Uma delegação de representantes de entidades da Agricultura Familiar, que esteve visitando a União Européia, constatou que o mercado europeu é receptivo a produtos orgânicos e não-transgênicos da Agricultura Familiar brasileira. De 7 a 17 de outubro, o coordenador da Fetraf-Sul/CUT no Rio Grande do Sul, Eloir Griseli, o presidente da Coorlac, Gervásio Plusinski, e o presidente da Cocel, Mário Farina, visitaram instituições governamentais, não-governamentais e centrais sindicais européias, visando debater projetos de intercâmbio técnico, cultural e institucional para troca de experiências e conhecimentos sobre tecnologias empregadas no campo e organizativas. A viagem foi um compromisso assumido no Fórum Social Mundial de Porto Alegre no início do ano.
Com o governo da região da Emília Romana (Norte da Itália) e com a União Européia em si, a delegação brasileira iniciou diálogo para a realização de parcerias que objetivem o desenvolvimento de cooperativas de produção agroecológica da Agricultura Familiar.
Na Itália, também, a delegação conheceu experiências na área de certificação de produtos orgânicos e não-transgênicos e sentiu a receptividade do mercado europeu a esses produtos: "Há grandes possibilidades de mercado na União Européia, em função do perfil de um consumidor de alimentos mais exigente e preocupado com saúde e sustentabilidade dos sistemas produtivos. Há um nível de consciência maior e os problemas sanitários nos seus plantéis geraram um trauma no consumidor. Por isso e para se resguardarem, eles impõem severas barreiras para a importação de alimentos. Se formos eficientes e mostrarmos a qualidade dos nossos produtos, aproveitaremos um mercado favorável à importação de orgânicos e não-transgênicos das lavouras da Agricultura Familiar brasileira", explica Eloir Griseli.
Em Roma, o coordenador-geral da Fetraf-Sul/CUT, Altemir Tortelli, que esteve participando de um seminário em Bruxelas sobre a organização de agricultores europeus e dos países de Terceiro Mundo para buscar ações conjuntas de combate à fome e ao empobrecimento dos trabalhadores do campo, se juntou ao grupo. Eles se reuniram com dirigentes da Central Sindical Italiana de Trabalhadores (CGIL) e com a Federação da Agricultura daquele país para discutir projetos.
Na Espanha, a delegação brasileira também conheceu experiências de cooperativas de agricultores que, como no Sul do Brasil, desenvolvem projetos baseados no desenvolvimento sustentável e solidário. A delegação visitou o Sindicato da Agricultura Familiar espanhol.
As parcerias que se pretende estabelecer entre a Agricultura Familiar brasileira e a européia têm por objetivo a troca de conhecimentos sobre formas de produção, as práticas agroecológicas adotadas, os insumos orgânicos empregados nas lavouras, industrialização e a busca de novos mercados.
Durante toda a viagem, os brasileiros comprovaram que as instituições e os governos europeus conhecem bastante a realidade do Sul do Brasil, especialmente a do Estado do Rio Grande do Sul, e lembram da cidade de Porto Alegre, em função da realização do Fórum Social Mundial e pelas experiências desenvolvidas.
No início de 2003, agricultores familiares, cooperados e sindicalistas italianos virão ao Brasil a fim de conhecer experiências da organização da Agricultura Familiar na região Sul.
Maiores informações: Altemir Tortelli - Coordenador-Geral da Fetraf-Sul/CUT - (11) 9998-2676 e Eloir Griseli - Coordenador da Fetraf-Sul/CUT no Rio Grande do Sul - (54) 9977-1872.
Fonte: Thea Tavares (MTb 3207/PR)
Mercado europeu é receptivo a produtos orgânicos e não-transgênicos da Agricultura Familiar brasileira
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