MG: imunização da aftosa começa com vacinas mais caras

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Pecuaristas mineiros de algumas regiões do Estado iniciaram o primeiro dia da campanha de imunização contra a febre aftosa em 2002 pagando pelo menos 25% a mais pela dose da vacina em comparação ao preço pago em novembro e dezembro. A alta ocorre simultaneamente ao aumento da saca do milho, principal insumo da ração do gado, decorrente da queda da produção nacional com a seca no Sul do País.

Entre os criadores a situação é mais difícil para pecuaristas do rebanho de leite, a exemplo da bacia leiteira da Zona da Mata. A Cooperativa Agropecuária de Volta Grande, com abrangência nos limites de Minas com o Rio de Janeiro, adquiriu 30 mil doses da vacina a R$ 0,71 cada, que serão revendidas aos cooperados. Em novembro e dezembro, a cooperativa havia comprado a dose por R$ 0,58.

Na bacia leiteira da Zona da Mata o criador tem recebido R$ 0,30 pelo litro do leite contra R$ 0,45 pago no Triângulo. Num contexto de redução dos valores recebidos, os criadores iniciam o ano com aumento de custos da ração e da imunização dos rebanhos. "Não entendemos porque a vacina está mais cara já que não há neste momento nenhum foco sendo combatido e a disponibilidade de doses está maior do que no ano passado", diz o presidente da Comissão Técnica de Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Sant'Anna Alvim.

A campanha de imunização contra a aftosa, classificada como barreira sanitária, começou sexta-feira no Circuito Leste, formado pelas regiões mineiras localizadas à margem direita do rio São Francisco. Do total de 20 milhões de bovinos em Minas, segundo maior rebanho no ranking nacional, 50% está localizado no Circuito Leste, formado pelo Norte, Zona da Mata, região Central, Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha. Nas demais regiões a imunização começa em maio.

No Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) as autoridades da Vigilância Sanitária já começam a analisar a retirada da vacinação para os próximos anos. "Ainda neste ano precisamos vacinar os rebanhos de forma maciça para que passemos os próximos dois anos sem problemas porque, queiramos ou não, vai chegar a hora de discutirmos a retirada das vacinas", observa o diretor-técnico do IMA, Altino Rodrigues Neto.

Segundo ele, o controle da febre aftosa sem a necessidade de vacinação é o último e mais avançado estágio de controle da doença e condição para que a carne produzida no Brasil possa ser vendida nos Estados Unidos e nos mercados asiáticos.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Luciana Otoni), adaptado por Equipe BeefPoint
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