Ministério da Agricultura da Nova Zelândia prevê crescimento do setor de lácteos

Publicado por: MilkPoint

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O último relatório feito e recentemente divulgado pelo Ministério da Agricultura e Floresta (MAF) da Nova Zelândia, intitulado "Previsões da Situação da Agricultura e Floresta da Nova Zelândia", datado de dezembro de 2002, informa que a produção e o processamento de sólidos do leite no país teve um aumento de 6% no ano passado, que terminou em maio de 2002, principalmente devido ao aumento no número de vacas leiteiras. O relatório informa também que a tendência deverá continuar. No entanto, o crescimento anual deverá reduzir, principalmente como resultado dos pagamentos terem sido mais baixos do que os esperados.

O pagamento médio da indústria no ano que se encerrou em maio de 2002 foi de NZ$ 5,32 (US$ 2,73) por quilo de sólidos do leite, primariamente como resultado de uma taxa de câmbio US$/NZ$ mais favorável.

O autor do relatório, o analista político sênior Tony Wharton, disse que a previsão de médio prazo é de preços menores, mas com tendência de aumento nos pagamentos, à medida que os preços internacionais se recuperam. "Os pagamentos, entretanto, deverão ser estreitos devido à hipótese de uma valorização do dólar neozelandês".

O relatório analisou três períodos - estação produtiva de 2001/02, previsões no período até 2005/06 e um cenário de previsões de longo prazo.

Os pontos principais das previsões feitas na estação de 2001/02 incluem:

* O número de vacas leiteiras no início da estação foi estimado em 3,75 milhões - um aumento de 5% (192 mil vacas) com relação à estação anterior. Cerca de 43% deste aumento no número de vacas ocorreu na região de North Island (advindas de um pequeno número de propriedades rurais que se converteram em propriedades leiteiras), sendo o restante de 195 propriedades em South Island, que tinham se convertido em propriedade leiteira no ano anterior;

* Os preços no mercado spot para os principais produtos lácteos - leite em pó desnatado, leite em pó integral, manteiga, queijos e caseína - atingiram picos relativamente altos no início da estação. Até o final da estação, entretanto, os preços caíram cerca de 39% para o leite em pó desnatado, 36% para o leite em pó integral, 29% para manteiga e caseína e 25% para queijos;

* A estação de 2001/02 foi a primeira da indústria desregulamentada e das operações da gigante do setor, a Fonterra;

* A produção total de leite na estação, até 31 de maio de 2002 (incluindo o leite para o mercado doméstico de leite fluido e o leite utilizado nas propriedades rurais) foi estimada em 13,9 milhões de toneladas - volume recorde da indústria neozelandesa. A maioria deste aumento na produção resultou do aumento do número de vacas;

* Aproximadamente 1,54 milhão de toneladas de produtos lácteos foi exportado no ano, até maio de 2002 - cerca de 5% a mais do que no ano anterior;

* A média do preço pago pelas indústrias de lácteos nesta estação foi de NZ$ 5,32 por quilo de sólidos do leite - cerca de 6% a mais do que na estação anterior. Isso ocorreu devido principalmente à taxa de câmbio US$/NZ$ mais favorável;

Analisando o período de 2002/03 até 2005/06, o relatório informa que os fatores climáticos (uma primavera fria e úmida ocorrida neste ano) deverão provavelmente levar a uma redução de cerca de 1% na produção de sólidos do leite por vaca nesta primeira estação produtiva. Porém, Wharton disse que, como a previsão é de que haja um aumento no número de vacas leiteiras de cerca de 95 mil cabeças com relação à última estação, a produção total de sólidos do leite em 2002/03 deverá ser cerca de 2% maior do que a estação anterior.

Em médio prazo, a previsão é de que o número total de vacas leiteiras continue aumentando, para cerca de 3,99 milhões de cabeças em junho de 2005 - 6% a mais do que em junho de 2001. Wharton disse, no entanto, que a taxa de crescimento no número de vacas leiteiras deverá decrescer neste período - principalmente devido à expectativa de menor pagamento pelo leite do que aquele feito nas duas últimas estações.

"Apesar de anteriormente ter sido feita a previsão de que os altos custos de entrada da produção de leite para a Fonterra também seriam um fator importante na redução da expansão do rebanho e no crescimento da produção de leite, o relatório do MAF mostrou que este não é necessariamente o caso".

Outras tendências identificadas para o período de 2002/03 a 2005/06 incluem:

* A expectativa é que haja crescimento na produção de leite seguindo a mesma tendência geral no crescimento no número de vacas leiteiras;

* O volume total de produtos lácteos processados na estação produtiva de 2002/03 deverá ser aproximadamente 3% maior do que o da última estação;

* Em médio prazo, o aumento no volume de leite resultará em maiores volumes de produtos lácteos processados produzidos e exportados. Os volumes de exportação deverão aumentar para 1,92 milhão de toneladas na estação produtiva de 2005/06 (até maio de 2006);

* Os preços no mercado spot internacional estão projetados para continuar se recuperando em médio prazo. Isto é resultado das altas taxas de crescimento mundiais esperadas de 2003 pra frente e um esperado aumento na demanda por produtos lácteos na Ásia e nos países que não pertencem à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) à medida que o rendimento aumenta;

* O MAF está prevendo uma média de pagamento da indústria de NZ$ 3,69 (US$ 1,89) por quilo de sólidos do leite para a estação produtiva de 2002/03 - 31% mais baixo do que o pagamento de 2001/02. Porém, a partir de 2003/04, as previsões são de melhorias nos pagamentos à medida que os preços mundiais se recuperem, apesar de uma valorização do dólar neozelandês com relação ao dólar norte-americano, que deverá conter estes aumentos. A previsão é de um pagamento médio de NZ$ 5,00 (US$ 2,57) por quilo de sólidos do leite na estação de 2005/06.

Para as previsões de longo prazo, o MAF informou que um possível cenário é que a natureza dos mercados leiteiros, especialmente nas nações desenvolvidas, continuará se transformando, passando de um comércio guiado pela oferta de commodities lácteas tradicionais para um comércio guiado pela demanda por produtos de valor agregado, bem como por componentes lácteos.

Uma conclusão bem sucedida das negociações comerciais feitas na Ronda de Doha, com uma substancial redução nos subsídios à exportação trará algum alívio ao ambiente comercial internacional de produtos lácteos, atualmente caracterizado por tarifas muito altas em muitos mercados.

O relatório também prevê um cenário de longo prazo para o setor leiteiro da Nova Zelândia onde o manejo de rebanhos de vacas geneticamente selecionadas, com habilidade de produzir componentes particulares do leite poderá se tornar comum com o objetivo de atender às demandas de nichos de mercados particulares em todo o mundo, a baixos custos.

O relatório também prevê que sistemas robotizados de ordenha de vacas poderão se disseminar à medida que a indústria trabalha para conter custos e resolver os problemas de escassez de mão-de-obra especializada entrando no negócio.

Em 19/12/02 - 1 Dólar neozelandês = US$ 0,51470
1,94288 Dólar neozelandês = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: Fencepost.com Ltd., adaptado por Equipe MilkPoint
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