Leite perde força no Vale do Paraíba
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Esse processo, aliado ao crescimento da produção, já faz com que uma das mais tradicionais bacias leiteiras do país consuma mais do que produz. Segundo o Instituto de Econômia Agrícola (IEA), ligado à Secretária de Agricultura de São Paulo, o Vale produziu 18 milhões de litros/mês em 2001, para um consumo estimado pela Leite Brasil em 22 milhões de litros.
Conforme a Embral, que faz a liquidação de rebanhos de gado de leite, de 1996 a 2002 foram vendidos mais de 100 mil animais no Vale. Para Sebastião Beraldo, diretor da Embral, mais 3,5 mil serão leiloados esse ano. "O destino desse fado é Centro-Oeste e Nordeste".
Carlos Zeraick, produtor do Vale, é um dos que estão dispostos a investir no Centro-Oeste. Seu projeto, em fase de ajuste, é produzir 10 mil litros de leite/dia em Jaciara (MT). De um aporte previsto em R$ 3 milhões, a idéia de Zeraick é entrar com 60% e buscar o restante no Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
Mas ele pretende manter algo no Vale, ao contrário de outros pequenos e médios produtores. É o caso de Flávio Vasconcelos, que liquidou seu rebanho em 1997. Na época, a fazenda produzia 800 litros/dia. "O leite passa de geração em geração e tivemos que interromper esse ciclo", diz. Plantar arroz irrigado tornou-se mais rentável. "O leite não é mau negócio, mas é preciso escala" afirma.
Como Vasconcelos, Luciano Veloso, que produzia mil litros por dia, desistiu em 1998. O negócio ficou com o irmão, Fabiano, que hoje produz 400 litros/dia. "Havia um limite para crescer, por isso um de nós teria que sair" diz Luciano.
Fim melancólico para uma atividade que surgiu no Vale do Paraíba no início do século XX, como uma opção ao café. Na década de 60, o vale chegou a abrigar 17 laticínios, que pertenciam às cooperativas filiadas à Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL, ex-Paulista) e à Vigor.
Restam hoje sete laticínios, depois de um processo de erosão que começou com a industrialização do Vale e o decorrente encarecimento das terras. Mais tarde, a abertura do mercado na era Collor reduziu a competitividade dos menores produtores e, com o sucesso do longa vida, o leite passou a ser fornecido a partir de regiões cada vez mais distantes, reduzindo a vantagem logística do Vale.
Com as mudanças, a Vigor, por exemplo, diversificou seu portfólio e, no Vale, manteve só a fábrica de Cruzeiro. "O Vale ficou caro. Passamos a buscar leite no sul de Minas, norte do Paraná e outras regiões paulistas", diz Vinícius Vieira Ramos, vice-presidente da Vigor.
Em 1996, o produtor do Vale recebia R$ 0,67/litro, ante média paulista de R$ 0,55, de acordo com a Scot Consultoria. "Com a longa vida, o preço no Vale caiu mais rápido, reduzindo a diferença", diz Maurício Nogueira, da Scot. Em 2002, o litro saiu a R$ 0,52 no vale, ante a média estadual de R$ 0,46.
A decadência passa, também, pelos polêmicos problemas das centrais de cooperativas, que, entre outras consequências, levou a própria Paulista a vender a marca e a fábrica de Guaratinguetá para a Danone. Para Flávio Vasconcelos, "o sistema cooperativista não é ruim, mas tem problemas de administração, enquanto para Carlos Zeraick "o grande problema do leite no Vale são as cooperativas".
"Mas na cooperativa remuneramos por qualidade, não por escala. E temos vantagens como assistência técnica e fornecimento de insumos" defende João Galvão, diretor da cooperativa de Guaratinguetá.
Fonte: Valor Econômico (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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OUTRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/01/2003
Eu vejo nas cooperativas a única saida para o Brasil, mas os produtores nacionais não estão aptos para essa modalidade. Sugiro ao novo ministro que ative imediatamente cursos e palestras sobre cooperativismo para que possamos daqui para frente constituir uma agricultura forte no mundo. Mas vai depender da união dos produtores, por que hoje em dia um torce para o outro ir mau pra comprar as terras mais baratas. Isso precisa mudar imediatamente, caso contrário será o fim da agricultura no Brasil em mãos de brasileiros. É claro os americanos já estão chegando no norte da Bahia; será que eles querem ver o que a bahiana tem?.......pensem e reflitam.