La Sereníssima baixará preço do leite no varejo na Argentina

Publicado por: MilkPoint

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A companhia de lácteos La Sereníssima, que controla 50% do mercado de leite longa vida e 60% do mercado de leite fresco da Argentina, decidiu desfazer o aumento do preço imposto em dezembro passado a seus produtos lácteos desde segunda-feira, até o dia 28 de fevereiro, após ter chegado a um acordo com os Ministérios da Economia e da Produção.

Este acordo faz parte das negociações que o Governo argentino está fazendo com os setores produtivos com o intuito de baixar os preços da Cesta Básica de alimentos, segundo destacou uma fonte do Palácio da Fazenda, logo após ter obtido este acordo com a empresa do grupo Mastellone.

Os preços dos produtos da Cesta Básica Alimentar - que indica a quantidade mínima de alimentos que uma família requer e mede os níveis de pobreza da população - aumentaram cerca de 74,9% no ano, frente o aumento de 41% da inflação no setor varejista. Em dezembro, o aumento dos preços da Cesta Básica foi de 0,6%, o triplo da inflação, que alcançou 0,2%.

A La Sereníssima informou que a baixa nos preços atinge o leite integral ultrapasteurizado, bem como o leite semidesnatado, de suas marcas La Sereníssima, Armonía e Fortuna.

Estratégia

Através de uma campanha publicitária, que se difundiu em horário central pela televisão aberta e pela televisão a cabo, a empresa anunciou dias atrás um aumento no preço de seus produtos (entre 7% e 9%), devido à necessidade de arcar com "maiores custos industriais".

Segundo a empresa, os gastos de produção durante o ano passado aumentaram em torno de 170%, enquanto na média os alimentos lácteos só registraram um aumento de 85%. O principal gasto das indústrias lácteas é a compra de leite dos produtores.

A divulgação desta mensagem publicitária causou um mal-estar entre os produtores de leite da Argentina que, através de uma mesa interprovincial do setor (que agrupa produtores de Córdoba, Santa Fé, Buenos Aires, La Pampa e Entre Rios), solicitaram formalmente o fim desta campanha.

Em uma entrevista ao jornal argentino El Clarín, o dono da empresa, Pascual Mastellone, disse que o preço do leite voltará a aumentar em março.

Clarín: O que ocorrerá em março?

PM: Estimo que, em março-abril, possivelmente aumente o preço do leite outra vez porque faltariam para nós 200 mil litros por dia para abastecer o mercado interno nesta data. O preço do leite seguirá aumentando entre 6% e 7% ao produtor sem que isso signifique um aumento proporcional ao consumidor.

Clarín: Por que falta leite à empresa?

PM: A produção caiu cerca de 15% em todo o país e, na Província de Buenos Aires, a queda foi de 20%. O produtor recebeu preços muito baixos e o país deixou para trás 10 bilhões de litros de leite anuais produzidos em 1999.

Clarín: Quanto tempo demorará para que o país passe dos atuais 7 bilhões de litros anuais produzidos para os valores de 1999?

PM: Levará quatro ou cinco anos. O que se destruiu é difícil de ser reconstruído. Porém, neste momento, o produtor recebe um preço que cobre seus custos.

Clarín: Os preços ao produtor melhoraram?

PM: O preço estava em 15 centavos (4,53 centavos de dólar) e hoje está em torno de 37-38 centavos (11,17-11,48 centavos de dólar). Este mês chegaremos a 40 centavos (12,08 centavos de dólar).

Clarín: Qual o impacto desta melhora sobre o preço final ao consumidor?

PM: O leite é um produto de muito pouca margem. Os supermercados trabalham a 9% e, quando tem leite em oferta, vendem o produto com preços abaixo do custo. O sistema de qualidade que possuímos também influencia porque diariamente fazemos análises em cada usina leiteira. Além disso, estamos colocando estações intermediárias para classificar a qualidade do leite. Isto significa um duplo custo de coleta. O que para nós custa 4 centavos (1,2 centavos de dólar), para o restante da indústria leiteira sai a 1,5 centavos (0,45 centavos de dólar). Além disso, existem os custos de transporte e distribuição, bem como do envase do produto. Um envase em embalagens cartonadas, por exemplo, custo o mesmo que um litro de leite ao produtor. A isso deve-se agregar os impostos: um litro de leite a 1,30 pesos (US$ 0,39) leva entre 35 e 39 centavos (10,57 a 11,78 centavos de dólar) de impostos.

Clarín: Desde a desvalorização, há muitas pequenas e médias indústrias lácteas que estão reabrindo suas portas...

PM: A indústria se concentrou nos anos noventa. De 1100 fábricas caíram para 800 e, agora, são quase 1300 fábricas fazendo produtos. Muitas trabalham no mercado negro.

Clarín: O que mudou para sua empresa com este novo mapa?

PM: Entre o que se reduziu da produção de leite e o que perdemos devido à competição, nós deixamos de captar um milhão de litros de leite por dia. Isto significa 20% do volume total. Tenho que reconhecer que, como empresa, nós demoramos a implementar um aumento de preços ao produtor.

Clarín: A empresa está exportando mais, graças ao preço do dólar?

PM: Hoje o dólar é bom para exportar e os preços internacionais vêm subindo devido à seca na Austrália, às dificuldades na Nova Zelândia e um maior consumo na Ásia. O preço aumentou de US$ 1100 a tonelada de leite em pó para cerca de US$ 1600/1700 atuais. Isso leva a crer que haverá muita demanda de leite no mercado argentino neste ano. A La Sereníssima tem uma grande capacidade instalada para exportar, mas como perdemos 20% de nosso volume, estamos fora das exportações, a não ser que a venda ao mercado interno caia muito. Além disso, para vender no mercado interno temos 2400 pessoas. Se destinássemos o leite para a exportação, 100 pessoas seriam suficientes. E esta não é a intenção de uma empresa em que os acionistas investiram US$ 500 milhões nos últimos anos. Destinamos o dinheiro obtido para vender a metade de nossa distribuidora e o negócio de iogurte, para reforçar o negocio de leite, pensando em uma atividade que crescia 7% ao ano. Outros US$ 300 milhões obtivemos do mercado internacional.

Clarín: Vocês estão próximos a chegar a um acordo com seus credores?

PM: Houve uma aproximação amistosa. No final do mês, teremos uma nova reunião em Nova York. Esperamos avançar.

Em 14/01/03 - 1 Peso argentino = US$ 0,30211
3,31 Peso argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: Infortambo e El Clarín, adaptado por Equipe MilkPoint
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