MG: preço do leite ao produtor pode cair R$ 0,03 este mês

Publicado por: MilkPoint

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Mais uma vez as empresas multinacionais ameaçam reduzir, a partir deste mês de setembro, o preço do litro de leite pago ao produtor rural. A notícia vem em pleno período de entressafra, época em que historicamente a produção cai e o preço sofre uma elevação. A notificação aos produtores está sendo feita por carta enviada pelas empresas no final do mês de agosto.

A redução ainda não foi confirmada, mas pode chegar a três centavos por litro de leite pago ao produtor. Os produtores ameaçam comercializar o produto com grandes empresas nacionais e pequenas cooperativas como forma de retaliação.

O assunto foi discutido ontem (03) no 3º Encontro sobre Pecuária Leiteira do Brasil Central, realizado durante o Agripecshow, no Camaru, em Uberlândia. A redução, que parece pouco significativa para o consumidor final, pode representar perdas elevadas para quem está na atividade. A Associação dos Produtores Profissionais de Leite do Triângulo Mineiro (Approleit), que reúne 38 associados, pode contabilizar uma perda aproximada de R$ 210 mil por mês, caso a redução se efetive. A Approleit processa 60 mil litros de leite por dia. Desse volume, 40% são vendidos para a Nestlé (Ituiutaba/MG) e outros 60% para a Italac (Corumbaíba/GO). O preço médio pago até agora pelas duas empresas à associação é de R$ 0,41.

O diretor da Approleit, Moacir Antônio da Costa, explica que a Nestlé aceitou reunir-se com os produtores para discutir o assunto. Ele afirma que essa é uma das alternativas que os produtores têm para evitar a manipulação de preços por parte das empresas multinacionais. De acordo com o diretor, o argumento dos produtores para negociar com as empresas será a abertura de mercado às cooperativas e empresas nacionais. "O produtor organizado tem a opção de vender para outras empresas nacionais e pequenas cooperativas", afirmou.

O presidente da Cooperativa Agropecuária de Uberlândia (Calu), Jerônimo Gomes Ferreira, afirmou que a decisão não afeta diretamente o preço que a cooperativa paga ao produtor, que hoje varia de R$ 0,41 a R$ 0,42. São processados por dia 110 mil litros de leite de 900 produtores rurais. "Definimos o nosso preço pelos resultados financeiros que a cooperativa apresenta", disse o presidente da Calu.

Hoje o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, juntamente com outros representantes da classe rural, vão se reunir com o ministro Pratini de Morais em Brasília, na tentativa de reverter essa pressão de baixa. A intenção é discutir um conjunto de ações que fortaleçam a pecuária leiteira, tais como o incentivo ao cooperativismo, combate à fraude no leite e criação de linhas de crédito para produção leiteira. "Com o aumento da produção, o preço cai em virtude da grande oferta, e quando a produção cai, o preço cai porque aí tem que se importar leite para formar o mix das empresas. Isso é manipulação do mercado", criticou Dessimoni.

Em 2001, Minas Gerais produziu seis bilhões de litros de leite, o que corresponde a 29,5% da produção nacional. De acordo com a Faemg, a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba é responsável por 25% da produção do Estado.

Rio Grande do Sul

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul estima uma redução de 10% na oferta de leite. Com isso as indústrias serão obrigadas a manter, no mês de setembro, o preço pago ao produtor nos mesmos patamares da entressafra, com um preço base de R$ 0,28 por litro, contra R$ 0,25 do ano passado.

Os produtores, já desmotivados pelos baixos preços praticados ao longo de 2001, também terão que enfrentar o aumento dos custos de produção. A alta dos preços do milho, da soja e dos demais insumos, cotados em dólar, provocou um acréscimo de cerca de 20% nos custos. Essas tendências registradas no Rio Grande do Sul repetem-se em outros estados brasileiros.

Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Cláudio Marcos) e Clic RBS/Agrol, adaptado por Equipe MilkPoint
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