A melhora no preço do leite pode estimular os pecuaristas do Triângulo Mineiro a investir em tratos culturais durante a entressafra, que começa em abril. Na avaliação do representante da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, a valorização de até R$ 0,05 por litro de leite, a partir deste mês, vai permitir ao pecuarista fazer os investimentos necessários durante a seca.
Dessimoni acredita que, se houver uma melhora na cotação do produto, a perda no volume de leite produzido, que normalmente ocorre na época seca, deve ser de, no máximo, 10% na região. Ele lembrou que investimentos em tecnologia, como os tanques de expansão, têm reduzido a cada ano a queda de produtividade.
Há alguns anos, no período de entressafra, a produção de leite na região chegava a cair 40%. Para que essa situação não volte a ocorrer, os pecuaristas, segundo Dessimoni, precisam manter uma remuneração mínima durante todo o ano. "A garantia de preços permite ao produtor um planejamento melhor de sua atividade e, por conseqüência, reduz essas oscilações".
Em Minas Gerais o pecuarista recebeu em março, pela produção entregue em fevereiro, R$ 0,45 por litro, 4,53% a mais que no mês anterior, segundo a Scot Consultoria. Na região os produtores devem receber R$ 0,05 a mais por litro a partir de abril. Na área da Associação das Cooperativas do Triângulo Minero e Alto Paranaíba (Acotrin), o ganho deve ser de aproximadamente 10% sobre a remuneração média por litro, que hoje oscila entre R$ 0,48 e R$ 0,52.
Para o presidente da Acotrin, Renato Nunes dos Santos, mesmo que não haja redução significativa da captação do leite, os produtores receberão a bonificação. O repasse, segundo ele, deve auxiliar os pecuaristas a recompor as perdas nos preços e, sobretudo, ajudar na cobertura dos gastos com a nutrição dos animais, que aumentam no período de estiagem. A captação de leite deve se manter próxima a 1,4 milhão de litros/dia nas 22 cooperativas que integram a associação.
Para os produtores que entregam leite para a Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu), a previsão é de alta de 10% na remuneração por litro a partir deste mês. O presidente da Calu, Jerônimo Gomes Ferreira, adiantou que esse aumento pode ser ainda maior caso haja uma redução acentuada na captação do leite.
Uma alta nos preços, na avaliação de Gomes, depende ainda do comportamento do mercado que, por enquanto, tem se mantido estável. Ele acredita que o mercado neste ano deve ser marcado pela estabilidade, tanto no volume produzido quanto nos preços. "Não teremos aumento da oferta. A tendência é de queda na produção, o que pode ser um indicativo de preços mais favoráveis aos produtores", concluiu.
Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Rafael Godoi), adaptado por Equipe MilkPoint
MG: melhora no preço do leite pode estimular investimentos
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