Na pauta de exportações de Minas Gerais, leite e derivados apontam tímidos, no pé de uma longa lista liderada por minério e café. Apesar de ainda insignificantes diante do total vendido pelo Estado ao mercado externo, os produtos lácteos apresentaram, no primeiro quadrimestre deste ano, aumento de 629% (em volume) nas exportações frente igual período de 2001.
Bem verdade que a base de comparação é acanhada, equivalente a US$ 906 mil ou 740 toneladas de produtos lácteos, segundo dados da Fundação João Pinheiro e do Unicentro Newton Paiva. Mas o salto é de seis vezes em apenas um ano. Nos primeiros quatro meses de 2002 os números evoluíram para US$ 6,974 milhões (ou 4,655 mil toneladas) vendidas ao mercado internacional. Mesmo com tal crescimento, o setor lácteo responde por 0,4% de todos os produtos mineiros vendidos no exterior.
Embora tímidas, as exportações mineiras de laticínios correspondem a 37,52% das vendas brasileiras, que somaram 12,405 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses do ano. "Não apenas Minas, como o Brasil, sempre foram grandes importadores de leite. Agora é que começamos a entrar no mercado externo", afirma o presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim.
Alvim destaca que as importações continuam em volumes muito superiores às exportações de produtos lácteos, mas ressalta que "o importante é que estamos entrando no mercado internacional e Minas mostra que tem qualidade e capacidade". Só no ano passado, foram importados 800 milhões de litros de leite. Conforme Alvim, o país não é auto-suficiente no setor: produz cerca de 20 bilhões de litros de leite por ano e consome cerca de 22 bilhões.
Cemil produz mais para vender na China
Com um contrato recém-firmado de exportação de leite longa vida, a Cemil começa a elaborar um projeto de expansão da produção, justamente para destinar ao mercado externo. Com capacidade hoje para sete milhões de litros por mês, a indústria quer chegar, num prazo de três anos, a 10 milhões de litros mensais. Tudo em função de negócios promissores com a China. O primeiro embarque, de 110 mil litros de leite, ocorreu no início de junho. O segundo já está programado para este mês. "Para enviar o carregamento à China, tivemos de tirar do mercado interno. Por isso os planos de ampliar a produção", conta um dos membros do Conselho de Administração da Cemil e também reitor do Unicentro Newton Paiva, Newton de Paiva Ferreira Filho.
Segundo Ferreira, os negócios começaram meio que por acaso. Alguns estudantes de comércio exterior do centro universitário foram ao país oriental para uma feira de negócios. Coincidentemente, perceberam que o governo chinês emplacava uma campanha de consumo de leite. Surgiram, então, contratos com duas redes de supermercados, um distribuidor de leite e governo. "Nunca pensamos em exportar leite e muito menos para a China", revela. Para a concretização dos negócios, os investimentos foram de cerca de US$ 220 mil, o que inclui basicamente passagens aéreas, hospedagem e investimentos em embalagem.
Ferreira conta que uma das dificuldades é o transporte. O navio demora cerca de um mês para descarregar no país oriental e, além de tudo, o leite líquido é menos prático do que o em pó. "Um quilo de leite em pó vira 11 litros de leite. O problema é que na China eles não têm o costume do leite em pó e não existem fábricas grandes o suficiente para desdobrar em líquido", comenta. De acordo com Rodrigo Alvim, a China é um excelente mercado. "São 1,3 bilhão de chineses que apresentam um consumo médio de leite muito inferior à quantidade recomendada pela OMS", revela.
Fonte: O Tempo/MG, adaptado por Equipe MilkPoint
Laticínios mineiros descobrem mercado externo
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