Com a cotação do dólar, que caiu 15%, de 19,48 para 16,54 pesos no ano passado, a importação de leite em pó ficou mais barata para as empresas, entre elas a estatal Liconsa, que está deixando de fora do mercado os negócios dos leiteiros locais.
Adalberto Velasco Antillón, presidente da União Pecuária Regional de Jalisco (UGRJ), explicou que, embora o preço pelo qual a Liconsa e outras empresas compram leite dos produtores sempre tenha sido uma questão delicada, no final do ano passado o mercado mudou.
Antes da queda do dólar, os laticínios buscavam comprar dos produtores nacionais, diante da alta dos preços do leite importado. Porém, no final de 2022 o leite em pó importado já estava mais barato por conta do câmbio, e as compras do leite nacional despencaram.
“Entre 7,50 e 8 pesos (US$ 0,44 e US$ 0,47) custa reidratar um litro de leite em pó do exterior, que é o que usam para certos produtos, mas é desnatado, não integral. Enquanto os produtores nacionais exigem maior qualidade, mais parâmetros e teor de gordura, que o leite desnatado não tem, e nos pagam de 9,5 a 10,60 pesos (US$ 0,56 a US$ 0,62) por litro”, explicou Velasco.
Devido a essa diferença de preços, a demanda por leite em pó importado tem crescido. Somente entre janeiro e abril deste ano, o México importou leite por 448,2 milhões de dólares, o maior valor para igual período desde o início do registro, em 1993, segundo dados do Banco do México (Banxico).
Devido à queda nas vendas de leite local, alguns produtores de Jalisco foram forçados a jogar fora o produto e vender suas vacas.
“Como produtores, eles querem nos pagar 8 pesos (US$ 0,47) o litro, mas não vale a pena porque a qualidade é maior do que a do leite desnatado. Além disso, custa aos produtores 9 pesos (US$ 0,53) para fazer um litro. (Para o consumidor) eles vendem pelo preço e (para os produtores) querem comprar mais barato", lamentou Velasco Antillón.
Ele destacou que as políticas públicas são necessárias para rotular e distinguir os produtos lácteos autênticos daqueles que não são.
“Produtores de Encarnación de Díaz, Lagos de Moreno, San Juan de los Lagos, por exemplo, descartaram leite. Já houve pecuaristas que já venderam vacas porque não cabe a eles mantê-las. São 15 mil famílias que dependem disso”, lamentou.
Além disso, Ana Lucía Camacho, secretária de Agricultura e Desenvolvimento Rural do governo do estado, afirmou que os produtores estão sendo apoiados com incentivos econômicos e "acomodando" com diferentes empresas o leite que não conseguiram vender.
Ela também disse que estão trabalhando para ajudar o produtor a receber um pagamento melhor, através de capacitação em escola leiteira, onde são feitas pesquisas para melhorar a qualidade do produto e o processo de venda.
Jalisco é o maior produtor de leite de vaca do país, com produção média de 5,6 milhões de litros por dia.
As informações são do Mural, traduzidas e adaptadas pela Equipe Milkpoint.