Técnicos do Banco Pactual visitaram 15 empresas dos EUA e da Europa, nos últimos meses, para apresentar a CCPR/Itambé naqueles mercados. A venda de 49% das ações da Cooperativa Central dos Produtores de Minas Gerais, CCPR/Itambé, deverá ser fechada até julho próximo. A operação deverá envolver não menos que R$ 1 bilhão, conforme expectativa de analistas do setor de laticínios. Deverá ser marcada para o próximo mês uma data para a entrega de proposta de preço dos grupos interessados.
Os interessados estão em fase final de análise dos dados da empresa, segundo informou um dos participantes das negociações. O presidente da Itambé S/A, empresa criada para operar o patrimônio da CCPR, José Pereira Campos Filho, não fala em números, mas prevê que deverá ser o maior negócio do setor no Brasil. A busca pela parceria estratégica, segundo o presidente da CCPR, é uma exigência do próprio mercado, cada vez mais competitivo. Além de ganhar fôlego para fazer novos investimentos, a Itambé pretende, com os sócios, ampliar o seu nicho de mercado, com a entrada nos segmentos de massas, biscoitos, chocolates, entre outros produtos. "Precisamos diversificar e não temos conhecimento tecnológico de outros segmentos".
Empresa deverá faturar R$ 1 bilhão em 2002
Ocupando a segunda posição no ranking do setor de laticínios no Brasil, a CCPR/Itambé fechou o ano passado com faturamento da ordem de R$ 800 milhões, contra os R$ 625 milhões apurados em 2000. Para este ano, projeta-se novo aumento no faturamento, que deverá atingir R$ 1 bilhão. A rentabilidade da empresa, segundo José Pereira, também deverá aumentar com a transformação da Itambé em sociedade anônima e a chegada dos novos sócios. As cooperativas desse segmento costumam conseguir rentabilidade sobre as vendas de 3% a 4%, quando nas empresas privadas esse percentual costuma ser maior que 12%.
O principal negócio da Itambé, hoje, é a produção de leite em pó, que consome 1,8 milhão de litros de leite por dia, dos 2,5 milhões de litros que são processados diariamente pela empresa, que conta com 30 cooperativas associadas. O leite longa vida representa apenas 6% da produção total. As exportações têm pouco significado nos negócios da CCPR/Itambé, que atualmente tem um contrato de exportação de 5 mil ton de leite em pó, no valor total de R$ 8 milhões, para a Argélia, na África. A empresa também está negociando um contrato para exportar manteiga, cujos detalhes ainda são mantidos em segredo. A CCPR foi fundada há 53 anos, com o objetivo de promover a regularização da distribuição do leite em Belo Horizonte. Inicialmente, ela era formada por 17 fornecedores individuais e seis cooperativas regionais.
Fonte: O Estado de Minas, adaptado por Equipe MilkPoint
Itambé espera vender 49% das ações até julho
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