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Produção de leite à pasto é alternativa devido alta dos custos

A produção de leite a pasto pode levar a atividade a um patamar mais sustentável e a um melhor equilíbrio de renda para o produtor. Saiba mais aqui!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 21/07/2021 - 6 minutos de leitura

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Um novo olhar sobre a forma de alimentar o gado leiteiro pode levar a atividade a um patamar mais sustentável e a um melhor equilíbrio de renda para o produtor.

Presente na produção leiteira desde sempre, a alimentação à pasto vem ganhando protagonismo nos últimos dois anos diante da alta dos preços do milho e da soja, próxima dos 100%, e de duas estiagens sucessivas que prejudicaram a qualidade e a quantidade de milho silagem plantado nas propriedades.

A alternativa, entretanto, não é para todos.

Para incrementar as pastagens e se beneficiar de uma redução de custos de 50% ou mais, o produtor precisa de área para plantio de forrageiras, recursos para investir em insumos e assistência técnica que o oriente tanto na escolha das plantas quanto na composição de uma dieta balanceada para as vacas.

Considerada uma das maiores cooperativas do Brasil, a CCGL vem conscientizando os seus cerca de 3,5 mil produtores de leite a priorizar o pasto desde 2005. O supervisor técnico da produção de leite na cooperativa, Luis Otávio da Costa Lima, relata que foi um longo processo, o qual passou pela melhoria da qualidade do solo nas propriedades, com novas práticas de adubação, e das formas de manejo.

Lima ressalta que a utilização das forragens como fonte principal de nutrição torna o sistema de produção leiteira mais resiliente e menos vulnerável a crises como a vivida hoje, quando a saca de milho ultrapassa os R$ 90,00 e a tonelada do farelo de soja (que compõe a parte proteica das rações) os R$ 2,3 mil.

Atualmente, 95% dos produtores que fornecem leite à CCGL, em 170 municípios, de Lagoa Vermelha, no Norte do Estado, a Santa Vitória do Palmar, no Sul, têm as pastagens como alimento principal do rebanho.

Segundo o supervisor, uma vaca come em média  de 15 a 17 quilos de matéria seca de pasto por dia. Este é o limite máximo de ingestão diária deste tipo de alimento e garante uma média produtiva de 15 a 20 litros de leite por dia, dependendo do animal.

Para garantir uma produção considerada regular, de 25 a 30 litros, é preciso acrescentar à dieta da vaca em torno de 5 quilos de suplementação, composta pela silagem de milho e a ração com proteína. Nesta proporção, o produtor gastaria por vaca cerca de R$ 14,75 ao dia.

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Quando a base alimentar é a silagem de milho e a ração, usadas nos sistemas de gado semiconfinado e confinado, o custo é maior (a produção também, de 10 a 15 litros a mais), tendo em vista que o quilo do milho silagem com planta inteira oscila de R$ 0,38 a R$ 0,45.  “No caso predominante de uso do milho, é preciso plantar, ter quem colha, quem misture o alimento e quem leve até o cocho e isso tudo representa custo”, lembra Lima.

No Rio Grande do Sul, conforme dados da Emater/RS-Ascar, 50,4 mil famílias, distribuídas em quase todos os 497 municípios, têm como fonte principal de renda a atividade leiteira. A instituição preconiza o uso de pastagens na produção de leite desde sempre.

O gerente técnico e coordenador da área de leite da Emater, Jaime Ries, reconhece, contudo, que o sistema tem realmente limitações, tanto de oferta de pasto, dada a sazonalidade, como de possibilidade de aumento de área para este tipo de cultivo, uma vez que a maioria absoluta dos produtores está nas pequenas propriedades da agricultura familiar.

Ries alerta que as dificuldades em equilibrar custo e renda vem tirando da atividade, gradativamente, as famílias produtoras. Na próxima Expointer, em setembro, a associação vai divulgar uma atualização do relatório que faz a cada dois anos da produção leiteira gaúcha. “Ainda não temos os números, mas o sentimento que temos indo a campo é de que o número dos produtores segue diminuindo”, diz.

O gerente técnico sustenta que a produção de leite não sofre prejuízos quando a alimentação prioritária dos animais é a pastagem. Ressalta, inclusive, que o inverno é a estação na qual mais se produz no Estado graças à qualidade e disponibilidade das forrageiras – aveia e azevém na maioria dos locais.

“Anualmente, a Emater leva ao produtor informações para que faça um bom planejamento forrageiro, indicando as melhores espécies e épocas de plantio, de forma que garanta na sua propriedade a disponibilidade de pastagens”, acrescenta Ries.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), que representa a agricultura familiar e o produtor de leite diretamente, vê na produção leiteira com base a pasto uma excelente alternativa para a diminuição dos custos. “Porém, há uma limitação para os produtores conseguirem implementar esta prática, que é a área de terra que eles possuem”, observa o assessor de Política Agrícola, Kaliton Prestes.

Nas pequenas propriedades, na maioria das vezes, a área disponível para plantio de pasto precisa ser semeada com o milho silagem, do qual o produtor também não pode prescindir.
 

O desafio da eficiência

O Rio Grande do Sul já teve quase 66 mil produtores de leite, que foram desistindo da atividade pelo peso dos custos e das exigências qualitativas bastante elevadas nos últimos anos, segundo observações da Emater/RS-Ascar.

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No rebanho atual, de quase 1 milhão de vacas leiteiras, as raças predominantes são a Holandês e a Jersey. A coleta média diária dos atuais 50,4 mil produtores está na faixa dos 150 litros de leite, mas, segundo relatório de 2019 da Emater, pode variar de 50 a 2,5 mil litros por dia, dependendo da propriedade rural.

Ainda conforme o levantamento, que será atualizado neste ano, 94,4% das propriedades têm o sistema alimentar baseado em pastagens, 3,7% em semi-confinamento e somente 1,8% em confinamento total. Mesmo que já use o modelo das pastagens, essa maioria tem o desafio de ampliar a produtividade e a qualidade nutricional das forrageiras, até porque tem pouco espaço para expandir o cultivo.

Assistente técnico do escritório municipal da Emater em Venâncio Aires, Diego Barden revela que a alta dos custos tem realmente diminuído o número de produtores no município, estimado hoje em 2 mil, mesmo que o preço do litro de leite pago pela indústria tenha melhorado.

De acordo com ele, o estímulo à alimentação com base no pasto é permanente, mas há dificuldades por parte de algumas famílias em melhorar sua performance. “Há uma parcela dos produtores que garantiu a produtividade diária com a silagem, com pequenas áreas para o plantio de milho e até com uso de áreas arrendadas com este fim”, conta Barden. Nestes casos, diz, com a crise recente no preço dos grãos e as estiagens em 2020 e 2021, quem vinha alimentando o gado com base na silagem e na ração concentrada teve mais dificuldades.

“Sempre ressaltamos que a alimentação a pasto era a mais barata e, neste último ano, ela ficou muito mais barata; com isso, muitos começaram a se preocupar em ampliar o uso das forrageiras”, constata o técnico, sem deixar de apontar que alguns, mesmo que quisessem, não teriam como ampliar a área com pastagens que mantêm ao longo dos anos. “Por isso, recomendamos melhorar as áreas existentes apostando, entre outras coisas, na busca pela qualidade do solo e por cultivares mais produtivas”, destaca.

A mais importante orientação, agrega Barden, é que o produtor tenha a certeza de que o gado vai ficar bem nutrido com o pasto e que a suplementação seja só para assegurar a produtividade nos momentos de escassez de forrageiras.

Mesmo em momentos como a troca de estações, quando a disponibilidade de pasto fica menor, é possível evitar essa queda de oferta, afirma a técnica da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando),

Íris Beatriz dos Santos, ao apontar como estratégia a sobressemeadura de espécies forrageiras de inverno em áreas ocupadas por espécies perenes de clima tropical para aproveitar o período em que estas ficam pouco produtiva ou mesmo dormentes.

Íris lembra também que além de preocupar-se com a produção, é preciso que o produtor preste atenção às exigências dos animais em pastoreio. “O planejamento do sistema de produção de forragens é indispensável, pois o objetivo é equilibrar a máxima oferta de alimentos de alta qualidade com a exigência nutricional dos animais e evitar, ou pelo menos reduzir, períodos de déficit forrageiro e a necessidade de suplementação”, pondera.

As informações são do Correio do Povo, adaptadas pela equipe MilkPoint. 

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