Meta é vender US$ 10 milhões ao exterior no primeiro ano; empresa poderá também importar
Cinco dos maiores laticínios nacionais formaram um grupo para buscar o mercado externo de leite em pó. O objetivo é reverter a posição do Brasil, que há poucos anos era o maior importador mundial do produto, para exportador. As empresas Embaré e Ilpisa (da marca Vale Dourado); e as cooperativas Itambé, Confepar e Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL, da marca Paulista) investirão numa trading de exportação de lácteos, a Serlac.
Os laticínios terão 50% da nova trading, dividido em partes iguais. A outra metade será da Sertrading, uma empresa de comércio exterior que fornecerá estrutura e know-how. O objetivo é exportar US$ 10 milhões no primeiro ano, diz o presidente da Sertrading, Alfredo de Goeye.
O investimento inicial será de US$ 1 milhão. Além de funcionários brasileiros, a equipe terá estrangeiros com experiência no negócio de leite. Os mercados mais atrativos são os do norte da África, México, Venezuela.
Vindo da Cotia Trading, onde era vice-presidente, De Goeye montou há dois anos a Sertrading. A trading está mais ligada ao comércio de máquinas e equipamentos, mas ele pretende aproveitar o potencial exportador que o Brasil tem na área de lácteos. "As empresas brasileiras perceberam que, se elas não exportarem, alguém virá ao país e fará", diz ele.
Segundo o presidente da Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV), Almir Meireles, consultor do projeto, será criada uma marca única para exportação, possivelmente a "Brazilian Dairy", a exemplo do "Brazilian Beef", marca que apresenta a carne bovina na Europa.
A mineira Itambé, terceira maior captadora de leite do país, é a única que já vendeu ao exterior. Por meio de uma trading européia, fechou no fim do ano passado um contrato de venda de cinco mil toneladas (cerca de US$ 8 milhões) de leite em pó para a Argélia. Para o vice-presidente da cooperativa, Jacques Gontijo, a exportação pode ajudar a regular os preços no mercado interno.
A atual crise de preços, no entanto, pode trabalhar contra a sonhada exportação. Se os menores preços pagos ao pecuarista levar a uma menor produção, diminui o excedente para exportação a curto prazo.
Fontes do setor acreditam que a Serlac vá fazer exportações pontuais no começo, mas o negócio tem boas perspectivas de deslanchar a médio prazo. Mesmo porque a situação atual não é das melhores. Os preços internacionais do leite em pó, que ano passado chegaram a quase US$ 2 mil por tonelada, hoje estão abaixo de US$ 1,5 mil. E o dólar no Brasil, que estava na casa dos R$ 2,70 quando das exportações no ano passado, hoje está em R$ 2,42. Por via das dúvidas, a Serlac também poderá atuar na importação de lácteos.
Fonte: Valor On Line (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint
Laticínios criam trading e partem para exportações
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LUÍS ANTÔNIO DA SILVA
MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/03/2002
A busca de alternativas, como a exportação dos produtos lácteos, é muito interessante, pois permite atuar como regulador de preços do leite, com uma menor variação de preço aos produtores ao longo do ano. O que já é uma vitória para os produtores. Alternativas como essa também permitem obter preços melhores, desde que sejam passadas informações quanto à qualidade exigida para exportar a matéria prima.