Estados Unidos e México
O mês de julho passou e o mercado de lácteos se vê com grandes expectativas, uma vez que a maioria dos países do Hemisfério Norte chegou ao final do período de férias. Os meses de agosto e setembro deverão trazer o tão esperado aumento na demanda mundial.
Os estoques dos Estados Unidos continuam se acumulando, tanto para manteiga como para leite em pó desnatado. Até o final do ano poderá ocorrer um aumento na produção de manteiga de 10% com relação a 2001, de 8% a 10% de leite em pó e de 3% a 4% de queijos. No final de julho, os estoques de leite em pó desnatado do governo norte-americano estavam em torno de 560 mil toneladas. Os estoques de manteiga estavam em cerca de 32 mil toneladas e os de queijos, em cerca de 65 mil toneladas.
O governo dos EUA começou, de forma lenta e tentando não criar caos no mercado, a dispor de parte de seus excedentes de produção sob a forma de doações. Na semana passada o governo do país anunciou que estariam disponíveis para os programas de doações para as diferentes regiões do mundo aproximadamente 28 mil toneladas, além do volume que já tinha sido anunciado pelo governo anteriormente. Os EUA têm vendido também parte dos estoques com datas de validade vencidas ou com problemas, para o mercado de consumo animal, com um preço médio de US$ 880 por tonelada.
Por enquanto o Programa de Subsídios à Exportação (DEIP) ainda não foi anunciado, o que está criando no país um certo grau de incerteza. Este programa é anunciado todos os anos durante a primeira semana de julho e se estabelece ao final de um ano. Ainda não se sabe a razão do atraso, levando-se em consideração o acúmulo de estoques e sabendo que esta seria uma forma de desovar de aproximadamente 68 mil toneladas de produtos.
Segundo versões extra-oficiais, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estaria organizando uma estratégia global baseada na nova situação que se relaciona à nova lei agrícola, aos estoques que existem atualmente, ao preço do leite ao produtor, e às eleições que ocorrerão em novembro.
Porém, existem versões que dizem que este atraso seria uma maneira de não gastar orçamento do país em subsídios do USDA. Esta versão está baseada no fato de que a maioria do volume de exportação deste programa está destinada ao México, que é o maior consumidor de leite em pó desnatado com subsídios sob o programa DEIP. O México, por sua vez, utiliza um sistema de cotas para importação de leite em pó desnatado que são estabelecidas de acordo com os tratados que este país firmou, como por exemplo, a Organização Mundial do Comércio (OMC), ou o Tratado de Livre Comércio (TLC) do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). No caso do TLC, somente os EUA negociaram o capítulo referente aos lácteos e este país é o único que pode utilizar a cota estabelecida sob este tratado.
Porém, as permissões de importação necessárias para importar leite em pó desnatado no México sob o TLC vencem dia 31 de agosto de 2002. Com isso, se os importadores mexicanos não quiserem perder estas cotas, serão obrigados a pagar o preço doméstico pelo leite em pó dos EUA, ou seja, US$ 2000 a US$ 2500 a tonelada, incluindo frete. Se o DEIP já estivesse estabelecido, o país pagaria cerca de US$ 1300 a US$ 1350 por tonelada e o diferencial do preço seria pago com o dinheiro do contribuinte dos EUA.
As cotas mexicanas de importação de lácteos oriundos de outros países, sob a OMC, já estão sendo utilizadas e, para que não haja uma extensão das mesmas, os importadores de leite do México têm duas opções: 1) pagar US$ 2000 a US$ 2500 por tonelada dos EUA ou; 2) pagar o preço mundial de US$ 1300, mais uma tarifa de importação sem cota de 128%. Esta situação tem feito com que as compras deste país - que é um dos maiores importadores de lácteos do mundo - se retraiam ainda mais. Porém, de uma forma geral e apesar desta situação referente ao leite em pó desnatado, a expectativa é que o México se torne mais ativo na compra de lácteos nos próximos meses, o que deverá dar um maior dinamismo ao mercado internacional.
Comunidade Européia
A situação da Comunidade Européia vem se mantendo sem maiores novidades, com um mercado interno forte, ajudado pelo Euro que se afirma. Além disso, o mercado está apreensivo diante do possível ajuste de preços nos próximos meses, devido à baixa normal da produção logo após o flush da primavera e às altas temperaturas deste verão.
No entanto, os excedentes de leite em pó desnatado e de manteiga seguem sendo oferecidos ao sistema de intervenção estatal sob a modalidade de licitações. As primeiras duas licitações de leite em pó desnatado acumularam mais de 12 mil toneladas e os estoques de intervenção para meados de julho acumularam em cerca de 125 mil toneladas. No caso da manteiga, os estoques de intervenção superaram o volume de 160 mil toneladas, o maior estoque desde 1993.
Os valores dos subsídios na Comunidade Européia estão, para leite em pó desnatado, em cerca de US$ 850 por tonelada; para manteiga, US$ 1850 por tonelada e para leite em pó integral, US$ 1200 por tonelada. Os preços indicados para estes produtos são de US$ 1150 por tonelada FOB porto para leite desnatado, de US$ 1000 por tonelada para manteiga e US$ 1170 por tonelada para leite integral.
No caso da Nova Zelândia, as condições estavam um pouco menos positivas nas primeiras indicações e isto poderia criar um bom marco para os preços da maioria dos produtos lácteos. Uma baixa nas estimativas de produção neozelandesa em seu momento de maior produção, somada a uma baixa na produção de verão - outono na Europa, com um Euro forte - e a um aumento na demanda dos países compradores tradicionais de lácteos, como o México, a Argélia e o Japão, poderão trazer como resultado um mercado com tendência de alta.
Fonte: TodoAgro (por Mariano López del Carril), adaptado por Equipe MilkPoint
Mercado mundial de lácteos: expectativa de aumento na demanda
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 5 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.