Em Goiás, o clima mais seco nesse período do ano provocou uma queda de produção de até 50% em algumas regiões produtoras. No geral, o volume produzido ficou entre 10% e 20% abaixo da produção da safra, segundo informações locais.
Em função disso, a previsão para os preços do leite é de estabilidade. Em virtude da menor oferta, pode haver até um aumento de 1 a 2 centavos - pouco significativo para o mercado -, mas no geral, os valores pagos aos produtores devem se manter nos mesmos patamares de junho, observa Juliano Antônio Nogueira da Silva, assistente de captação leiteira da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudeste Goiano.
Segundo fontes locais ligadas ao setor de laticínios, agentes exportadores de Goiás estão também preocupados com o dólar baixo, que desfavorece a exportação do leite. Há uma atenção maior também nesse período para a provável redução das tarifas de exportação na Argentina, o que pode favorecer uma maior importação de lácteos nos próximos meses e pressionar os preços no mercado interno.
No Sudeste, segundo João Fernando dos Santos, gerente do Departamento de Administração de Produção da Vigor, não há muita oferta de leite "spot" no mercado. Os preços seguem uma tendência de estabilidade, que deverá ser constatada até o final deste mês.
Segundo ele, em agosto, a produção tende a aumentar um pouco em virtude das chuvas mais regulares que normalmente voltam a ocorrer nesse período. Se for um aumento significativo, Santos acredita que possa haver uma queda nos preços.
Em Minas Gerais, os preços também permanecem estáveis, segundo Marcel Scalon Cerchi, do Laticínios Scala. Cerchi disse que o normal da região do Triângulo Mineiro é de aumentos modestos na produção a cada mês nesse período, mas sem muita influência no mercado. "Em 2005 houve um incremento acentuado na produção que acabou afetando os preços", lembra. No entanto, segundo ele, a produção neste ano está dentro do normal, o que não deve influenciar o mercado. "A tendência até agosto é de estabilidade ou pequena variação negativa (de 1 a 2 centavos), o que não deve influenciar o mercado", prevê.
Ulysses de Freitas Júnior, diretor geral da Calu, em Uberlândia, disse que há um desestímulo por parte dos produtores mineiros em relação ao preço de mercado. Em virtude disso, há uma menor quantidade de leite sendo oferecida aos laticínios. A falta de capital é observada nitidamente pela menor venda de caroço de algodão, usado em rações para gado. Isto, segundo, Freitas, é um "termômetro" que indica a situação do produtor.
De acordo com Freitas, a concorrência na venda do produto é grande, o que pressiona os preços. Os produtores da região são mais profissionalizados e se planejam para essa época do ano, com a alimentação do gado. Portanto, o clima nesse período não tem influenciado tanto na produção, que, segundo ele, caiu apenas cerca de 5% frente à produção de safra. Para, ele, o problema no setor na região tem sido a oferta abundante, e não a demanda escassa.
Mário Alexandroni, gerente de política leiteira da Shefa, acredita que os preços em São Paulo estão estáveis, mas podem ter uma redução em julho, em virtude do aumento da safra sulista, que normalmente ocorre nesse período do ano.
O pico de produção em São Paulo normalmente ocorre entre novembro e dezembro, e a produção começa a aumentar já em outubro. Portanto, caso se confirme a opinião de Alexandroni, a tendência é de preços em baixa no segundo semestre do ano. Aline Ferro, da Equipe MilkPoint.
Mercado: estabilidade de preços em GO, MG e SP
Publicado por: MilkPoint
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