Metade do leite no País é informal
Publicado por: MilkPoint
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De acordo com o levantamento, realizado em 1999, 22,4% do total de leite fluido consumido no País era de origem informal. Hoje, este índice, pelas estimativas, chega a 20,4%. Nos estados em que haverá a ação publicitária, é de 32%. “A explicação para isso talvez seja o fato de serem estados agropecuários, onde o contato com o produtor seja mais direto”, afirma Luis Guilherme Oliveira, gerente-geral de marketing da categoria laticínios da Tetra Pak. A campanha visa a aumentar o consumo de leite longa vida, que, atualmente, responde por 40,9% do produto consumido no País. A Tetra Pak estima que 50% dos consumidores que abandonarem o leite cru vão migrar para o longa vida e os demais, para o pasteurizado e o em pó. Dos 1,5 mil entrevistados, 65,3% responderam que compram apenas leite cru e 34,7%, ambos os tipos. O preço é um dos principais motivos para esta preferência, apontada por 24% dos entrevistados. Em média, o litro do leite cru é comercializado a R$ 0,65; o longa vida, a R$ 0,98; e o pasteurizado, a R$ 0,85 (média nacional fornecida pela Tetra Pak). As classes C e D, com renda mensal de até R$ 1,2 mil, respondem por 89% do consumo de leite informal. Quase metade (45%) dos entrevistados têm, no máximo, a escolaridade fundamental.
A pesquisa concluiu que o consumidor é fiel a este tipo de produto, utilizando-se como argumentos a qualidade e o preço. Além de o valor pago ser o mais baixo, há facilidade de pagamento. Quanto à qualidade, vantagem considerada por 61%, uma das citações mais freqüentes é que é “mais forte, mais gordo, natural, saudável”. Por ter aparência saudável, 66,3% dos consumidores não apontaram desvantagem do produto. Os aspectos sanitários foram indicados por apenas 16% dos entrevistados, sendo que somente 5,8% atestaram que o leite cru pode transmitir doenças. Mesmo adquirindo-se um produto que é entregue sem embalagem apropriada, transportado em carroça, coletado em vasilhas ou garrafas “pets”.
O estudo foi realizado nos estado de Minas Gerais - maior bacia leiteira do País - e São Paulo.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/11/2001

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EM 14/11/2001
a) a legislação tributária e sanitária só é aplicada aos produtores, industriais e comerciantes que trabalham no setor formal da economia.
b) grande parcela de brasileiros por falta de conhecimento, por fraudes cometidas na cadeia lactéa ou preços mais baratos com maior qualidade, consomem leite e derivados sem controle sanitário.
O primeiro aspecto diz respeito a concorrência desleal, onde somente parte dos agentes da cadeia produtiva, devem ou podem pagar os impostos, como se a outra parcela não convivesse sob a mesma legislação vigente. A lei existe, mas como o Brasil é grande, esta não é aplicada a todos, perdurando o sentimento que quem paga imposto é "trouxa" e quem não paga é "esperto".
Nos parece que as autoridades que comandam o nosso país, nos três níveis governamentais, sabem e concordam com o pacto perverso que ocorre: o governo cobra o tributo alto porque apenas uma parcela pequena de brasileiros paga o tributo, e os brasileiros sonegam porque o tributo é alto. Isto é inaceitável numa sociedade democrática.
O segundo aspecto é com relação à saúde alimentar da população brasileira, visto que existindo uma grande quantidade de lácteos sendo comercializada de maneira informal, podemos vislumbrar que a qualidade destes produtos não é das melhores, expondo pessoas à transmissão de doenças (zoonoses) o que também é inaceitável nos dias de hoje.
Devemos nos unir contra estas injustiças tributária e sanitária, visto que, apesar de estarmos muitas vezes em lados opostos da cadeia (produtores, industriais, comerciantes e consumidores), somos todos brasileiros vivendo sob as mesmas leis, com os mesmos direitos e deveres.