Até abril deste ano, os primeiros dez contêineres de leite longa vida, achocolatados e sucos da Cooperativa Central de Minas Ltda (Cemil) estarão deixando o Brasil rumo à China. Com o envolvimento do Centro de Assessoria do curso de Comércio Exterior do Unicentro Newton Paiva e depois de estudos e simulações de negócios, a Cemil, com dois mil produtores, fechou negócios nas cidades de Hong Kong, Macau e Shenzhen. A carga experimental terá 240 mil litros de leite longa vida (integral e desnatado), com remuneração até 50% maior para os produtores, além de 18 milhões de unidades de achocolatados e sucos de frutas. Os produtos serão levados também para a Feira de Xangai, no dia 2 de abril.
"Essas remessas serão permanentes e crescentes, podendo atingir nossa capacidade máxima de produção, de sete milhões de litros por mês", prevê o presidente da Cemil, Newton de Paiva Ferreira Filho. A Cemil envolve cooperativas de Pains, Patos de Minas, Patrocínio, Dores do Indaiá, Montes Claros e Paracatu. Segundo Paiva, desde 1984 não se realiza uma feira de produtos brasileiros na China, que importa leite principalmente da Austrália, Nova Zelândia e Mongólia. "A crise do preço do leite, o qual caiu em junho, no início da entressafra, e a desvalorização do real nos levaram a realizar a simulação de negócios", justifica o presidente.
Os produtores da Cemil recebem hoje, segundo o presidente da cooperativa, entre R$ 0,30 e R$ 0,35 por litro de leite, contra os R$ 0,45 a R$ 0,50 no "negócio da China", já contabilizados os custos da exportação. "Esse pode ser o caminho não só para a crise do leite, mas para a crise do Brasil. O País sempre buscou o caminho monetário, mas as nações que se desenvolveram foram as mercantilistas. A China é mercantilista e tem um superávit de US$ 45 bilhões em sua balança", compara Paiva.
Segundo ele, órgãos do governo federal também estão apoiando a Feira de Xangai e a exportação inédita de leite fluido pelo Brasil. Dados da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg) apontam que, historicamente, o Brasil sempre importou entre 1,8 bilhão a 2 bilhões de litros de leite em pó por ano. "Mas, de dois anos para cá, passamos a suprir quase toda a demanda interna", ressalta o chefe da assessoria econômica da entidade, Márcio Carvalho.
Já as exportações são um "assunto novo", embora a Itambé, segundo ele, já tenha exportado leite em pó no ano passado. Para Carvalho, as exportações livram o produtor de ficar "cativo" do mercado interno, situação que pode provocar queda nos preços. "Abre um caminho diferente para um setor não acostumado com a exportação", resume.
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínio, Alberto Adhemar do Valle Júnior, também aponta a exportação como uma saída para a crise do leite. Segundo ele, como o Governo não distribui renda de forma a aumentar o consumo do produto no País, é preciso ampliar o mercado. "Estamos negociando com o Sebrae e elencando produtos lácteos para formar um consórcio de exportação em maior escala", completa.
Fonte: Hoje em Dia/MG (por Maria Célia Pinto), adaptado por Equipe MilkPoint
MG exporta primeiros lotes de leite fluido para China
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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