A Perdigão informou nesta terça, dia 12, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que mantém as discussões com a Sadia para uma possível fusão entre as companhias. No entanto, a empresa diz que até o momento ainda não foi fechado nenhum acordo entre ambas, e que informará imediatamente ao mercado sobre qualquer novidade.
Porém os investidores já fizeram suas apostas para a compra da Sadia pela Perdigão. O negócio deve sair nos próximos dias. Embora as principais questões estejam já acertadas, muitos detalhes precisam ser colocados no papel, mas risco da transação não se concretizar é reduzido.
Comenta-se que a transação será feita por troca de ações e com aporte do BNDES, nos moldes da compra da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP). A expectativa é que a injeção de capital seja feita na Perdigão, antes da união das empresas. Pelos preços de mercado, cada ação ordinária (ON, com voto) da Sadia vale 0,15 da Perdigão.
A nova rodada de rumores sobre a fusão da Sadia com a Perdigão fez com que as ações das duas companhias fossem na contramão do mercado e fechassem em alta ontem na BM&F Bovespa. No pregão de ontem, as ordinárias da Perdigão dispararam 13,3%, na maior alta do Índice Bovespa, para R$ 36,25, enquanto as ordinárias da Sadia subiram 6,7%, para R$ 5,60, e as preferenciais tiveram alta de 3,3%, para R$ 4,70.
As famílias controladoras da Sadia, Fontana e Furlan, devem ficar com pouco menos de 10% da empresa resultante - fatia que originalmente pretendiam ter no negócio. Considerando o capital total da companhia unificada, significa que os atuais acionistas da Sadia contribuirão com pouco menos de 30% - os mais de 70% restantes virão da base atual da Perdigão.
Mesmo com a fusão, a companhia resultante será, em 2011, uma sociedade anônima pura, sem dono definido, listada no Novo Mercado. Esse era o plano original da Perdigão, que será mantido. Até lá, os atuais donos da Sadia deverão garantir direitos adicionais na companhia, além de acento no conselho de administração, como contrapartida ao peso do acordo dos fundos de pensão que votarão unidos na Perdigão até lá.
O banco de fomento entra como peso relevante para reduzir a importância dos controladores da Sadia na nova empresa. Ao contrário da rival, a Perdigão não tem um sócio majoritário, mas um grupo de seis fundos de pensão (Previ, Petros, Valia, Sistel, Real Grandeza e FPRV1 Sabiá) que somam 36% das ordinárias, mas de poder diluído se votarem separadamente.
Os preços das ações na bolsa, segundo analistas, consideram que as famílias donas da Sadia terão poder reduzido na gestão dos negócios. Algo muito diferente disso resultaria num comportamento negativo dos papéis.
Os analistas Fabio Monteiro e Ricardo Boiati, da Bradesco Corretora, estimam que R$ 1,2 bilhão seria suficiente para sanar as dificuldades da Sadia, provocadas pelas perdas de R$ 2,6 bilhões com derivativos de alto risco. A necessidade de capital por conta desse prejuízo foi o grande motor das conversas entre as rivais, que já tentaram uma fusão em pelos menos duas outras ocasiões - em 2002 e 2006.
Os analistas, em geral, destacam as sinergias da operação, que criará a maior companhia de alimentos do Brasil e com porte para competir com as grandes internacionais. As projeções de ganho com a união variam significativamente. A Brascan Corretora estima R$ 2,2 bilhões. Já o Credit Suisse acredita que os benefícios vão de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, considerando as economias fiscais por amortização de ágio. Para a instituição, o BNDES deveria colocar, pelo menos, R$ 2 bilhões na empresa.
Amanhã, ao divulgarem os números, ambas as empresas devem trazer prejuízo, afetadas pela queda no preço e na demanda do mercado internacional. A Brascan estima perda de R$ 41 milhões para Perdigão e de R$ 182 milhões para Sadia. Os analistas do HSBC esperam prejuízo de R$ 12 milhões e R$ 219 milhões, respectivamente.
A matéria é de Graziella Valenti, publicada no jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe AgriPoint.
Investidores apostam na fusão da Sadia e Perdigão
A Perdigão informou nesta terça, dia 12, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que mantém as discussões com a Sadia para uma possível fusão entre as companhias. No entanto, a empresa diz que até o momento ainda não foi fechado nenhum acordo entre ambas, e que informará imediatamente ao mercado sobre qualquer novidade. A nova rodada de rumores sobre a fusão da Sadia com a Perdigão fez com que as ações das duas companhias fossem na contramão do mercado e fechassem em alta ontem na BM&F Bovespa.
Publicado por: MilkPoint
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