MG registra indícios de recuperação para o preço do litro de leite

Publicado por: MilkPoint

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Produtores de leite da região de Uberlândia estão comemorando a recuperação na cotação do produto, que até o momento já absorveu os 17% de perdas registradas em 2001 e ainda os 5% relativos à inflação do período. A alta de preço pago ao pecuarista atinge 22% desde o início do ano.

Depois de enfrentar mais de oito meses de quedas consecutivas na remuneração, pecuaristas voltam a contabilizar lucros com a atividade.

O aumento também já atingiu o consumidor. Desde o fim do mês passado o litro do alimento está cerca de 10% mais caro. O leite longa vida das principais marcas encontradas no mercado local está sendo vendido entre R$ 0,90 e R$ 1,10.

Hoje, a Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu) repassa entre R$ 0,36 e R$ 0,45 por litro ao produtor. O valor pago, segundo o presidente da Calu, Jerônimo Gomes Ferreira, já é superior à média registrada no ano passado, que foi de R$ 0,34. O preço médio por litro, na cooperativa, está em R$ 0,40, que é maior inclusive que o melhor resultado apurado em 2001, R$ 0,39.

A realidade atual do pecuarista, segundo Ferreira, é bem diferente do ano passado. "Vivemos um momento de tranqüilidade. O preço pago pela cooperativa garante ao produtor ganho real, mesmo que pequeno", analisa.

Na avaliação do representante dos pecuaristas, é provável que preços subam um pouco mais. Por conta da estiagem é comum que o volume de leite ofertado diminua, o que força uma alta nas cotações. Na Calu a captação caiu 15% e hoje é de 115 mil litros/dia, enquanto no período das chuvas é de aproximadamente 135 mil litros/dia. "Historicamente temos no pico da estiagem, entre agosto e setembro, uma nova alta nos preços. Mas no ano passado foi justamente em agosto que registramos a maior queda dos últimos anos", destaca.

A redução na cotação do produto em plena entressafra acabou mobilizando o setor e resultou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembléia Legislativa (AL), que indiciou redes de supermercados e indústrias de laticínios. As investigações prosseguem até hoje em Minas Gerais. No mês passado, o Ministério Público (MP) encaminhou ao Procon e à Promotoria de Defesa do Consumidor o pedido de abertura de processo administrativo, tendo como base o relatório final da CPI do Preço do Leite.

O procurador geral de Justiça do Estado, Nedens Ulisses Freire Vieira, advertiu que, se for o caso, poderá ser aberto até processo criminal. Serão apuradas todas as denúncias contidas nas 41 páginas do relatório final da CPI e em mais de 30 mil documentos reunidos desde o início dos trabalhos, em 29 de agosto de 2001. Os pontos que merecerão maior atenção dos promotores são os seguintes: indícios de formação de cartel pelas indústrias de laticínios; abuso de poder econômico pelos supermercados; monopólio na fabricação de embalagem longa vida pela Tetra Pak e a ocorrência de fraudes no processo industrial, como a adição de soro ao leite.

Fonte: Jornal Correio/Uberlândia, adaptado por Equipe MilkPoint
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