Marcelo P. Carvalho faz um balanço sobre sistemas de produção de leite na Nova Zelândia [VÍDEO]
No último de uma série de 8 vídeos, Marcelo Pereira de Carvalho, coordenador do MilkPoint, faz um balanço sobre sistemas de produção de leite na Nova Zelândia, a partir de sua vivência no principal exportador mundial de leite. E como as mudanças climáticas tem alterado a maneira de pensar na produção de leite nos países mais desenvolvidos.
Publicado por: MilkPoint
Publicado em:
Marcelo compara a produção de leite exclusivamente a pasto, o principal sistema produtivo, a sistemas complementares com utilização de suplementação, que ocorrem em maior itensidade na Ilha Sul por diferenças climáticas com a Ilha Norte.
"O que se nota é que sistemas exclusivamente a pasto são mais rentáveis em comparação com sistemas que utilizam mais alimento externo, em razão dos custos de produção. O que pode mudar a atratividade desses sistemas é o aumento dos preços internacionais de lácteos que tornariam sistemas mais intensivos mais rentáveis em razão do maior volume produzido em uma mesma área, além de menor dependência de fatores climáticos. Sistemas exclusivamente a pasto são menos resilientes, têm maior dificuldade de recuperar-se de adversidades".
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.
Deixe sua opinião!
PIRACICABA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 18/03/2011
Fausto, publicaremos nos próximos dias uma notícia com os links para todos os 8 vídeos. Sobre a sua pergunta, quando se inclui o custo dos juros para pagamento da dívida, o custo lá chega a US$ 0,32-0,33/litro, pelo que pode checar. Sem isso, na faixa de US$ 0,25. Ainda assim, bem mais barato do que o nosso, lembrando que o leite deles tem 20% mais de sólidos.
Marcelli: as informações sobre produtividade, etc, vc pode ver nesse texto que escrevi: http://www.milkpoint.com.br/impressoes-sobre-o-leite-na-nova-zelandia_noticia_67685_50_124_.aspx
Sobre o efeito das secas, acredito que o que fazem é 1) vender animais menos produtivos, aumentar suplementação (1-2 kg de grãos, 5-8 kg de silagem). Sobre os grãos, eles compram um pellet de dendê na Malásia.
Em relação a pergunta sobre os sistemas no Brasil, é um tema complexo, pois resiliência climática não anda junto com resiliência a preços. Os sistemas a pasto operam melhor sob preços flutuantes, ao passo que o confinamento é melhor sob a questão climática. Acho que vai depender muito da região, mas acredito que sistemas que utilizem em parte o pastejo podem ser interessantes. Mas não tenho a questão fechada ainda...Bons questionamentos.

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS
EM 17/03/2011

IJACI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/03/2011
Parabéns pela reportagem!!
Bem, tenho umas dúvidas. No caso de variações climaticas com você disse que ocorreu este ano na NZ, estes reflexos se perpetúa para mais de um ano. Ex. Caso de secas, baixa disponibilidade de alimento, eficiência reprodutiva dos rebanhos comprometidas, no ano seguinte menos vacas paridas? O que fazem ?
- A complementação de alimentos (silagem ou grãos), quantos centis de dólar repercute no kg de sólidos?
- No sistema pasto, em média quantos kg de sólidos/ha, o produtor chega produzir por estação?
- Com relação aos alimentos adicionais, a NZ eles são adquiridos no mercardo internacional?
- Em comparação ao Brasil, onde temos diferentes sistemas de produção, você acha com perspectiva futura, serão mais resilientes os sistemas mais eficiêntes?
Att.
Marcelli

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/03/2011
acompanhei com grande interesse vosso tour pela bela. progressista, admirável e até de certa forma invejável Nova Zelândia, meus aplausos para o teu feito, nos passando um ´pool´ de informações úteis e muito austeras(econômicas), sem o gigantismo americano e o estrelismo europeu ocidental.
Eles aproveitaram, ou melhor souberam aproveitar seus recursos de forma ímpar, ... os nossos estados do sul, podem plágiar os NZs, pois tem azevém, trevo, alfafa, trigo, aveia, cevada(pouco explorada no Brasil)... Os nossos produtores do cerrado(norte de MG e região Centro Oeste) podem se valer de milho e soja mais baratos(coisa que faz um NZs ter inveja, pois é um ponto onde somos o ´show do planeta´; mesmo frente aos americanos nossa produção é ótima, por que usamos menos fertilizantes).
Para outras regiões as silagens de milho, sorgo, milheto e até do Capim Gigante enriquecida com poupa cítrica, que só faltam máquinas mais eficientes e maiores ...
Nas regiões mais íngremes, regiões do cultivo tradicional e tabuleiros costeiros à nossa cana-de-açúcar suplementada funciona muito bem com volumoso, ´in natura´ ou ensiladas(silagem esta que as técnicas vão evoluindo de ano para ano), nas varietais de cana ninguém, reafirmo, ninguém tem à genética de cana que temos; tenho notícias que os americanos buscam, freneticamente, melhorias nas suas varietais da cana.
Temos ainda o Girrasol, altamente rico em EE, e bastante "flex"(para usar uma palavra da moda), pois pode ser usado ´in natural, silagem e quando esta passado vira um ótimo ´rolão´... muito rica alternativa é o Girrasol!
Estes dias vi fotos de um pastejo rotacionado com ´fita eletrizada´ móvel, deixando o gado só comer por 2 horas, em plantio da outra grande alternativa para as áreas de caatinga e cerrado, à palma forrageira, ... os nigerianos ficaram enlouquecidos quando viram como as vacas a deglutiam com vontade ... com muito pouco se cria bem nas áreas mais secas com pluviosidades muito baixas, e seria a única planta que em sistemas experimentais(manejadas espetacularmente), havia ultrapassado a casa de 1.000 ton. de Matéria Verde/ha.
O Tifton 85, o Mombaça, o Tanzânia, o Massaí, as Braquiárias(principalmente um * para a cv. ruziziensis, pela palatabilidade), o híbrido Mulato II, o Estrela Africana(uma * para à cv. roxa), o Coastcross, as mais de setenta varietais do Panicetum purpureum, e tantos outros com Andropogum, Setária, Urochloa, Paspalum o Hermathria e outros gêneros ... que poderiam ser usados em pastagens, chamo atenção especial para o gênero Cynodon e Panicum nos sistemas rotacionados, e insistentemente com atenção para o Tifton 85, cabendo este do Oiapoque ao Chuí ...
Podemos diversificar à vontade os nossos sistemas, fica na questão de adaptação de cada um ver se o ´sapato lhe cabe´ !
meus respeitos
marcelo

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 12/03/2011

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 12/03/2011
Então, mesmo que tenhamos dificuldade de reproduzir sistema semelhante aqui no Brasil, devido a questões edafoclimáticas, há regiões que merecem uma atenção especial e que podem se aproximar daquela realidade, fazendo com que o Brasil possa ser competitivo no mercado mundial, independentemente de variação do dólar, oscilações dos preços internacionais e outros fatores impactantes no mercado. Portanto, parabéns ao Marcelo que, com a experiência profissional que tem, consegue fazer uma análise global profunda e permitindo que se tenha uma expectativa para o setor frente aos desafios que se apresentam.
CASTILHO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/03/2011
PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 11/03/2011
Meus cumprimentos pela maneira didática com que V. compartilha sua vivência nestes assuntos tão interessantes, relativos aos sistemas de produção, no caso, da Nova Zelândia.
Eu gostaria de deixar este questionamento: até que ponto o sistema neo-zelandês a pasto continuaria sendo rentável, na medida em que, num período mais extenso, digamos de uns cinco anos, todos os custos e benefícios fossem efetivamente computados?
No contexto apresentado, seria provável a incidência de uma ou até duas estiagens de verão durante um período de cinco anos, e os prejuízos decorrentes (leite deixado de ser produzido, queda da fertilidade do rebanho, maior propensão à doença, custo da alimentação emergencial, eventual desconto por quota não cumprida, custo de irrigação, etc.) certamente comprometeriam a rentabilidade, geralmente determinada em períodos de curto prazo.
Assim, em comparação com um sistema de permanente alimentação complementar, mesmo em condições de estabilização de preços no mercado, a rentabilidade do sistema exclusivamente a pasto estaria comprometida, quando analisada durante prazos mais longos.
Na minha opinião, estas ponderações também se aplicam às condições que temos aqui na Região Sul, especialmente porque as pequenas e médias propriedades leiteiras são menos resilientes às crescentes mudanças climáticas.