Leite em pó tem reação, mas sente efeitos do câmbio

Os preços do leite em pó tiveram uma pequena reação a partir de julho, e desde então seguem nos mesmos patamares em setembro. O fator que justifica esta reação é a menor oferta do produto. Segundo Renato José Beleze, diretor presidente da Confepar, isto se deve ao envio da maior parte do leite <i>in natura</i> para o mercado de queijos, que está com melhores condições de comercialização, o que faz com que a oferta de leite em pó fique mais reduzida.

Publicado por: MilkPoint

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Os preços do leite em pó tiveram uma pequena reação a partir de julho, e desde então seguem nos mesmos patamares em setembro. O fator que justifica esta reação é a menor oferta do produto. Segundo Renato José Beleze, diretor presidente da Confepar, isto se deve ao envio da maior parte do leite in natura para o mercado de queijos, que está com melhores condições de comercialização, o que faz com que a oferta de leite em pó fique mais reduzida.

Segundo César Helou, diretor comercial do Laticínios Piracanjuba, de Goiás, a valorização a partir de julho também ocorreu em virtude da entressafra, em que praticamente não existe estoque de leite em pó no país.

Durante o primeiro semestre do ano, os preços do produto estiveram bastante inferiores aos obtidos no mesmo período de 2005. Segundo Helou, o preço médio caiu cerca de 27% em relação ao primeiro semestre do ano passado, devido à maior oferta do produto no mercado interno, mantendo os altos estoques até junho. A partir de julho, houve um equilíbrio entre oferta e demanda, tendência essa que deve se manter até outubro.

Ele acredita ainda que em 2006, o valor médio do leite em pó ficará 12% mais baixo que 2005. Isso porque o mercado está um pouco mais firme no segundo semestre deste ano e porque, nesse mesmo período do ano passado, os preços estiveram muito baixos.

De acordo com Beleze, o mercado do leite em pó está muito atrelado ao dólar, pois é um produto de fácil importação, "segurando" os preços a patamares mais baixos, em comparação a leites UHT e queijos.

Para Helou, a produção de leite em pó deve aumentar muito a partir de novembro, pois há uma tendência de aumento de oferta do leite com o início da safra no Sudeste e Centro-Oeste do país.

Os preços deverão variar de acordo com a oferta brasileira, na opinião de Beleze. Caso aumente muito a produção com a safra, os preços dos produtos lácteos de uma forma geral terão uma tendência de queda.

No varejo, os preços do leite em pó estão em queda neste ano, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Balança Comercial

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a balança comercial de leite em pó está deficitária, ou seja, a importação, tanto em volume como em valor, foi maior que a exportação. De janeiro a agosto, houve um saldo negativo de aproximadamente US$ 18 milhões. Em volume, o saldo representa cerca de 7,180 mil toneladas. No mesmo período do ano passado houve um déficit de US$ 25,9 milhões.

Mesmo em déficit, as exportações subiram neste ano, somando US$ 35,426 milhões, o que representa um aumento de 6,36% em relação ao período de janeiro a agosto de 2005. Em volume, foram exportadas 16,758 mil toneladas (aumento de 4,5% a mais que o ano passado).

As importações, no acumulado do ano, somaram US$ 53,430 milhões (9,8% inferior ao período referente em 2005) e, em volume, 23,939 mil toneladas (9,9% a menos que no ano passado).

Em agosto, as exportações de leite em pó em volume ficaram cerca de 46% inferiores ao mesmo período de 2005 e 47% em valor FOB.

Para Otávio Farias, da trading Hoogwegt, as exportações de leite em pó não aumentaram como esperado em virtude do baixo valor do dólar frente ao real. Com a moeda nacional valorizada, a comercialização tem sido mais interessante no mercado interno. Outro fator influenciando as vendas externas de leite em pó, explica ele, é o fato do mercado de queijos e leite UHT estarem satisfatórios nos últimos meses.

O valor do dólar é um fator preocupante também para Beleze, que diz que se não houver recuperação, certamente haverá quedas acentuadas nos preços do leite, principalmente durante a safra. "Desde 2004 temos perdido vigor nas exportações, muitas indústrias que investiram pensando na exportação começam a refazer suas contas e se posicionar mais no mercado interno", disse.

Gráfico 1. Exportações e importações brasileiras de leite em pó em 2006 em volume - mil kg.

Figura 1

Fonte: Secex e Banco Central
Elaboração: Equipe MilkPoint

Observa-se no gráfico que a taxa de dólar em cada mês não mostra necessariamente a influência que a moeda tem sobre as exportações e importações. Isso ocorre porque o câmbio reflete em aumento/diminuição das compras/vendas externas com um atraso de pelo menos dois meses, devido aos contratos de exportação/importação, conforme explicou André Mesquita, da trading Serlac, em palestra no Congresso Pan-Americano de Leite, em junho passado. Em junho, por exemplo, o dólar teve um aumento, ficando em média cotado a R$ 2,25, segundo o Banco Central e, somente em agosto, as importações de leite em pó recuaram.

Espera-se por um dólar mais valorizado no próximo ano, "e isto vai fazer com que todo o mercado ganhe, porque eventualmente os excedentes serão exportados por preços não tão inferiores ao praticado pelo mercado interno, como estamos observando hoje. Para exportarmos leite em pó temos um prejuízo de R$ 0,10 por litro de leite", explica Beleze.

Gráfico 2. Preços de exportação do leite em pó, em US$/kg.

Figura 2

Fonte: Secex
Elaboração: Equipe MilkPoint

Gráfico 3. Preços de exportação do leite em pó integral, em US$/kg.

Figura 3

Fonte: Secex, Senasa/Argentina, USDA
Elaboração: Equipe MilkPoint

Aline B. Ferro, Equipe MilkPoint
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