Itambé: exportação em queda deve frear avanço em 09

Após um 2007 "excepcional" e um 2008 apenas "razoável", a Itambé prepara-se para um cenário mais difícil este ano, com queda das exportações de lácteos e crescimento menor da receita. No ano passado, as vendas totais da cooperativa somaram R$ 2,037 bilhões, 17% mais do que em 2007, mas o resultado líquido foi um prejuízo de R$ 31 milhões - ante um lucro líquido de R$ 68 milhões no ano anterior.

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Após um 2007 "excepcional" e um 2008 apenas "razoável", a Itambé prepara-se para um cenário mais difícil este ano, com queda das exportações de lácteos e crescimento menor da receita. No ano passado, as vendas totais da cooperativa somaram R$ 2,037 bilhões, 17% mais do que em 2007, mas o resultado líquido foi um prejuízo de R$ 31 milhões - ante um lucro líquido de R$ 68 milhões no ano anterior.

Para reverter o resultado negativo, a Itambé está implementando um programa para reduzir despesas e desperdícios. O plano é economizar R$ 80 milhões com ganho de eficiência, substituição de fornecedores e mudança de combustível para caldeiras, de óleo diesel para lenha, de acordo com Jacques Gontijo, presidente da Itambé. Segundo ele, a razão para o prejuízo no ano passado foram a variação cambial, que gerou uma perda de R$ 76 milhões, e as despesas financeiras de R$ 71 milhões. Ele explicou que essas despesas referem-se a financiamentos atrelados ao dólar, como operações de pré-pagamento e investimentos em equipamentos. No fim de 2008, a dívida da empresa em moeda estrangeira era de US$ 100 milhões.

"A expectativa é de um cenário menos otimista este ano", admite Gontijo. Com isso, a receita, que de 1994 até 2008 cresceu a uma média anual de 16%, deve aumentar 5% a 6% em 2009. Os volumes, 14% maiores em 2008, também devem ter um avanço bem mais modesto, de 3%. Quadro bem diferente do de 2007, "o melhor ano do setor" nas palavras de Gontijo, quando as vendas da Itambé subiram 28%. "A exportação deve cair para um patamar de 12% a 15% do faturamento. Por isso teremos o desafio de crescer no mercado interno", prevê. A Itambé é hoje um dos maiores exportadores de lácteos do país e, no ano passado, as vendas externas corresponderam a 20% de sua receita.

Mas a história é outra agora principalmente por causa da esperada queda nas vendas para a Venezuela, que em 2008 alavancou as exportações brasileiras de lácteos, mas pôs o pé no freio com o agravamento da crise financeira global. Grande produtora de petróleo, a Venezuela foi gravemente afetada pela queda dos preços da commodity, reflexo das turbulências. Numa estimativa preliminar - e cautelosa - Gontijo diz que as exportações - que somaram US$ 220 milhões em 2008 - devem alcançar US$ 180 milhões este ano.

Com vendas menores lá fora, a Itambé pretende ampliar sua participação no mercado de leite fluido (longa vida e pasteurizado), iogurtes e leite em pó no país. Conforme Gontijo, a empresa tem capacidade industrial para ampliar a produção de leite fluido e "vai ocupá-la melhor". No caso do iogurte, a Itambé está concluindo um investimento de R$ 20 milhões em equipamentos para embalagem. Ambas as linhas ficam na cidade de Pará de Minas. "Não é necessário fazer novos investimentos", diz. Mas será preciso um trabalho mais intenso de vendas, afirma o executivo, já que a intenção é ampliar a participação no Sul do país. Hoje, a Itambé é forte no Sudeste, no Norte e Nordeste.

A crise faz a Itambé mostrar parcimônia no que se refere a investimentos. A empresa tem aprovado um crédito de R$ 140 milhões do BNDES. Desse valor, utilizou R$ 40 milhões ano passado para elevar a capacidade de processamento da unidade de Uberlândia de 1,2 milhão de litros por dia para 1,440 milhão atualmente. O restante deve ser desembolsado no decorrer deste ano com uma nova câmara de secagem de leite em Uberlândia e outra ampliação da capacidade de processamento, de acordo com Gontijo. A empresa também tem fábricas em Guanhães e Sete Lagoas, ambas em Minas Gerais, e duas unidades em Goiânia (GO).

Outro efeito da turbulência financeira é que a busca de um sócio que injete capital para a Itambé crescer está em banho-maria. A cooperativa deu mandato ao Itaú BBA para que encontre um investidor para vender 20% a 30% do capital da empresa. Gontijo explica que no caso de venda de participação, a cooperativa passaria a ser acionista controladora de uma S.A já criada.

A matéria é de Alda do Amaral Rocha, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe MilkPoint.
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ACYR DUARTE QUINTÃO
ACYR DUARTE QUINTÃO

DIVINOLÂNDIA DE MINAS - MINAS GERAIS

EM 05/03/2009

Boa noite,
Só gostaria de informar que na Itambé, da qual sou cooperado e faço parte da diretoria da centro nordeste mineira, já foi aprovado pelo conselho para elevar a capacidade de processamentoda da unidade de Guanhães, que atua na secagem, passando a processar leite fuido (longa vida). Inicialmente 70.000 em um turno de sete horas, com capacidade para 210.000.
GIOVANNI SANGIOVANI FERREIRA
GIOVANNI SANGIOVANI FERREIRA

UNAÍ - MINAS GERAIS - VAREJO

EM 23/02/2009

É uma ótima oportunidade para a Itambé rever ou aumentar a produção para atender às necessidades das vendas internas. Apesar de ser lider de mercado no Norte, Nordeste e Sudeste, a falta de produtos lácteos ainda é uma constante.
Qual a sua dúvida hoje?