Minas lidera ranking no País na produção de queijo

Publicado por: MilkPoint

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Minas Gerais fecha o primeiro ano do século 21 confirmando sua vocação agropecuária, ao mesmo tempo que consolida o primeiro lugar no ranking da produção nacional de queijos. Só este ano, seus produtores colocaram no mercado cerca de 215 mil toneladas do produto, o equivalente a 50% do que foi produzido em todo o País. Informações do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg) revelam a existência de 1.253 estabelecimentos do ramo no Estado, sendo a maior parte de pequeno e médio portes. Juntos, eles empregam direta e indiretamente aproximadamente 350 mil pessoas. Em Uberlândia cerca de 270 famílias trabalham com produtos artesanais, como queijo, doces e utensílios domésticos.

Visando incrementar ainda mais o setor, em Uberlândia a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), há 10 anos, promove todo mês uma feira de alimentos da indústria caseira, aberta ao público, que reúne cerca de 25 famílias rurais de diferentes regiões da cidade. A feira faz parte do projeto denominado "Bem-Estar Social" desenvolvido pela empresa para acompanhar tecnicamente os produtores rurais, incentivando o aproveitamento de produtos encontrados em suas propriedades e, principalmente, direcioná-los ao mercado.

A economista doméstica da Emater, Aparecida de Lourdes Alves, afirma que 182 famílias fazem parte do projeto, na produção de indústria caseira. Todas são acompanhadas tecnicamente e ainda recebem cursos.

Entre elas, Aparecida destaca a existência de regiões bem definidas que dão ao queijo - seja ele qual for - um sabor peculiar bem característico. Resultado, segundo ela, de uma conjunção de fatores como clima, solo, temperatura, tipo de pastagem, genética do gado e origem da bactéria usada no preparo do coalho, entre outros determinantes.

Com a experiência de quem trabalha no varejo de queijo há 3 anos, Marli Dias Martins, proprietária da Fazenda do Moreno, região da Tenda dos Morenos em Uberlândia, confirma a aceitação popular do queijo caseiro produzido na região. Ela contabiliza a venda de 60 quilos de queijo por dia, vendidos a preço de R$ 3,50 a peça.

A princípio pode parecer pouco dinheiro. Porém, para a maioria das pessoas, a atividade representa a única fonte de renda da propriedade rural, como atesta a produtora Umbelina Mendes Naves Castro, moradora da região da Babilônia e integrante da feira de alimentos há sete anos. Produtora de queijo e outros derivados do leite, dona Umbelina fala que a atividade é rentável, principalmente depois da existência da feira.

A informação é confirmada por Nilza Helena de Souza, da comunidade de Douradinho, que encontrou na fabricação de produtos derivados do leite uma ocupação para sua vida diária. Segundo ela, há nove anos aprendeu a produzir queijo e doces e, a partir daí, começou a comercializar. "Trabalhamos para sobreviver e para isso conto com a ajuda de toda família, considerando que faça sol, faça chuva, o produto tem que estar pronto para chegar ao consumidor, pois já existem os clientes específicos que esperam nossa feira para comprar", esclareceu Nilza.

Mesmo ausente das estatísticas oficiais e de entidades de classe, a produção artesanal de queijo responde por outra grande fatia do setor de laticínios no Estado, desempenhando um importante papel social e cultural, que quase sempre supera os benefícios econômicos. Fato que, por sinal, chamou a atenção do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), que deu início ao registro, como patrimônio cultural do Estado, de seu processo de preparo e fabricação.

De acordo com dados preliminares da Emater-MG, o segmento é de grande importância e dá um indicativo do tamanho da atividade "informal", que se espalha por todos os cantos de Minas.

Fonte: Correio, Uberlândia/ MG, adaptado por Equipe MilkPoint
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