As três novas máquinas que os laticínios Italac e Marajoara colocaram em operação, com capacidade para quase 340 mil litros/dia, e a unidade que o Laticínios Morrinhos Indústria e Comércio Ltda. (Leitbom) inaugura hoje em Uruaçu, projetada para processar 400 mil litros/dia, vão alavancar a capacidade instalada do setor em Goiás, para mais de 11 milhões de litros/dia. A estimativa do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Goiás (Sindileite) leva em conta um avanço de 15,8% na capacidade de produção desde 2000, quando os 619 estabelecimentos estavam equipados para processar 9,5 milhões de litros.
No ano passado, o setor de laticínios registrava uma capacidade correspondente a 10,5 milhões de litros por dia, afirma o diretor executivo do Sindileite, Alfredo Luiz Correia. O nível de emprego tem se mantido na indústria, de acordo com Correia, ao redor de cinco mil vagas, já que as novas fábricas instaladas adotam processos automatizados.
Em 2001, o Programa de Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Produzir) aprovou cinco projetos que previam investimentos de R$ 110,886 milhões no setor de laticínios, incluindo uma estimativa de geração de 815 empregos diretos. Dos cinco projetos beneficiados com créditos do ICMS no valor de R$ 308,142 milhões, até 2020, o maior deles, da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (Itambé), ainda não saiu do papel. Isoladamente, a Itambé responde por 88,4% (R$ 98 milhões) do investimento previsto para o setor e acrescentaria mais 1,6 milhão de litros/dia à base já implantada.
De qualquer forma, ao longo de 2001, diz o presidente do Sindileite, Domingos Vilefort Orzil, a Parmalat triplicou sua produção em Santa Helena, para 600 mil litros diários, e a Paulista instalou mais uma torre de secagem de leite, dobrando sua capacidade de processamento para 400 mil litros /dia. Apenas nos dois casos, foram 600 mil litros a mais.
A unidade do Leitbom que começa a operar hoje em Uruaçu, no Norte do Estado, consumiu investimentos de R$ 10,770 milhões, dos quais R$ 5,950 milhões foram destinados à compra de máquinas e equipamentos. Uma parte (R$ 4 milhões) foi financiada pelo Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). Além disso, a empresa vai receber, ao longo de 15 anos, R$ 48,134 milhões relativos a 73% do ICMS financiados pelo Produzir a juros de 2,4% ao ano.
Instalada em um terreno de 144 mil m², a fábrica ocupa 22 mil m² e vai empregar, de forma direta, 300 pessoas, criando outras quatro mil vagas indiretamente. A unidade comprada da Nestlé, que estava paralisada durante os últimos 15 anos, inicia sua operação processando entre 180 mil a 200 mil litros/dia e prevê atingir a capacidade máxima em outubro, quando produzirá, anualmente, 7.055 toneladas de leite em pó integral e 5.633 toneladas de leite em pó modificado.
Mercado
Vilefort, que também é diretor e um dos três sócios do Leitbom, lembra que o País importa "grande quantidade de leite em pó e a fábrica pode substituir o correspondente a 10% das compras externas". Ele diz que há espaços a ocupar nos mercados das regiões Norte e Nordeste, destino de 26% das vendas de leite em pó do Estado.
Criado em abril de 1964, como uma pequena fábrica de manteiga, o Laticínios Morrinhos capta hoje, cerca de 700 mil litros de leite in natura/dia nos períodos de safra, produzindo leite em pó, longa vida, achocolatados, manteiga extra, creme de leite e queijos em seis unidades instaladas em Goiás. A expansão começou em 1999, com uma indústria de queijos prato e mussarela em Conceição do Araguaia (PA). Desde então, abriu mais seis empreendimentos, também no Pará. A Morrinhos emprega 950 funcionários e mantém relações comerciais com cerca de seis mil produtores de leite.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Lauro Veiga Filho), adaptado por Equipe MilkPoint
Laticínios ampliam capacidade de produção no interior de Goiás
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