desenvolvidos por um grupo de dinamarqueses no começo do século passado. Os mestres dessa arte ensinaram o ofício aos moradores e estes aos seus filhos, mas os desafios não são poucos para os fabricantes, tanto nos laticínios quanto nas linhas de produção montadas nas casas, onde o sabor tem clientes cativos.

A produção dos queijos é a principal atividade no município, garantindo 70% do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) arrecadado pela prefeitura. Em São Vicente de Minas é possível encontrar desde o frescal (uma das variedades do tradicional queijo de Minas) até os sofisticados europeus dos tipos brie, gorgonzola, camembert e cheddar.

Os queijos contribuem com cerca de R$ 50 mil em ICMS, por mês, e são responsáveis por 150 empregos diretos na área urbana e na zona rural da cidade. O impacto da atividade é bem maior, segundo o prefeito José Roberto de Almeida, quando considerados os postos de trabalho na produção de leite, nos setores complementares à indústria, na movimentação no comércio e na fabricação caseira, embora ele não saiba medir todo esse efeito. "Graças ao queijo, a prefeitura mantém a cidade e pode investir mais do que o orçamento mínimo, previsto pela Constituição, na saúde e na educação", afirma.

Não fosse a importância da cadeia de produção dos queijos, a cidade teria de sobreviver à custa do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), de R$ 140 mil mensais, uma receita que pode ser alterada a cada eleição. São Vicente já viveu períodos intensos na fabricação até 1988, quando a multinacional francesa Bongrain adquiriu o tradicional Laticínios Campo Lindo, empresa familiar criada em 1953, e, pelo menos, 16 fábricas na região, que atuavam também em Minduri e Carrancas. As pequenas fábricas fecharam as portas. Além do grupo francês e dos Laticínios São Vicente, outro fabricante de porte é a Kigilas, que fica a 28 quilômetros do Centro de São Vicente de Minas.

Ex-sócio e dirigente da marca Campo Lindo, adquirida e preservada pelo grupo francês, Javer Gribel se tornou um concorrente de peso da multinacional, ao criar e administrar com os filhos Paulo e Juliana Bartholdy as linhas de produção dos Laticínios São Vicente. A empresa aberta em 1994 por Gribel começou a trabalhar na produção dos queijos brie e camembert com cinco pessoas, incluindo os familiares, e um faturamento que chegou a R$ 30 mil no primeiro ano de funcionamento. Hoje, a receita alcança R$ 300 mil mensais, com a produção de sete tipos diferentes de queijos finos e empregando 46 pessoas.

Conforme estima o técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), Luiz Paulo de Carvalho, 80% dos cerca de 360 fazendeiros da cidade trabalham com a produção de leite mas, como em todo o País, convivem com a baixa remuneração e as dificuldades de acesso ao crédito agrícola. "Se houvesse incentivo, a produção poderia crescer", atesta.

Crescimento

Após o choque causado pela absorção das pequenas fábricas de queijos, a Polenghi, subsidiária do grupo francês Bongrain, tem planos para aumentar a produção e o número de empregos, à medida que suas projeções para o mercado consumidor se realizarem. Até o final deste ano, a fabricação do queijo frescal da marca Frescatino deverá crescer 50%, com ações que estão tornando a empresa mais eficiente, conta o gerente de produção Luiz Carlos de Souza.

As perspectivas são também de crescimento nos Laticínios São Vicente, onde está sendo preparada uma área para a expansão da produção do queijo gorgonzola. Gribel afirma que para uma expansão de 2% ao ano da economia, a produção pode crescer o triplo. As duas empresas comercializam seus produtos em praticamente todos os estados, de Norte a Sul do País.

Souza diz que o crescimento da economia e das exportações que a empresa iniciou para o Chile é que vão determinar os próximos investimentos. "Em toda a fábrica, a tendência é de expansão, com foco maior no Frescatino, que ocupa 90% da produção em São Vicente", afirma. A meta do grupo até 2005 é dobrar o volume dos queijos, um número que a companhia não divulga.

A linha do Frescatino, transferida de Aiuruoca, na região, para São Vicente em 2001, possui alto grau de automatização, o que não acontece na fabricação dos queijos especiais. O planejamento da Bongrain poderá elevar o número de empregos dos atuais 85 para 120 dentro de três anos.

Fonte: Estaminas/Superávit (por Marta Vieira), adaptado por Equipe MilkPoint
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