Laticínios retomam as importações

Publicado por: MilkPoint

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A produção brasileira de leite deve crescer apenas 2,6% este ano, para 21,06 bilhões de litros, volume insuficiente para atender à crescente demanda interna, segundo relatório da Leite Brasil, entidade que representa o setor. A apertada oferta no mercado interno tem provocado aumento das importações. A expectativa para este ano é de que as compras atinjam 1,4 bilhão de litros, volume 75% superior ao adquirido no ano passado.

O ritmo de crescimento das importações coloca os produtores em estado de alerta. "Se houver excesso de oferta, os preços podem voltar a despencar como em 2001", diz o coordenador da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL), Vicente Nogueira Netto.

Despesa maior

Entre janeiro e julho deste ano, as importações de lácteos atingiram 855 milhões de litros de leite, volume 64% maior sobre o mesmo período de 2001. As despesas ficaram em US$ 156,24 milhões em sete meses, com alta de 17% sobre igual período do ano passado.

Ainda que as importações não derrubem os preços no mercado interno, como ocorreu entre 1995 e 1999, as compras externas não são bem-vindas num mercado que tem potencial para produzir o que consome e ainda pode exportar. "As importações são danosas porque as indústrias são forçadas a manter os preços baixos no comércio, mesmo com aumento dos custos dos insumos", diz o presidente da Embaré, empresa que capta 800 mil litros de leite por dia em época de safra, Haroldo Antunes.

Produtividade menor

A necessidade de importação é resultado da falta de condições por parte dos produtores brasileiros de manter a produtividade do rebanho nacional. "Como os preços despencaram em 2001, foi impossível investir em genética e alimentação", diz o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez.

Mesmo sem investir no rebanho, as chuvas podem contribuir para aumentar a produtividade. "Se chover bem, teremos pasto e a vaca se alimentará bem", diz Rubez. Neste caso, a possibilidade de uma produção maior, associada ao aumento das importações, pode reduzir ainda mais os preços pagos ao produtor, que estão entre R$ 0,38 e R$ 0,39 por litro no estado de São Paulo, contra um custo de produção de R$ 0,40 por litro. "Se houvesse uma ação conjunta entre empresas e governo, o Brasil teria condições de inverter a situação de maior importador mundial de leite e se tornar o maior exportador mundial", avalia o presidente da Leite Nilza, que capta 800 mil litros de leite por dia, Alexandre Maia.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Luciana Franco), adaptado por Equipe MilkPoint
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