Mercosul fará nova proposta à UE

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O Mercosul decidiu encaminhar para a União Européia uma proposta "substancial" de liberalização do comércio de bens industriais e agrícolas no próximo dia 28 de fevereiro. Conforme o chefe dos negociadores brasileiros, embaixador Clodoaldo Hugueney, a decisão será apresentada hoje ao comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, e deverá pôr fim à acusação da União Européia (UE) de que o Brasil e seus sócios são os responsáveis por emperrar as discussões do acordo de livre comércio entre os dois blocos.

Hugueney, entretanto, rebateu as declarações feitas por Lamy anteontem. Em São Paulo, o comissário defendeu que as negociações entre os blocos deveriam ser aceleradas e encerradas até 2004, com um ano de antecedência em relação ao prazo previsto para a conclusão da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Em uma crítica à resistência da UE em abrir o mercado agrícola e discutir os subsídios que concede ao setor, o embaixador advertiu que o acordo poderá ser fechado em 2004, mas somente se Lamy "colocar toda a agricultura sobre a mesa".

"Todos os sócios do Mercosul estão de acordo em encaminhar uma oferta substancial de abertura do comércio de bens", afirmou Hugueney, que é subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty. "A União Européia não terá mais como usar o argumento de que o Mercosul não coloca na mesa de negociação uma proposta consistente."

Nos últimos três dias, Hugueney participou de uma rodada com os negociadores dos demais sócios do Mercosul em Assunção, no Paraguai, na qual trataram das propostas de liberalização comercial que o bloco terá de encaminhar em fevereiro para a Alca e a União Européia. Conforme afirmou, o objetivo será ampliar a oferta inicial do Mercosul, encaminhada à UE em outubro de 2000, para que possa cobrir cerca de 85% do comércio.

Trata-se de uma exigência da Organização Mundial do Comércio (OMC) para validar os acordos de livre comércio, que vinha sendo usada nas críticas ao Mercosul, feitas pelos negociadores europeus, principalmente Lamy. Diante do fato de a União Européia ter apresentado uma oferta de liberalização que cumpria esse requisito, mas excluía produtos agrícolas de especial interesse do Brasil e seus sócios, o Mercosul enviou a Bruxelas uma proposta que cobria pouco mais de 33% do comércio entre os dois blocos.

Fonte: O Estado de São Paulo (por Denise Chrispim Marin), adaptado por Equipe MilkPoint
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