Itambé concentra foco em produtos de maior valor

Publicado por: MilkPoint

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Cooperativa reduz atuação em longa vida e abandona queijo.

A mineira Itambé, terceira maior produtora de lácteos do Brasil, primeira no ranking dos laticínios de capital nacional, decidiu deixar a fabricação de produtos com "margem baixa e pouco valor agregado". Segundo o presidente da cooperativa, José Pereira Campos Filho, haverá forte redução na produção de leite longa vida e a fabricação de queijos será totalmente abandonada. "Não vale mais a pena atuar nesses mercados, que devem ser dominados por pequenos laticínios", afirma.



As primeiras iniciativas foram tomadas em março. A fábrica de queijos em Piracanjuba (GO) foi fechada. A unidade, comprada nos anos 80 da Leco, captava 200 mil litros de leite por dia e empregava 50 pessoas, que foram demitidas. A competição desigual contra produtos informais também pesou na decisão, de acordo com o executivo.

A produção de longa vida da Itambé, que já caiu 28% em 2001, passará de 200 mil litros por dia para 50 mil. A capacidade é de 1 milhão de litros por dia. O produto é fabricado hoje nas unidades de Brasília, Belo Horizonte e Pará de Minas. Pereira Campos afirma que parte dos funcionários dessas fábricas será deslocada para linhas de outros produtos, mas não descarta mais demissões.

O mercado de longa vida no país não deve sofrer grande transformação com a saída da Itambé, uma vez que está muito pulverizado, segundo o presidente da Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV), Almir Meireles. Desde que o produto tornou-se padrão de consumo, na década passada, as margens se estreitaram e a "commoditização" trouxe vários competidores regionais com custos baixos.

Na prática, a decisão de sair dos queijos e do longa vida para investir em leite em pó e refrigerados, como iogurte e requeijão, reforça a opção da Itambé de encarar de frente a briga com as multinacionais que dominam o setor. A medida também está em linha com a estratégia de atrair um sócio estratégico para a S.A. constituída em agosto de 2000. O banco Pactual foi encarregado da procura pelo parceiro. Segundo Campos, a cooperativa está em fase de contatos preliminares com nove interessados, todos estrangeiros. No entanto, a central, que reúne 30 cooperativas singulares e 8,5 mil produtores de leite, não abre mão de continuar com 51% das ações.

Antes da chegada do sócio, a Itambé aproveita para arrumar a casa. A cooperativa voltou ao azul em 2001. Os lucros foram de R$ 1,6 milhão, ante perda de R$ 4,9 milhões em 2000, e as receitas cresceram 14%, para R$ 824,2 milhões no ano. A captação de leite aumentou 9% e alcançou 824,2 milhões de litros.

Segundo dados da ACNielsen apresentados pela Itambé, sua fatia de mercado em boa parte dos lácteos melhorou em 2001. Entre os ganhos mais expressivos, houve crescimento de 11% no leite em pó, 16% em iogurtes e 21% em requeijão. No leite condensado, o aumento da participação foi de 41%. Este segmento deve receber R$ 10 milhões em ampliação da produção em 2002.

Já o projeto da nova fábrica de leite em pó, anunciado no ano passado, continua no estaleiro. Goiás e Minas Gerais brigam pelo investimento de US$ 60 milhões.

Fonte: Valor On Line (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint
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