Uma empresa de Londrina faz parte da primeira companhia trading brasileira dedicada à exportação de leite. A Confepar, que reúne oito cooperativas da região, é uma das integrantes da Serlac, formada também pelas cooperativas Itambé e Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo, as indústrias Embaré e Ilpisa e a trading Sertrading.
Criada em 10 de maio, a nova empresa deve vender, no primeiro ano de atividade, 10 mil toneladas de leite em pó, que deverão render ao País US$ 20 milhões em divisas. Os laticínios brasileiros receberão rótulos com a marca Brazilian Dairy Board. A iniciativa repete a estratégia dos produtores da Nova Zelândia que conseguiram criar uma forte marca nacional, garantindo exportações para 78% da produção do país.
Vendas na safra
O diretor-presidente da Confepar, Renato José Beleze, informou que a empresa londrinense iniciará sua participação no mercado de exportação comercializando 150 toneladas de leite em pó mensais. As vendas devem se concentrar no período de safra, quando há excedente da produção. ''O volume ainda é pequeno, mas permitirá conhecermos esse novo mercado'', acredita.
De acordo com ele, a constituição da Serlac beneficiará todo o setor de pecuária leiteira. ''A trading vai tirar excedente de matéria-prima do mercado interno, permitindo que o preço médio do leite se conserve mais alto'', disse, acrescentando que a iniciativa é um primeiro passo para organizar a cadeia e impedir a queda de preços.
Para atender às exigências do mercado externo, a Confepar investe na renovação de sua indústria. A planta industrial está sendo automatizada para evitar erros humanos. A empresa também comprou novos pasteurizador, homogenizador, centrífuga e concentrador, que segundo Beleze permitirão aumentar o volume de produção, melhorar a qualidade e reduzir custos.
Para viabilizar essas melhorias, foram investidos R$ 8 milhões. Como a renovação atinge todo o leite produzido pela empresa, os consumidores internos também serão beneficiados.
Os investimentos iniciais de todos os membros da Serlac somam R$ 1 milhão. Os recursos serão aplicados em campanhas de marketing e na estrutura da nova empresa. Um escritório será aberto no Brasil nessa primeira etapa e dentro de seis meses, o objetivo é instalar um escritório de representação no Norte da Europa. Os recursos investidos são dos próprios sócios da companhia. A Sertrading é dona de metade da nova empresa e os 50% restantes divididos entre demais associados.
O primeiro produto a ser exportado é o leite em pó, mas, a médio prazo, a empresa colocará no mercado internacional produtos como manteiga, queijo e leite condensado.
O Brasil, aliás, possui características para se tornar bastante competitivo no mercado de leite condensado e creme de leite. Conforme Renato Beleze, o País conta com boa oferta de leite, aço e açúcar a preços acessíveis, que constituem a matéria-prima para fabricação desses artigos. ''Além disso, dominamos a tecnologia de produção'', conclui.
Fonte: Folha de Londrina (por Carolina Avansini), adaptado por Equipe MilkPoint
Integrante da Serlac investe para atender exigências do mercado externo
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