Laticínios não conseguem abastecer supermercados nordestinos

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O leite é produto escasso nas gôndolas dos supermercados nordestinos. A redução da oferta já chega a 20%, motivada pela entressafra nacional e pela queda-de-braço entre indústria e varejo, que não se entendem quando o assunto é preço. Só nos últimos dois meses o reajuste foi de 10%, impulsionado pelo aumento no preço de insumos como soja, milho e farelo de algodão. A escala na produção de leite foi um dos temas discutidos, ontem (07), na 10º Agrinordeste, que prossegue durante todo o dia de hoje no Centro de Convenções de Pernambuco.

O diretor comercial da alagoana Valedourado, Frederico Sampaio, diz que está encontrando dificuldade para atender à demanda dos supermercados em função da queda na captação de leite. De acordo com o executivo, a redução na oferta é de 15% a 20%. "Apesar do cenário conturbado, acreditamos que dentro de mais 40 dias a situação se estabilize porque começou a chover no Centro-Sul e o dólar está recuando", aposta.

Os produtores de leite reclamam da alta nos preços dos insumos. O diretor-presidente do laticínio pernambucano Bom Leite, Stênio Galvão, diz que só o milho acumula reajuste de 100%, fazendo o custo de produção de um litro de leite chegar a aproximadamente R$ 0,42. "O preço pago pela indústria aos produtores oscila entre R$ 0,45 e R$ 0,50. Seria um bom valor se os custos não tivessem aumentado tanto", observa.

Outro agravante é o período de entressafra no semi-árido pernambucano, responsável por 70% da produção de leite do Estado. "A seca teve início em setembro e deve se estender até março", calcula Galvão, frisando que Pernambuco produz uma média de 600 mil litros de leite/dia, para um consumo de 1,5 milhão de litros.

Já o pesquisador da Embrapa, Paulo do Carmo Martins, diz que o desabastecimento também é resultado do comportamento do mercado de leite nos últimos dois anos. Segundo ele, em 2000 os preços estavam em alta e motivaram o produtor, que passou a investir em tecnologia e na alimentação dos animais. "Mas a partir de julho de 2001, a crise energética freou o consumo de leite no País e os preços foram abaixo. Essa frustração se refletiu em 2002, com redução nos níveis de produção", explica.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Adriana Guarda), adaptado por Equipe MilkPoint
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