“A nossa ideia foi sempre fazer um produto de território, então é pensar o pampa gaúcho impresso no queijo, com leite cru e também os fungos naturais da campanha”, conta a queijeira Luísa Brasil, da Queijaria Tambero, de Hulha Negra. E acrescenta com orgulho: “O nosso queijo é um queijo autoral que tu só encontra na Hulha Negra, com bastante identidade”.
Distante 377 quilômetros, na zona rural de Porto Alegre, a Tempo Naturalmente Queijo também produz queijos autorais artesanais. “O que inspira a gente é valorizar e transmitir através do queijo nosso terroir, ou seja, as características sensoriais locais, que se ganham através da alimentação das vacas, do manejo e das condições de produção”, afirma a queijeira Mariana Guarienti. No Rio Grande do Sul, existem cerca de 50 queijarias que produzem apenas queijos autorais.
Os queijos autorais
Os queijos autorais estarão em debate nesta sexta e sábado, 29 e 30 de maio, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, no Seminário Latino Americano de Lácteos Artesanais. Na sexta-feira, às 16h, o pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Alimentos e Bebidas (CEAB) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Alexander Cenci, participa de uma mesa sobre queijos autorais: desafios e perspectivas legais e de mercado.
E no sábado, às 10h20, no auditório Luís Cosme, os pesquisadores da Secretaria da Agricultura Alexander Cenci, Danilo Gomes e Larissa Ambrosini, em parceria com o biólogo Wemerson Oliveira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IF-Sul) e o médico veterinário Gustavo Erhardt, da prefeitura de Nova Roma do Sul, vão lançar o livro “Registro de Queijos Autorais nos Serviços de Inspeção - Desafios e Orientações”. A publicação tem o apoio do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (CISGA). “O livro vai possibilitar, para produtores e fiscais, caminhos para legalização e regularização dos queijos autorais. O Mapa já tem diretrizes para o registro de queijos sem denominação reconhecida, que não se encaixam em um RTQ (Regulamento Técnico de Qualidade)”, afirma Danilo Gomes, pesquisador do CEAB de Caxias do Sul. Segundo ele, a publicação é fruto de debates realizados no grupo de estudos e pesquisas em inspeção e tecnologia de lácteos, do Centro.
De acordo com o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Prefeitura de Nova Roma do Sul, Gustavo Erhardt, e um dos autores do livro, este comunicado técnico vai auxiliar de uma maneira simples, direta e prática, todos os envolvidos na cadeia, desde o produtor, responsáveis técnicos, os Serviços de Inspeções até, inclusive, os consumidores, abordando um dos principais gargalos da produção de queijos artesanais no país, o registro. “O que comunicamos aqui é uma reflexão sobre o tema e uma base legal sólida, permitindo que o caminho do registro destes produtos seja mais cristalino, trazendo segurança aos envolvidos no processo e permitindo a agregação de valor e valorização da cultura local através dos produtos autorais”, declara Gustavo.
A publicação é gratuita, deve ter uma versão impressa além da disponível de forma online e deve ser publicada também em espanhol, para países interessados da América Latina. “É um material importante para os serviços de inspeção do Brasil e também interessa a outros países, porque o queijo autoral hoje é um movimento mundial”, afirma Danilo.
O livro estará disponível para download a partir do dia 30 de maio na página: https://agricultura.rs.gov.br/livros-ddpa
As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul.
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